Agosto Dourado

Publicado em 12 de dezembro de 2022.

        O leite materno é considerado a melhor escolha alimentar para os recém-nascidos, sanando suas demandas de crescimento e desenvolvimento, por sua composição rica em nutrientes essenciais na dose adequada.1 Além disso, o leite materno reduz a morbimortalidade infantil e propicia a formação e o fortalecimento do laço afetivo mãe-bebê2,3

        A Organização Mundial de Saúde (OMS), desde 1991, vem implementando estratégias mundiais com o intuito de promover, proteger e apoiar o aleitamento materno. A meta estabelecida pela OMS é de aumentar em 50% a taxa de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2025.4

        Considerando a importância do leite materno na saúde e no pleno desenvolvimento do bebê, a OMS implementou a iniciativa do Agosto Dourado, instituída no Brasil pela lei n° 13.435/2.017. No mês de agosto são propostas ações para conscientização sobre a importância do aleitamento materno e de suporte a mulheres e redes de apoio quanto à amamentação segura e seus benefícios.4,5

Símbolo do Laço

         O Agosto Dourado é representado pelo símbolo do laço, no qual cada parte integrante do laço compreende um aspecto essencial para o estabelecimento e manutenção do aleitamento materno.5

Foto google de acesso livre.

        O nó representa o papel do pai, família e sociedade, caracterizando a rede de apoio e vínculo da família com o recém-nascido (RN). A maioria das mulheres, sob o ponto de vista fisiológico, estão aptas a produzir o leite necessário à demanda do seu bebê.2 No entanto, embora seja um ato natural, o estabelecimento e a continuidade da amamentação pela mulher-nutriz dependem de aprendizado, informação e apoio dos seus pares, família e serviços de saúde.6

 

        A rede de apoio à mulher no processo de amamentação é o principal alvo no ambiente hospitalar e na atenção básica, e inclui a família e a comunidade.7,8 Uma rede de apoio bem estabelecida auxilia a mulher no processo de amamentação e favorece a prevenção de possíveis complicações de modo precoce.9 

Os lados do laço representam as figuras da mãe e do RN. 

Considerando o lado representativo da mãe, este é pautado por aspectos fisiológicos e psicológicos. Nesse sentido, o ato de amamentar se traduz em diversos benefícios fisiológicos para a mãe. A curto prazo, ressalta-se a influência dos hormônios envolvidos no aleitamento materno, os quais diminuem o risco de hemorragia e anemia, e, também, de depressão pós-parto. A longo prazo, mulheres que amamentam possuem menor risco de desenvolver diabete melito tipo 2, câncer de mama e de ovário, e retornam ao peso pré-gestacional mais rapidamente.10,11 Quanto aos aspectos psicológicos maternos, estes possuem uma íntima relação com o processo de amamentação. Frente à necessidade de uma internação hospitalar, os sentimentos de ansiedade e estresse dificultam a produção do leite materno e o estabelecimento da pega do neonato no seio. Contrário a isto, o adequado desenvolvimento e vínculo do recém-nascido com a família traduz sentimentos de afeto e tranquilidade para a mãe, contribuindo para uma maior produção do leite e facilitando o início e manutenção do aleitamento materno.12,13  

Para o lado representativo do bebê, o leite materno possui ativos imunológicos e probióticos que estão envolvidos no estabelecimento de uma microbiota intestinal saudável, reduzindo a colonização de agentes patológicos, risco de alergias e doenças respiratórias e intestinais, e de morbimortalidade nos primeiros anos de vida. Ademais, a composição nutricional do leite materno é responsiva às demandas do neonato, possuindo diferentes concentrações de calorias, lipídios e proteínas no leite de mães de recém-nascidos prematuros e recém-nascidos à termo.2,14 

A simbologia escolhida pelo laço remete ao significado do aleitamento materno como sendo um ato completo, cuja realização extrapola o papel nutricional, contemplando também a valorização do vínculo e afeto gerados entre o RN e a família por meio do aleitamento materno.  O enfermeiro é o profissional que orienta, informa e conscientiza a mulher sobre a amamentação, seus benefícios e possíveis dificuldades que venham a surgir.17,18,19.

Dessa forma, o enfermeiro deve ter o conhecimento dos desfechos relacionados ao aleitamento materno exclusivo e complementar.

Referências

1 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2019. 265 p. 

2 Brasil – Ministério da Saúde. Secretaria de atenção à saúde – departamento de atenção básica. Saúde da criança: Aleitamento materno e alimentação complementar. [2° edição. Cadernos de Atenção Básica n° 23]. Brasília: Ministério da Saúde, 2015 [acesso em 25 Out 2022]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf.

3 Rodrigues WFG, Candeia RMS, Tavares JS et al. Cadernos de Atenção Básica: saúde da criança, aleitamento materno e alimentação complementar. Revista de Enfermagem: UFPE On line [Internet], 2018 [acesso em 15 Nov 2022}; 12(1):280-282. Disponível em: https://doi.org/10.5205/1981-8963-v12i1a230078p280-282-2018

4 Brasil. Ministério da Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde. Mês do Aleitamento Materno no Brasil e Semana Mundial da Amamentação. [Internet] 2022 [acesso em 25 Out 2022]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/mes-do-aleitamento-materno-no-brasil-e-semana-mundial-da-amamentacao/. 

5 Brasil. Lei nº 13.435, de 12 de abril de 2017. Institui o mês de agosto como o Mês do Aleitamento Materno. Diário Oficial da União 13 abr 2017. 

6 World Health Organization. Global strategy for infant and young child feeding. Geneva: World Health Organization. United Nations Children’s Fund; 2003.

7 Souza MHN, Gomes TNC, Paz EPA, Trindade CS, Veras RCC. Estratégia acolhimento mãe-bebê: aspectos relacionados à clientela atendida em uma unidade básica de saúde do município do Rio de Janeiro. Esc Anna Nery [Internet] 2011 [acesso em 25 Out 2022]; 15(4): 671-677. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-81452011000400003&script=sci_arttext

8 Marques ES, Cotta RMM, Magalhães KA, Sant’ana RFL, Gomes AP, Siqueira-Batista. A influência da rede social da nutriz no aleitamento materno: o papel estratégico dos familiares e dos profissionais de saúde. Ciência & Saúde Coletiva. [Internet] 2010 [acesso em 25 Out 2022]; 15(Supl. 1): 1391-1400. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232010000700049

9 Joca MT, Oliveira RL, Barbosa RCM, Pinheiro AKB. Compreendendo o aleitamento materno através da vivência de nutrizes. Rev. RENE [Internet] 2005 [acesso em 17 ago 2014]; 6(3): 48-55. Disponível em: http://www.revistarene.ufc.br/revista/index.php/revista/article/view/939

10 Chowdhury R, Sinha B, Sankar MJ, Taneja S, Bhandari N, Rollins N, Bahl R, Martines J. Breastfeeding and maternal health outcomes: a systematic review and meta-analysis. Acta Paediatr. [Internet] 2015 [acesso em 25 Out 2022]; 104:96-113.. Disponível em: https://doi.org/10.1111/apa.13102.

11 Campos PM, Gouveia HG, Strada JKR, Moraes BA. Contato pele a pele e aleitamento materno de recém-nascidos em um hospital universitário. Rev Gaúcha Enferm. [Internet] 2020;41(esp):e20190154. [acesso em 25 Out 2022]. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1983-1447.2020.20190154.

12 Chemello MR, Levandowski DC, Donelli TMS. Ansiedade materna e maternidade: Revisão crítica da literatura. INTERAÇÃO EM PSICOLOGIA. [Internet] 2017; vol 21;1. [acesso em 25 Out 2022]. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/view/46153. http://dx.doi.org/10.5380/psi.v21i1.46153. 

13 Melo LCO, Bonelli MCP, Lima RVA, Gomes-Sponholz FA, Monteiro JCS. Anxiety and its influence on maternal breastfeeding self-efficacy. Rev. Latino-Am. Enfermagem. [Internet] 2021;29:e3485. [acesso em 25 Out 2022]. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.5104.3485

14 Brahm P, Valdés V. The benefits of breastfeeding and associated risks of replacement with baby formulas. Rev Chil Pediatr. [Internet] 2017;88(1):7-14. [acesso em 25 Out 2022]. Disponível em: https://doi.org/10.4067/s0370-41062017000100001.

15 Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da Criança: aleitamento materno e alimentação complementar. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 186 p. Disponível em:

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_ca

b23.pdf.

16 Santos AA, Resende MA, Maia GP, et al. O papel do enfermeiro na prevenção do desmame precoce. Revista Eletrônica Acervo Enfermagem, [S.L.], 2020, v. 2, p. 1-7, [acesso em 25 Out 2022]. Disponível em: https://doi.org/10.25248/reaenf.e2232.2020

17 Gomes CBA, Dias RS, Silva WGB et al. Prenatal nursing consultation: narratives of pregnant women and nurses. Texto & Contexto – Enfermagem [Internet], 2019, v. 28, p. 1-15. [acesso em 25 Out 2022]. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2017-0544

18 Almeida RSS, Reticena KO, Gomes MFP, Fracolli LA. Vivências de puérperas frente à atuação da equipe de enfermagem durante o trabalho de parto. Revista de Pesquisa

Cuidado é Fundamental Online, [Internet], 2020, v. 12, p. 345-349 [acesso em 15 Nov 2022]. Disponível em: https://doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v12.7117

19 Shafaei FS, Mirghafourvand M, Havizari S. The effect of prenatal counseling on breastfeeding self-efficacy and frequency of breastfeeding problems in mothers with previous unsuccessful breastfeeding: a randomized controlled clinical trial. Bmc Women’S Health, [Internet], 2020, 20(94):1-10, 5 [acesso em 15 Nov 2022]. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12905-020-00947-1

COMO CITAR:

BREIGEIRON, M.K; RAMOS, G.W; RIBEIRO, E.P; CHAVES, M.F. Agosto dourado: resgatando seu significado no ato de amamentar. Blog LEVi@enf2022(viewed Dezembro 2022) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/agosto-dourado/