
Publicado em 20 de novembro de 2022.
A carga de trabalho pode ser entendida como o conjunto de variáveis ou ações que o operador exerce para a obtenção da produção (Laurell & Noriega, 1989). No contexto da Enfermagem, a carga de trabalho de um paciente internado é o número de horas que um paciente demanda em 24 de assistência hospitalar, ou um dia de internação ou uma atividade de assistência (COFEN, 2017). Sendo que a identificação do número de pacientes internados e a demanda de carga de trabalho permitem estimar o número de profissionais de enfermagem em cada unidade, possibilitando o cálculo e a adequação dos indicadores de carga de trabalho da equipe, critérios tratados rotineiramente nos dimensionamentos de Enfermagem (Magalhães, Dall’Agnol, Marck, 2013). Com isto, o enfermeiro deve estar preparado para as funções de coleta e de gestão dessas informações dentro de sua unidade de trabalho (Nascimento, 2022).
No artigo 11 da Lei de número 7498 de 25 de Junho de 1986, que trata da regulamentação do exercício da Enfermagem, dispõe também que é de competência do enfermeiro “a organização e direção dos serviços de enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços” (Brasil, 1986, p. 9275). A resolução 543 de 2017 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), afirma que compete ao enfermeiro estabelecer o quadro quantitativo e qualitativo de profissionais necessários para a prestação da assistência de Enfermagem (COFEN, 2017).
A carga de trabalho da Enfermagem pode ser mensurada por meio de diversos instrumentos e sistemas disponíveis na literatura (COFEN,2017). Nessa avaliação o grau de dependência de um paciente internado deve ser analisado segundo o Sistema de Classificação de Pacientes (SCP), que foi construído e validado em 1998 por Perroca & Gaidzinski (Perroca & Gaidzinki, 1998), e posteriormente ampliado para diversas especialidades (COFEN, 2004;2017).
O Sistema de Classificação de Pacientes (SCP) é um processo no qual se procura categorizar pacientes de acordo com a quantidade de cuidado de enfermagem requerido, ou seja, baseado na complexidade da assistência de enfermagem.
Ela vem sendo desenvolvida e aperfeiçoada, e apesar de ainda trazer em si algumas limitações, constitui importante instrumento para a prática administrativa da equipe de enfermagem, norteando principalmente o processo decisório relacionado à alocação de recursos humanos. Assim, dimensionar recursos humanos para a assistência de enfermagem pode se tornar mais racional e efetivo quando se procura agrupar pacientes em categorias que reflita a magnitude do processo de cuidar (PERROCA, 1998).
A classificação dos pacientes em níveis de complexidade vem sendo considerada um recurso valioso para a gestão da assistência, pois a partir da sua aplicação diária e sistemática é possível estimar as necessidades de cuidados de enfermagem para cada paciente, além de constituir-se um indicador básico para o planejamento e provimento dos profissionais de enfermagem necessários para a realidade de cada serviço.
Atualmente muitos hospitais estão utilizando a escala de Fugulin, (2005) onde, classifica os pacientes de acordo com o grau de dependência da enfermagem, sendo extremamente útil para o aperfeiçoamento dos parâmetros oficiais relacionados à temática do dimensionamento de pessoal de enfermagem em instituições hospitalares.
Fugulin et al. (1994), desenvolveu um instrumento considerando nove áreas de cuidado:
Para cada item existem quatro opções de resposta que variam entre uma pontuação de 1 a 4, sendo o valor mais alto atribuído à classificação de maior complexidade assistencial. Após a aplicação da escala soma-se a pontuação obtida nos 13 itens e obtém-se uma pontuação que é direcionada a uma categoria de cuidados.
Outras instrumentos também são utilizados nos hospitais como a Perroca (1996) que construiu e validou um instrumento de classificação de pacientes baseado nas necessidades individualizadas de cuidado de enfermagem, considerando 13 indicadores. Cada indicador é avaliado a partir de um conjunto de 5 itens, sendo que quanto maior a complexidade assistencial, maior será a pontuação obtida. O paciente deve ser classificado diariamente na opção que melhor retrate sua situação, em uma das 5 opções de cada indicador. A soma dos indicadores gera uma pontuação geral e o paciente, permitindo a classificação das necessidades de cuidado do paciente em uma das quatro categorias de cuidado:
Neste instrumento, não se considera a categoria de alta-dependência, adotando assim o conceito de cuidado semi-intensivo.
O Nursing Activities Score (NAS) tem a finalidade de estimar, com precisão, a carga de trabalho de enfermagem na UTI (adulta e pediátrica) e avaliar as necessidades de cuidados, incorporando atividades de enfermagem não contemplas nas versões anteriores. O escore NAS expressa a porcentagem de tempo gasto por um profissional de enfermagem na assistência direta ao doente crítico na UTI, em 24 horas, sendo que o percentual pode variar de zero a 100 por cento ou mais ( Queijo, 2002).
O TISS e o NAS tem sido indicado como instrumentos sensíveis e promissores para dimensionar a carga de trabalho de enfermagem (SANTOS, 206). Entretanto, devido a itens muitos específicos para unidades de terapia intensiva, verificou-se que esses instrumentos não se aplicam para unidades abertas. Atualmente, o enfermeiro dispõe de instrumentos que possibilitam avaliar o nível de complexidade de cuidado ou a carga de trabalho de Enfermagem requerida pela clientela por meio do Sistema de Classificação de Pacientes,( Brito, 2012) porém se faz necessário atender às novas necessidades incorporadas devido a mudança do perfil demográfico e epidemiológico vividos pelo Brasil nas últimas décadas.
Em relação à unidade materno infantil, o alojamento conjunto, foi utilizado a escala Fantinelli; O AC necessitava de um instrumento que auxilia-se a equipe de enfermagem a classificar os cuidados prestados à puérpera e ao RN durante a internação hospitalar. Analisando o binômio mãe e bebê. Esse instrumento de classificação de pacientes verifica aspectos relevantes da assistência à puérpera, tais como o vínculo mãe-bebê, a pega correta da mama, a ordenha, entre outros que contemplam a realização do procedimento, interferem no planejamento quadro profissional necessário para atender às necessidades das puérperas e seus recém-nascido e assim possibilitou a ampliação das peculiaridades desses pacientes (FANTINELLI, 2020).
A Escala Fantinelli, que serve para avaliar o grau de dependência da puérpera e do seu recém-nascido está constituído em 13 indicadores de avaliação:
Esses exemplos de instrumentos nos remetem a pensar na em novos instrumentos que incorporem itens ainda não contemplados devido à mudança do perfil demográfico da população brasileira que vem mudando seu cenário, pois acreditasse que que devido à mudança do perfil da população brasileira, houve também uma mudança no perfil de complexidade de cuidado dos pacientes.
Cada assistência de enfermagem prestada ao paciente tem um tempo estimado para a categoria de cuidado, obtido por meio da aplicação dos instrumentos de classificação, se não realizar a aplicação o sistema correto por não contemplarem a realização dos procedimentos realizados nessa unidade de trabalho haverá interferência no planejamento do quantitativo de profissionais necessários para atender às necessidades desses pacientes e consequentemente, na qualidade da assistência prestada a eles.
Referências
Conselho Federal de Enfermagem (2017). Resolução COFEN 543/2017. Atualiza e estabelece parâmetros para o Dimensionamento do Quadro de Profissionais de Enfermagem nos serviços/locais em que são realizadas atividades de enfermagem. Brasília (DF): COFEN.http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen 5432017_51440.html
Conselho Federal de Enfermagem (2004). Resolução COFEN nº 293/2004.Fixa e estabelece parâmetros para o dimensionar o quantitativo mínimo dos diferentes níveis de formação dos profissionais de enfermagem para a cobertura assistencial nas instituições de saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília (DF).https://www.portalcoren-rs.gov.br/docs/Dimensionamento/RESOLUCAO2932004.pd
Laurell, A. C., & Noriega, M. (1989). Processo de produção e saúde: trabalho e desgaste operário (pp. 99-144). Hucitec. https://www.forumat.net.br/at/sites/default/arq- aginas/laurel_e_noriega_processo_de_producao_e_saude.pd
Magalhães, A. M. M. D., Dall’Agnol, C. M., & Marck, P. B. (2013). Nursing workload and patient safety-a mixed method study with an ecological restorative approach. Revista Latino-americana de Enfermagem, 21, 146- 154
Nascimento, Larissa Ingrid Pereira Gonçalves do; BRAGA, Iolanda Alves; ANJOS Anna Claúdia Yokoyama dos et al. Carga de trabalho em enfermagem de pacientes adultos internados em um pronto-socorro de um hospital de alta complexidade. Research, Society and Developm ent, v.1 1, n. 2, e 55811226054, 2022 ,(CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI
BRASIL. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências. Brasília, DF, 1986.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7498.htm
Perroca MG, Gaidzinski RR. Sistema de classificação de pacientes: construção e validação de um instrumento. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 1998;32(2):153-68.
Perroca MG. Sistema de Classificação de Pacientes: Construção e Avaliação de um Instrumento. Dissertação de Mestrado, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo. 1996
Fugulin FMT, Gaidzinski RR, Kurcgant P. Sistema de classificação de pacientes: identificação do perfil assistencial dos pacientes das unidades de internação do HU-USP. Revista Latino-Americana de Enfermagem. 2005;13(1):72-8.
Fugulin FMT, Silva S, Shimizu HE, Campos F. Implantação do sistema de classificação de pacientes na unidade de clínica médica do hospital universitário da USP. Rev Med HU-USP. 1994;4(1/2):63-8
Queijo AF. Tradução para o português e validação de um instrumento de medida de carga de trabalho de enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva: Nursing Activities Score (NAS): Universidade de São Paulo; 2002.
Santos NC. Construção de instrumento para identificação da carga de trabalho da equipe de enfermagem em unidades pediátricas: Universidade de São Paulo; 2006.
Brito APd, Brito Guirardello Ed. Nível de complexidade assistencial dos pacientes em uma unidade de internação. Revista Brasileira de Enfermagem. 2012;65(1):92-6
Fantinelli, Alessandra Andrade, Borges, Rosalia Figueiró ; Stein, Renato Tetelbon; Roncada, Cristian. Desenvolvimento e validação do instrumento específico para complexidade assistencial de puérperas e recém-nascidos: Escala Fantinelli. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant. 20 (2) • Apr-Jun 2020 • https://doi.org/10.1590/1806-93042020000200006
COMO CITAR:
FANTINELLI, A.A. Sistema de Classificação de Pacientes. Blog LEVi@enf2022(viewed Novembro 2022) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/classificacao-de-pacientes/
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