Débora Padilha

Publicado em 18/05/2021

Enfermeira Graduada pela UFRGS, Pós-Graduação em Enfermagem do Trabalho, Gestão nos Serviços de Enfermagem e Enfermagem Dermatológica. Atua como responsável técnica de enfermagem no Instituto de Oxigenoterapia Hiperbárica do Brasil desde 2009 e na Cicatrimed POA desde 2018.

          O Instituto de Oxigenoterapia Hiperbárica do Brasil atua na cidade de Porto Alegre desde 2003. A Oxigenoterapia Hiperbárica é uma modalidade médica terapêutica que consiste na inalação de oxigênio a 100% sob alta pressão, promovendo um aumento da concentração de oxigênio dissolvido no plasma sanguíneo e consecutivamente na área acometida, restaurando as funções orgânicas locais. É um tratamento adjuvante, utilizado como apoio as terapias convencionais, que atua como um acelerador do processo de cicatrização, melhorando os resultados, diminuindo o índice de sequelas, cirurgias, amputações, medicamentos e, consequentemente, o custo global do tratamento. O tratamento é realizado dentro da câmara hiperbárica que pode ser monoplace ou multiplace. A câmara é pressurizada a 2,4 ATAs, equivalente a 14 metros de profundidade.

O tratamento é realizado todos os dias, pelo menos 5 sessões por semana durante 90 minutos.

          Eu, trabalho na hiperbárica desde 2009, me formei enfermeira pela UFRGS e fui contratada pelo IOHB, sendo meu primeiro emprego que neste permaneço até hoje. Aos passar dos anos fui me apaixonando pelo tratamento e pelas feridas. Realizei o curso de Enfermagem em Oxigenoterapia Hiperbárica em 2012, realizado na cidade de São Paulo pela Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica, que tem duração de 3 dias. Juntamente com a hiperbárica, fui me aperfeiçoando nos curativos complexos. Atualmente em conjunto com o IOHB, temos uma unidade da Cicatrimed que é uma franquia de tratamento de feridas que possui todas as coberturas especiais. Sabemos que a hiperbárica sozinha não faz milagre, para uma cicatrização de uma lesão, precisamos de todo o acompanhamento da ferida.

          Os pacientes que tratam no nosso serviço são de maioria idosos com lesões do tipo pé diabético e úlceras venosas, mas também atendemos pacientes com lesões actínicas de mucosas, osteorradionecrose, que não necessitam de curativos. Todo o serviço de medicina hiperbárica precisa ter um médico responsável, uma enfermeira e técnicos de enfermagem. No meu serviço coordeno uma equipe de 3 técnicos de enfermagem que prestam atendimento de enfermagem geral desde buscar o paciente, ajudar na troca de roupas, realização de sinais vitais e curativos, limpeza dos materiais da hiperbárica e atuam como guia interno e externo da câmara hiperbárica. Como os pacientes fazem acompanhamento diário e troca dos curativos conforme a cobertura utilizada a necessidade de ter o acompanhamento frequente é o ideal.

Quando veio a pandemia da COVID-19, a clínica teve que fechar o serviço por 14 dias já que não éramos serviço de urgência, ficando os pacientes desassistidos durante esse período. Foi muito difícil interromper as sessões, pois tínhamos pacientes com lesões actícinas que já haviam parado de sangram e tiveram piora após a parada da oxigenoterapia. Para as orientações dos curativos, fomos orientando via telefone qual produto utilizar naquele momento da lesão. Sabemos que para cada tipo de leito da ferida e quantidade de secreção utilizamos uma cobertura diferente, por isso a importância do acompanhamento por um profissional experiente e que entenda do assunto.

          Quando retornamos ao trabalho, tivemos que nos adaptar com o novo protocolo de tratamento que era no máximo 6 pacientes por vez dentro da câmara, respeitando o distanciamento de 1 metro. Em tempos normais, a câmara hiperbárica trata 09 pacientes ao mesmo tempo. Tivemos dificuldade de convencer os pacientes a retornar ao tratamento, consecutivamente tivemos um prejuízo grande com essa redução no número de pacientes tratados a cada 90 minutos. O número de consultas médicas em busca do serviço também reduziu bastante. Com o passar dos meses, os pacientes começaram a retornar e procurar novamente o tratamento para suas feridas. Tratamos muitos casos de PO de cirurgia plástica, devido ao sofrimento isquêmico que pode acontecer, como houve redução desses procedimentos nos hospitais, acabou refletindo na quantidade de pacientes tratados na hiperbárica. Atualmente a câmara hiperbárica possui divisórias de acrílico, possibilitando colocar até 8 pacientes em cada sessão. Os acompanhantes não ficam mais na sala de espera e as consultas tem intervalo a cada 1 hora para não haver aglomeração de pessoas no serviço. Todos os funcionários da clínica já foram vacinados, utilizando máscara o dia todo. Ofertamos álcool gel em todos os ambientes da clínica. Tivemos um treinamento sobre a COVID-19 com a equipe no início da pandemia e tentamos nos manter sempre atualizados, mesmo não sendo linha de frente, damos muita orientação para todos os pacientes por sermos profissionais da saúde.

         As lesões por pressão tiveram um aumento de tratamento no nosso serviço, todas devido internação prolongada na UTI. O diferencial dessas lesões, são que vieram mais profundas e maiores do que normalmente tratamos. Levando em torno de 2 meses para a cicatrização completa.

Hoje, continuamos na luta contra a COVID-19, trabalhando com muito receio, mas com todos os cuidados para mantermos nosso serviço aberto e principalmente para conseguir manter o tratamento das feridas e das demais doenças que a oxigenoterapia trata.

Como citar:

PADILHA, A.Z. Enfermeira no cuidado de feridas com oxigenoterapia hiperbárica e curativos complexos. Blog LEVi@enf2021(viewed 18Maio2021) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/debora-padilha/#page-content