
Publicado em 21 de novembro de 2022.
Anualmente, nascem no mundo, cerca de 30 milhões de bebês prematuros ou com baixo peso, segundo relatório lançado por coalizão global que inclui Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) e Organização Mundial da Saúde (OMS)¹.
A prematuridade é a segunda principal causa de morte de crianças menores de cinco anos. No Brasil, conforme DataSUS, em 2020 nasceram 307.380 crianças com idade gestacional entre 22 e 36 semanas de gestação².
De acordo com o relatório, quase 68% das mortes de recém-nascidos poderiam ser evitadas até 2030 com soluções simples, como a amamentação exclusiva, o contato corporal entre a mãe/pai e o bebê, medicamentos e equipamentos essenciais e acesso a instalações de saúde limpas e bem equipadas, com profissionais qualificados¹.
A mãe prematura vive um puerpério repleto de incertezas e sentimentos que estão fora de seu controle³.
O sonho de horas felizes junto do recém-nascido dá lugar a realidade da constante preocupação. Existe um estado de limbo da maternidade onde há o sentimento de incapacidade de cuidar de seu filho dentro ou fora do seu corpo³.
Onde o pensamento de dúvida da capacidade de amamentar exclusivamente está inserido no meio de tantos outros pensamentos tristes e ruins. E é neste cenário, que a amamentação precisa ser inserida de forma quase que compulsória na rotina desta mulher³.

A ciência mostra que a produção de leite materno depende dos estímulos nervosos gerados pela sucção do bebê no complexo areolo-mamilar da mãe. Estes estímulos são conduzidos até a hipófise que libera prolactina e ocitocina para, respectivamente, produzir e liberar a secreção da glândula mamária, mais conhecida como leite materno, para o recém nascido ingerir¹,⁴.
Como os bebês prematuros, em sua grande maioria, principalmente os prematuros extremos, não tem a possibilidade de sugar ao seio logo após o nascimento, este estímulo na mama não acontece¹,⁴.
Sendo assim, a puérpera precisa estimular suas mamas de forma manual ou mecânica. Estudos evidenciam que quanto mais tardio for o início deste estímulo, piores serão os desfechos relativos à amamentação e produção de leite materno¹,⁴.

Em 2015, um estudo foi publicado identificando que iniciar a estimulação das mamas na 1ª hora após o parto aumentaria o volume de leite esgotado no 7º dia pós-parto e garantiria uma produção adequada de leite materno para aleitamento exclusivo na alta do bebê quando comparado com o início da estimulação entre 2-6 horas após o nascimento⁵. Os mesmos autores, em 2020, chegaram numa conclusão diferente da anterior. Neste novo estudo, afirmaram que o início do esgote entre 3 a 6 horas após o parto mostrou-se mais efetivo na produção de leite humano em 6 semanas quando comparado com o início da estimulação dentro da 1ª hora⁶.
Na prática, o que se observa na 1ª hora após o nascimento de um bebê prematuro é uma mãe preocupada e ansiosa, onde poucas tiveram a oportunidade de ver seu filho, tornando o momento menos propício para uma neurotransmissão hormonal efetiva. Entre a 2ª e a 6ª pós-parto, essa puérpera já conseguiu ter a oportunidade de ver seu bebê ou de receber notícias de seu estado de saúde, o que gera uma motivação para o início da estimulação das mamas.
Sabe-se que o método utilizado para esgotar a mama não interfere na produção, seja por ordenha manual, esgotadeira manual ou esgotadeira elétrica. O que realmente interfere na produção é a frequência com que a estimulação e o esgote é realizado. A mãe que tem seu bebê internado precisa estimular/esgotar suas mamas simulando a frequência com que seu bebê fosse mamar⁷.
Um instrumento de auxílio para as nutrizes é o diário de esgote. Um formulário onde elas próprias anotam o horário e o volume que esgotaram, assim torna mais palpável sua dedicação⁷.
Estudos mostram que as mães que ao final da 2ª semana de vida do bebê atingiram um volume de esgote de 500ml/dia, tinham 3 vezes mais chances de amamentar na alta hospitalar⁷.




Neste início de caminhada, a equipe multiprofissional precisa estar capacitada a acolher e orientar essa família. É a peça chave neste momento. É a origem de toda informação e de estratégias para o início e manutenção da lactação³,⁷,⁸.
Segurança e empatia são fundamentais para que a mãe se sinta segura do caminho que será trilhado no decorrer da internação de seu filho³,⁷,⁸.
SHUCK,D.S; RIBEIRO, E.P.; RIMOLO, M.L.; SOARES, T.; Esgote Precoce: repercussão no futuro da amamentação do prematuro. Blog LEVi@enf2022(viewed Novembro 2022) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/esgote-precoce/
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