Método Canguru

Publicado em 28 de novembro de 2022.

Onde surgiu o Método Mãe Canguru?

        O Método Mãe-Canguru (MMC) foi criado em 1978 pelo dr. Edgar Rey Sanabria, no Instituto Materno-Infantil (IMI) de Bogotá, na Colômbia. O método consistia em colocar o bebê entre os seios maternos, em contato pele a pele, na posição supina (postura preventiva para refluxo gastroesofágico e aspiração pulmonar). Desta forma, mantendo-se aquecidos com o calor do corpo de sua mãe, os bebês poderiam sair mais cedo da incubadora e, consequentemente, ir mais cedo para casa, minimizando um grave problema da época: superlotação e infecção.6

       Além dessas vantagens, observou-se, desde o início, que o contato pele a pele precoce e duradouro entre a mãe e o seu filho também favorecia a formação de vínculos afetivos e um melhor desenvolvimento do bebê, o que despertou interesse do Unicef por pesquisas e observações desta nova prática.6

E no Brasil, como iniciou e suas Portarias?

       Em 1997 iniciou o Projeto Enfermaria Canguru em Recife no Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP). Durante três décadas as portarias foram estudadas e analisadas cientificamente, tendo modificações em suas estratégias e políticas para melhor atender a família e recém-nascido. 6

Então, o que é o Método Canguru?

       O Método Canguru – Atenção Humanizada ao Recém-nascido (MC) é uma política nacional de saúde que integra um conjunto de ações voltadas para a qualificação do cuidado ao recém‑nascido (RN) e sua família. 3,4

       O MC é baseado em cinco pilares que englobam todo atendimento desta família e do neonato durante sua internação e após alta.

O Método Canguru é mais abrangente que a Posição Canguru.

Muitas vezes o bebê ainda não tem estabilidade clínica para poder ser colocado em posição canguru, mas as ações que envolvem o método já foram iniciadas através do acolhimento à família, da construção de rede social e da atenção individualizada ao bebê.6

Foto autorizada do acervo das autoras.

O que é posição canguru?

       A posição canguru consiste em colocar o RN somente de fraldas em contato pele a pele, na posição vertical e em prona, junto ao peito da mãe ou do pai.3

       O MC compreende 3 etapas nas quais a equipe de profissionais da Unidade Neonatal (UN) deve estar preparada para oferecer um atendimento de Saúde qualificado, observando a individualidade de cada criança e de sua história familiar.

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1ª Etapa: Inicia no período gestacional, sendo abordado no pré natal oferecendo informações sobre cuidados de saúde específicos e humanizados e sobre o MC. Gestantes de alto risco devem ser bem acompanhadas pela possibilidade de parto prematuro, onde há uma necessidade de internação hospitalar esta etapa continuará na unidade de internação e centro obstétrico. Após o nascimento, tanto o prematuro ou a termo, terão o acompanhamento do Método Canguru, e estarão na 1ª etapa, sendo a internação do RN na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN) ou na Unidade de Cuidados Intermediários Convencional (UCINCo).

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      Nesse momento, a preocupação maior é facilitar a aproximação da família com o RN, diminuindo prováveis riscos quanto ao processo de interação e à formação do vínculo entre os pais e a criança. Nesta etapa, recomenda‑se a posição canguru o mais precoce possível e a participação da dupla parental na rotina de cuidados neonatais.3,4

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2ª Etapa:  A segunda etapa ocorre na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru (UCINCa) onde a mãe, apoiada e orientada pela equipe de Saúde, assume a maior parte dos cuidados com seu filho. São ainda objetivos dessa etapa a continuidade do aleitamento materno, esclarecer as dúvidas em relação ao RN e praticar a posição canguru, que deve ser realizada pelo maior tempo possível. Este período funciona como um “estágio” pré-alta hospitalar, no qual é importante que se acompanhe a evolução clínica e o ganho de peso diário do bebê. A mãe é convidada a permanecer de forma contínua (24h) ao lado do filho, com acomodação tanto para o seu repouso quanto para sua permanência com o bebê em posição canguru (cama, banheiro, alimentação).3,4

Foto google de acesso livre.
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3ª Etapa: Inicia‑se com a alta hospitalar e envolve o cuidado com o recém‑nascido e sua família no espaço extra hospitalar e se caracteriza pelo acompanhamento da criança e da família no ambulatório do hospital e/ou no domicílio até que o bebê atinja o peso de 2.500g. Nesta etapa, o acompanhamento acontece com a parceria entre a maternidade de origem e a Unidade Básica de Saúde (UBS), com o objetivo de acompanhar as primeiras semanas da criança, em seu domicílio. Para isto é organizada uma agenda de visitas domiciliares, consultas hospitalares e atendimento na UBS mais próxima da residência, além de orientações quanto aos cuidados especializados, finalizando no seguimento ambulatorial. 3,4

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Todos os RN´s são candidatos a participar do MC. É importante que suas mães, pais ou outro familiar tenha possibilidade de permanecer a maior parte do tempo junto ao bebê.

      Responsabilidades da UN: controle de ruído, controle de iluminação, climatização, iluminação natural se possível, garantia de livre acesso aos pais e permanência da mãe ou do pai, garantia de visitas programadas dos familiares e garantia de informações da evolução dos pacientes aos familiares, pela equipe médica, diariamente.1,3,4

O MC contribui para a promoção de mudança institucional na busca de atenção à saúde centrada na humanização e no princípio de cidadania da família, permitindo uma maior participação dos pais e da família nos cuidados neonatais, bem como promove o aleitamento materno. Inclui também a preocupação com a saúde integral dessa equipe no desempenho de suas funções e com o ambiente hospitalar, abordando o acolhimento e a segurança nos cuidados neonatais, que devem ser adequados a cada momento evolutivo do RN.4

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria no 930, de 10 de maio de 2012. Define as diretrizes e objetivos para a organização da atenção integral e humanizada ao recém-nascido grave ou potencialmente grave e os critérios de classificação e habilitação de leitos de Unidade Neonatal no âmbito do SUS. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt0930_10_05_2012.html
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria no 1.683, de 12 de julho de 2007. Aprova, em forma de anexo, as Normas de Orientação para a Implantação do Método Canguru. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2007/prt1683_12_07_2007.html
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: Método Canguru – Manual Técnico. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção a Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 2. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2011. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/metodo_canguru_manual_tecnico_2ed.pdf
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Método canguru : diretrizes do cuidado – 1ª ed. revisada – [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2018. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_humanizada_metodo_canguru_manual_3ed.pdf
  5. Gontijo, T L; Xavier, C. C.; Freitas, M. I. Avaliação da implantação do Método Canguru por gestores, profissionais e mães de recém-nascidos. Cad. Saúde Pública, vol.28, nº. 5, Rio de Janeiro. Maio/2012. https://www.scielo.br/j/csp/a/wzB7BRcRgV5RC5Lnc4fTcBP/?format=pdf&lang=pt
  6. Lamy, Z. C.; Gomes, M. A. de S. M.; Gianini, N. O. M.; Hennig, M. de A e S. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso Método Canguru: a proposta brasileira. Csc/2005.v10n3/659-668https://www.scielosp.org/article/csc/2005.v10n3/659-668/
  7. Fotos google imagem com acesso liberado, 2022.

COMO CITAR:

SOARES, T.; SCHUCK, D.S.; RIBEIRO,E.P.; RIMOLO, M. O método canguru e  sua importância nas unidades neonatais. Blog LEVi@enf2022(viewed Novembro 2022) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/metodo-canguru/