Policiais Civis

Publicado em 22 de novembro de 2022.

        O trabalho da polícia geral está associado a diversos riscos e perigos, que tem potencial de prejudicar a saúde física e mental desses trabalhadores¹. A vista disso, as atribuições laborais dos policiais civis irão provocar um nível de estresse mais elevado quando comparado com outras categorias profissionais². 
        Desta forma, esses trabalhadores dispõem de compromisso em auxiliar na manutenção da ordem pública, abrangendo a segurança e a  roteção adequada dos indivíduos na nossa sociedade3-4. A exposição ao estresse no serviço de forma prolongada está ligada a uma diversidade de resultados negativos que irão ameaçar a saúde, incluindo saúde física, psicológica e psicossocial5.
       Por se tratar de uma categoria essencial, que necessita trabalhar 24 horas por dia, a divisão do trabalho acontece por turnos, configurando uma das maiores fontes de estresse referente ao ofício do policial, pois compreende turnos diurnos, noturnos e/ou turnos com longa duração, além de haver também a rotação entre turnos, sendo fixos ou irregulares6.
       Adicionalmente, a profissão do policial engloba diversas funções, e inclui responsabilidades com uma grande interação interpessoal com incontáveis indivíduos, sendo eles infratores da lei, vítimas e testemunhas. Consequentemente, essa interação interpessoal é conceituada como um fator estressante inerente à ocupação policial4.

       Nesse sentido, evidencia-se que os policiais demonstram o sofrimento de patologias ocasionadas pelo estresse em uma proporção mais elevada do que a população em geral7. De acordo com Queirós et al. (2020), a conexão entre burnout, estresse ocupacional e coping sugere que esses três fatores afetam as tarefas de policiamento e a saúde mental desses profissionais. A partir do sofrimento psíquico experimentado pelos policiais nas suas organizações ocorre a produção de problemas, que exercem responsabilidade acerca de parte dos afastamentos do trabalho, assim como dos adoecimentos8.

Em se tratando do estresse no trabalho da polícia, existem duas classificações:
estresse operacional e organizacional.

        Instalações com inadequações, déficit de uniformes e equipamentos ofertados para o desempenho do trabalho9, somados a condições de trabalho inseguras e comprometimento com a segurança pública com altos índices de criminalidade comprovam a realização de grandes esforços por parte desses trabalhadores, que infelizmente estão associados a baixas recompensas, podendo ocasionar a situação de estresse psicossocial2 e interferir negativamente na qualidade de vida.
        Ao analisar todas essas questões ligadas ao trabalho dos policiais civis, é importante compreender sobre o que envolve o termo Qualidade de Vida (QV). A QV, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é compreendida como ‘’a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.
        A QV de todos os cidadãos está associada de forma muito significativa à sua respectiva atividade laboral, já que ao longo do dia todos passam muitas horas nesse ambiente com seus colegas de trabalho. Dessa forma, nota-se a importância da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e os comportamentos aprendidos nesse cenário, que também fazem parte dos parâmetros da QV, já que é compreendido que não existe a possibilidade de desassociar o profissional do seu ambiente de trabalho10.
        O ambiente de trabalho e suas condições gerais são de extrema importância para uma grande parte da população, independentemente da sua cultura4. O entendimento do profissional sobre a QVT está relacionado a um excesso de atividades realizadas no ambiente laboral. Durante muito tempo a QVT remetia apenas a questões salariais, contudo, já se sabe hoje que ela dispõe também acerca das condições internas de trabalho, como a organização, assim como a remuneração satisfatória, boa gestão e competência interpessoal, permanência no emprego, progressão de carreira e um clima agradável no ambiente de prática profissional10.

É possível que a QVT seja um campo de promoção da saúde. Maior que uma ferramenta administrativa ou uma habilidade para aprimorar a produtividade na instituição de trabalho, melhores condições de QVT impactam de forma positiva no bem estar dos profissionais, trazendo mais saúde à vida dos trabalhadores11.

           Em razão de problemas cardiovasculares, os policiais obtiveram médias mais baixas no domínio físico de qualidade de vida, já que 16% dos 237 policiais civis detinham o diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica12. Dores nas costas, pescoço e coluna são distúrbios osteomusculares encontrados em muitos policiais civis, da mesma forma que distúrbios digestivos como gastrite crônica e desconforto por indigestão. Essas patologias são consequências da combinação entre o estilo de vida desses profissionais e dos estressores ocupacionais13.
        Referente a qualidade de vida dos policiais, foi observado resultados de médias mais elevadas no domínio físico, que estava diretamente relacionado com a ausência de um segundo emprego, e relacionado de forma inversa ao sono, circunferência abdominal e peso, propondo que um encargo maior de atividades laborais prejudica a qualidade de vida dos policiais, proporcionando menor tempo para o descanso, para a prática de atividades físicas e também para a atenção com sua própria saúde2.
        A satisfação no trabalho é analisada como um indicador de bem estar ocupacional e de saúde14. Está associada diretamente a políticas práticas gerenciais da organização policial15. Sendo assim, a insatisfação com o ofício eleva as possibilidades da evolução do adoecimento mental16. Assegurar um âmbito de trabalho otimista para os policiais pode ampliar a satisfação no trabalho, o que pode trazer vantagens para a saúde e a qualidade de vida desses trabalhadores1.

Referências

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2. Tavares JP, Vieira LS, Pai DD, Souza SBC de, Ceccon RF, Machado W de L. Rede de correlações entre qualidade de vida, resiliência e desequilíbrio esforço-recompensa em policiais militares. Ciênc saúde coletiva [Internet]. maio de 2021 [citado 3 de novembro de 2022];26(5):1931–40. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232021000501931&tlng=pt

3. Portal do estado do rio grande do sul [Internet]. Portal do Estado do Rio Grande do Sul. [citado 3 de novembro de 2022]. Disponível em: https://estado.rs.gov.br/inicial

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6. PETERSON SA, WOLKOW AP; LOCKLEY SW; et al . Associações entre características de trabalho em turnos, turnos de trabalho, sono e burnout em policiais norte-americanos: um estudo transversal. BMJ Open , v. 9, n. 11, pág. e030302, 2019.

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COMO CITAR:

DAVI, R.L.; PAIXÃO, M.L.D.S.; GONÇALVES, G.F.; TAVARES, J.P.;DAL PAI, D. O trabalho do spoliciais civis e sua qualidade de vida. Blog LEVi@enf2022(viewed Novembro 2022) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/policiais-civis/