
Publicado em 07 de dezembro de 2022.
O trauma pode ser definido como evento nocivo que ocasiona liberação de formas específicas de energia física ou quando ocorre uma quebra no fluxo normal de energia. Existem diversas possíveis causas de trauma, que vão desde colisão de veículo, ferimentos diversos como: arma branca ou de fogo, objetos perfuro-cortantes, suicídio, afogamentos, queimaduras, entre outros, nos quais a transferência de energia para a vítima seria o fator comum entre eles¹.
Para o atendimento de trauma no contexto extra-hospitalar, os serviços de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) proporcionam o atendimento à vítima e o transporte especializado², no qual é realizado o atendimento inicial, com a realização da avaliação primária, seguido pela estabilização e transporte para centros de referências adequados³.
Destaca-se que a avaliação primária do trauma, por meio do mnemônico “XABCDE”, é realizada tanto para pacientes adultos como para pacientes pediátricos vítimas de trauma. Entretanto, quando o atendimento é realizado a crianças, deve-se realizar algumas adaptações tendo em vista as especificidades de cada faixa etária.

Os itens que compõem o mnemônico “XABCDE” consistem em: “X” (controle de hemorragia exsanguinante); A (airways) vias aéreas com controle da coluna cervical; B (breathing) respiração e ventilação; C (circulation) circulação com controle da hemorragia; D (disability) estado neurológico; E (exposure) exposição e controle da temperatura¹.
O socorrista deve buscar identificar se o paciente vítima de trauma possui algum sangramento grave (hemorragia exsanguinante), portanto, o X, que está relacionado ao controle do risco de vida, como primeiro passo da sequência, dando ênfase ao controle rápido do sangramento que é um dos mais importantes objetivos nos cuidados de um paciente traumatizado4.
A vítima pediátrica apresenta diferenças anatômicas quando comparadas ao adulto, o que pode dificultar a manutenção da permeabilidade das vias aéreas e a intubação traqueal. As vias aéreas são facilmente obstruídas por sangue, muco e fragmentos de dente, e devem ser limpas e aspiradas¹.
Caso a criança necessite de via aérea avançada, esta deve ser posicionada de maneira a facilitar a visualização e manter a via aérea permeável (Figura 1).
Figura 1. Posicionamento correto (“Sniffing position”)


A proteção da coluna cervical pode ser difícil na criança vítima de politraumatismo, e esta deve ser realizada com colares cervicais compatíveis com a faixa etária e estrutura física do paciente.
A frequência respiratória deve ser o que é preconizado para a sua faixa etária, e a ventilação e oxigenação devem ser avaliadas, analisando a expansão e a ausência de cianose. Caso a respiração espontânea não seja capaz de instituir uma perfusão adequada, deve-se iniciar a ventilação assistida com bolsa-válvula-máscara para oferecer oxigênio a 100%.

Neste item, deve-se assegurar que a hemorragia externa grave está controlada e localizar toda e qualquer hemorragia presente na vítima, analisando rapidamente a relação entre o débito cardíaco e à perfusão do paciente, sendo os principais parâmetros dessa análise, a frequência do pulso e o enchimento capilar¹
Deve-se obter um acesso vascular, de grosso calibre, a fim de garantir uma via de administração de reposição volêmica. Caso não seja possível obter uma via venosa, a via intra-óssea é indicada.
O socorrista deve atentar para o fato de que o paciente pediátrico pode estar apresentando níveis pressóricos inalterados, e mesmo assim, estar apresentando sangramento. Lembre-se de que não existe hipotensão permissiva em pacientes pediátricos vítimas de trauma.
No item de avaliação do estado neurológico, pode-se usar escalas adaptadas para a avaliação de pacientes pediátricos. O socorrista deve realizar a simetria e fotorreagência das pupilas.

A exposição da vítima é fundamental para que o socorrista possa identificar possíveis lesões, com a avaliação de todos os segmentos corpóreos. Todavia, deve-se atentar para o risco de hipotermia em pacientes pediátricos, pois a queda da temperatura leva ao aumento do consume do oxigênio e vasoconstrição periferica¹.

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de atenção à reabilitação da pessoa com acidente vascular cerebral. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Secretaria de Atenção à Saúde (Departamento de Ações Programáticas Estratégicas)
2. Ozpinar A, Weiner GM, Ducruet AF. Epidemiology, clinical presentation, diagnostic evaluation, and prognosis of spinal arteriovenous malformations. Handb Clin Neurol. 2017;143:145-152. doi:
10.1016/B978-0-444-63640-9.00014-X
3. Longen, M. et al. – Malformação arteriovenosa cerebral – Um relato de caso. Boletim Científico de Pediatria – Vol. 8, N° 1, 2020.
4. Soares AT, Reis F, Calhau P. Diagnóstico de Malformação Arteriovenosa Cerebral após Traumatismo Craniano. Acta Pediatr Port 2016;47:376-7
5. Ala, VH. Embolização é alternativa mais moderna para tratar malformações arteriovenosas cerebrais. Rede de Hospitais Santa Lúcia, 2019.
6. Yeo, L. et al. Malformação arteriovenosa cerebral. BMJ Publishing Group 2022, ISSN 2515-9615
7. BRASIL. Ministério da Saúde. Agenda de Compromissos para a Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Secretaria de Atenção à Saúde (Departamento de Ações Programáticas Estratégicas)
8. BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção clínica de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Cadernos de Atenção Básica, n. 14 (Série A. Normas e Manuais Técnicos)
TORRES, G.K.M.S. AVC hemorrágico por MAV em crianças – assistência multiprofissional. Blog LEVi@enf2022(viewed Novembro 2022) Avaliable from: https://www.ufrgs.br/levi/avc-hemorragico/
© 2026 LEVi. Built using WordPress and OnePage Express Theme.