DIABETES E DOENÇA HEPÁTICA

3 junho, 2021    tags:

Quando o assunto é as complicações que o diabetes pode trazer aos diferentes órgãos do nosso corpo, surge o questionamento: existe alguma relação entre o diabetes e a doença hepática?

 

A resposta é sim! E de qual doença hepática estamos falando especificamente? Da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). O nome é extenso e, à primeira vista, parece difícil de ser compreendido, mas, simplificando: temos o acúmulo de gordura no fígado causado pelo consumo de álcool e o acúmulo de gordura no fígado causado por outros fatores. Nessas duas situações, pode haver evolução para hepatite, cirrose e câncer hepático. Quando falamos em DHGNA, estamos nos referindo ao acúmulo de gordura no tecido hepático decorrente de outros fatores, como a resistência à insulina. E é aqui que a diabetes entra na história, especialmente a diabetes mellitus tipo 2 (DM2).

 

A DM 2 é consequência do aumento da resistência periférica à insulina, ou seja, embora o pâncreas siga produzindo insulina, as células dos diferentes tecidos do organismo deixam de ser sensíveis à insulina. O resultado disso é que a insulina não consegue exercer sua função de estimular a entrada de glicose nas células e, consequentemente, a concentração de glicose no sangue se eleva.

 

O aumento do nível de glicose no sangue gera elevação nos níveis sanguíneos de ácidos graxos, um tipo de molécula de gordura. Os ácidos graxos, por meio da circulação no sangue, se deslocam até o fígado, onde serão convertidos em triglicerídeos, um outro tipo de gordura que será acumulado no fígado. O progressivo acúmulo de triglicerídeos no fígado poderá originar a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que também pode ser denominada esteatose hepática. Com o passar do tempo a esteatose pode evoluir para esteatohepatite. Esta última é o processo em que a gordura acumulada no fígado começa a gerar inflamação no tecido hepático, levando à danificação e morte das células hepáticas. A cirrose é o estágio posterior à esteato hepatite e representa a formação de cicatrizes nas regiões danificadas do tecido hepático. Por fim, quando uma porção do fígado cicatriza, ela deixa de funcionar.

 

Agora que já entendemos a cascata de eventos que relacionam o diabetes e a doença hepática, é importante reforçar a relevância da associação entre elas: estima-se que de 65 a 70% das pessoas com diabetes têm DHGNA. Em relação à forma mais avançada da DHGNA, que é a esteatohepatite, ela aparece em 25 a 30% dos pacientes com diabetes. Enquanto isso, na população sem diabetes, apenas 12% das pessoas têm esteatohepatite.

 

Mas, é possível evitar a DHGNA? Sim! Em primeiro lugar, é essencial manter  o tratamento adequado da diabetes, a fim de manter a glicemia controlada. Além disso, a DHGNA está fortemente associada à obesidade e, por isso, a manutenção de uma dieta saudável e a prática de atividade física são também primordiais para evitar o desenvolvimento e a progressão dessa doença.

 

Shanna Luiza de Castro

Betina Nemetz

Mateus Augusto dos Reis

Beatriz D. Schaan

 

NICHOLS, Gregory A. NASH in Diabetes: New Therapies on the Horizon. MedScape. 2019. Disponível em <https://www.medscape.com/viewarticle/920003>. Acesso em: 31 mai 2021.

 

The Connection Between NASH and Diabetes. My Health Teams. 2019. Disponível em <https://www.myhealthteams.com/the-connection-between-nash-and-diabetes/>. Acesso em: 31 mai 2021.