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Disciplina PROPUR ::: Gênero, Raça e Colonialidade: pistas para outras epistemologias nos estudos urbanos (2020)

No ano de 2020, a professora Profa. Dra. Diana Helene (UFAL) em conjunto com a Profa. Dra. Daniele Caron ofereceram uma disciplina de encontros virtuais no Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional. O objetivo do curso foi debater como as relações heteropatriarcais, coloniais, racializantes e capitalistas se relacionam com os estudos das cidades e os processos de planejamento. Através de uma bibliografia feminista de crítica às formas de colonialidade, foram abordadas as interseções entre gênero, sexualidade, raça, etnia e classe e suas implicação na produção do conhecimento científico e na construção de outras objetividades, trazendo atenção para as reivindicação de outros lugar de fala e o engajamento junto a saberes às margens dos estudos urbanos para pensar mundos porvir.

  Autores: Bruna Tavares, Cristiane Veeck, Douglas Silveira Martini, Gabrielle Oliveira de Araújo e Leonardo Sassi

Bibliografias dos encontros

AKOTIRENE, Carla. O que é interseccionalidade? Belo Horizonte: Letramento: Justificando, 2018.

ALVES, Ana E. S.. “Divisão sexual do trabalho: a separação da produção do espaço reprodutivo da família”. Trab. educ. saúde [online]. 2013, vol.11, n.2, pp.271-289. Mimeo: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-

77462013000200002&lng=en&nrm=iso

COLLINS, Patricia Hill. “Aprendendo com a outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro”. In: Soc. estado. [online]. 2016, vol.31, n.1, pp.99-127. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69922016000100006

DAVIS, Angela. Mulheres, classe e raça. Introdução. Boitempo, 2016. Disponível também em (versão traduzida em portugal): https://we.riseup.net/radfem/mulheres-ra%C3%A7a-e-classe angela-davis+223460

EVARISTO, Conceição. “Vozes-Mulheres”. In: EVARISTO, Conceição. Poemas de recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Editora Nandyala, 2008 p. 10-11.

FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Editora Elefante, 2017: Introdução (pp. 23); parte do Capítulo 2 (pp. 167 a 234); e parte do Capítulo 5 (pp. 380 a 407).

GONZALEZ, Lélia. “Racismo e sexismo na cultura brasileira”. In: SILVA, L. A. et al. Movimentos sociais urbanos, minorias e outros estudos. Ciências Sociais Hoje, Brasília, ANPOCS n. 2, p. 223- 244, 1983.

HALL, Stuart. “O OCIDENTE E O RESTO: DISCURSO E PODER (“The West and the Rest; Discourse and Power”. Modernity: An Introduction to Modern Societies. Cambridge: Blackwell Publishing, 1996. pp. 201-277). Tradução CARLA D’ELIA. In: Projeto História, São Paulo, n. 56, pp. 314-361, Mai.-Ago. 2016.

HARAWAY, Donna. “Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial”. Cadernos Pagu, n. 5, p. 7-41, 2009. Mimeo https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773

HELENE, Diana. “Gênero e direito à cidade a partir da luta dos movimentos de moradia”. Cad. Metrop., São Paulo , v. 21, n. 46, p. 951-974, Dec. 2019.

KERGOAT, Danièle. “Divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo. In: EMÍLIO, Marli; et al (orgs.)”. Trabalho e cidadania ativa para as mulheres: desafios para as políticas públicas. São Paulo: Coordenadoria Especial da Mulher, 2003. p.55-63.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano. Ed. Cobogó, 2019. p. 27-92.

LANDER, Edgardo. “Ciências sociais: saberes coloniais e eurocêntricos’ In: A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Edgardo Lander (org). CLACSO, Buenos Aires, 2005.

LUGONES, Maria. “Colonialidad y género”. Tabula Rasa. Bogotá – Colombia, No.9: 73-101, julio diciembre 2008. ISSN 1794-2489 (espanhol).

MATOS, Gabriela de (org.) Arquitetas Negras – Vol. 1. Manifesto. Belo Horizonte, 2019.

MUXI, Zaida. Mujeres, casas y ciudades – Más allá del umbral. DPR – Barcelona, 2018.

PEREIRA, Gabriela Leandro. “O exercício de atravessar a cidade pela narrativa de Carolina Maria de Jesus”. In Anais do XVI Encontro Nacional de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional: Espaço, Planejamento e Insurgência. Belo Horizonte, 2015. disponível em: https://drive.google.com/file/d/0B6PPvPmtA9OpSjJZYjhRNk1Tem8/view

PÓLIS, Instituto. Recortes de uma cidade por vir. Edição e organização Cássia Caneco [et al.]. – São Paulo: Instituto Pólis, 2020. p. 22 -33, 73 – 85, 170 – 182, 212 – 218.

RATTS, Alex. Eu sou atlântica – sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. Instituto Kuanza, São Paulo, 2006. (pgs 51-60 e 109 a 125).

RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Letramento, 2017.

SCHIENBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência?. Bauru, SP: EDUSC, 2001. (“Introdução” pgs.:19-39; e “Medicina”, pgs.: 205-239)

SHIVA, Vandana. Abrazar la vida. Mujer, ecología y desarrollo. Cuadernos Inacabados, n. 18, 1995. (espanhol)

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. (2010). Pode o Subalterno Falar? Belo Horizonte: Editora UFMG.

STOLKE, Verena. “O enigma das interseções: classe, “raça”, sexo, sexualidade: a formação dos impérios transatlânticos do século XVI ao XIX”. In: Rev. Estud. Fem. [online]. 2006, vol.14, n.1 [cited 2017-04-24], pp.15-42.

VALDIVIA, Blanca. “Del urbanismo androcéntrico a la ciudad cuidadora”. In: Hábitat y Sociedad, n.o 11, noviembre de 2018, Universidad de Sevilla, pp. 65-84.

Ações, Narrativas a Margem, Reflexões, Seminários

Seminário 02 ::: DECOLONIAL (2020)

Decoloniais, descoloniais, pós-coloniais, anticoloniais. O segundo seminário de 2020 focou o debate da DECOLONIALIDADE e suas inter-relações com as narrativas urbanas, no que se refere às opressões e aos apagamentos históricos que configuram o mundo social de forma desigual, que originam processos de segregação espacial e produzem as cidades latino-americanas como espelhos deformados das cidades europeias.

 
O processo de descolonização implica primeiramente em desnaturalizar a construção histórica dos fundamentos civilizacionais latino-americanos e, a partir de referências locais não-eurocentradas, enfrentar o desafio de pensar o urbano, o território e a paisagem para além da realidade colonial que acompanha a história do continente.

 
Os textos de Grada Kilomba (2008), Aníbal Quijano (2005), Lélia Gonzalez (1988) e David Kopenawa (2016), pautaram as discussões do grupo nas questões interssecionais de marcadores como gênero, raça, classe e sexualidade que vem envolvendo as narrativas produzidas em ações de pesquisa, extensão e militância com algumas comunidades e movimentos sociais em Porto Alegre. Para o projeto de pesquisa atual, o seminário sobre decolonialidade também reforçou a potencia dos saberes afroindígenas na construção de comum nas cidades latino-americanas, colocando em questão os posicionamentos éticos e políticos das práticas codidianas de pesquisa.

Para acessar o pdf do pôster, clique aqui

Bibliografias

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2020.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Editora Cobogó, 2019.

KOPENAWA, Davi ; ALBERT, Bruce. A queda do céu: Palavras de um xamã yanomami. Brasil, Companhia das Letras, 2019.

QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. 2005. In. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005.

Ações, Narrativas a Margem, Seminários

Seminário 01 ::: COMUM (2020)

O primeiro seminário de 2020 teve como objetivo a abordagem de diferentes perspectivas do conceito de COMUM, considerando a assunção do público e do comum como alternativa redentora à produção urbana hegemônica da cidade.


A conjuntura de instabilidade política, econômica e social que assola o ocidente na contemporaneidade nos convoca a pensar a configuração da cidade a partir de uma lógica narrativa e ordinária de histórias cotidianas, narradas a partir de condições de vulnerabilidade e precariedade. Isso se verifica, por exemplo, no momento em que se amplia o direito à fala desses sujeitos, e são criadas plataformas de escuta nas quais outros sujeitos em condições parecidas são capazes de se reconhecer. Assim, a desnaturalização do modus operandi do planejamento urbano ocidental, faz emergir novos modos de subjetivação e abre caminho às práticas urbanas que recuperam o comum como racionalidade alternativa ao planejamento hegemônico.


As dinâmicas do seminário, que envolveram pequenas oficinas de discussão para cada autor e autora e um sarau de compartilhamento entre o grupo de pesquisa, trabalhou sobre textos de Dardot e Laval (2017), Peter Pal Pelbert (2019), Silvia Federici (2017) e Judith Butler (2018). Diferentes entradas e questões associadas ao COMUM foram colocadas em diálogo com as praticas narrativas e ativistas do grupo em ações de pesquisa e extensão com grupos e comunidades apartadas de direitos humanos e urbanos em Porto Alegre.


O tema do COMUM, já relevante em qualquer tempo, foi também importante como articulador de alternativas de mundo em uma época inicial de pandemia. Em meio ao desmantelamento do Estado e de políticas públicas, crise e social e econômica, e a força de um vírus desconhecido, as atividades do seminário abriram temas que podem agenciar argumentos sobre a dimensão pública e comum da paisagem urbana de Porto Alegre, objeto de pesquisa atualmente em desenvolvimento no grupo.

Bibliografias

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. Comum: ensaio sobre a revolução no século XXI. São Paulo: Editora Boitempo, 2017.

PELBART, Peter Pal. Ensaios do assombro: Biopolítica, necropolítica, subjetividade.  São Paulo: N-1 Edições, 2019

FEDERICI, Silvia. O feminismo e a política dos comuns. Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, p. 379-396, 2019.

BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.