Vinte famílias se unem para ocupar um imóvel vacante há anos. O imóvel consta como sendo de propriedade municipal. Essas famílias sofrem diversos tipos de violência ao constituir a ocupação: remoções, truculência, relegação ao frio cortante. E, pasmemos, as edificações são demolidas depois de haverem cumprido sua função social pela primeira vez em mais de uma década. Por ocasião do XXI Congresso Brasileiro de Arquitetos em 2019 os artistas Livia Koeche e Pedro Leggerini, com a colaboração da Ocupação Baronesa, do Assentamento 20 de Novembro, da Comunidade Bom Jesus, do Centro de Referência Afroindígena do RS e do Margem_Lab, propuseram uma instalação artística para visibilizar a violência do Estado experimentada pelas famílias da Ocupação Baronesa por meio de suas narrativas. A instalação se formalizou como um cubo branco feito de andaimes e tela de obra em torno de uma escultura de um famoso herói de guerra na Praça da Alfândega. Sobre as faces do cubo são projetadas montagens audiovisuais de relatos e testemunhos dos processos de remoção da Ocupação Baronesa e de outras famílias e coletivos em situações similares. Como uma ação subversiva, as narrativas das margens recobrem uma narrativa dominante. Com isso, questiona-se a oficialidade da história, tenciona-se a paisagem do status quo. Após o evento, a estrutura é desmontada. A figura branca, masculina e militar volta ao protagonismo.