Sobre Okupa Kalissa
é difícil descrever a okupa Kalissa, Khaliça, Khalissa, Kali. substantivo (feminino)?? que linguagem limitada é a nossa, não é?! mas isso aqui, definitivamente nunca será sobre “generismos” e bi-realidades. a Khali grita que não é nada inteligente fomentar consciências limitadas e afunilar, categorizar experiências. pois bem, Kaliça é sobre conjunto de resíduos de demolição. pó, fragmentos, diz o dicionário. o que significa denominar o território e o lugar de várias moradas, pela própria desestabilização de uma estrutura, de uma obra, de uma arquitetura e de um lugar? que lugar é esse que proclama o desfazer sócio-cultural e político da nossa própria sociedade?
falar sobre os sentimentos, sensações e vivências que evocam a Khali, não pode jamais ser contemplado pelo fazer científico tradicional, que frequentemente aprisiona e/ou apaga o saber situado. o poético, o coletivo, o sensível, o transitável, o mutável, o político, fazem mais (os) sentidos. vivenciar é mais simples do que dizer, ainda que muito complexo. não é só sobre um teto, sobre uma habitação coletiva, sobre o direito básico de se ter uma morada, como dizem as leis brasileiras nessa linguagem portuguesa limitada e limitante. Khalli é sobre o direito de existir. existir e resistir na mais completude do ser, do corpo e do espírito. é a expressão para além das velhas e problemáticas definições e hierarquias. é a luta e o performar da liberdade, que perfura as bordas do urbanismo tradicional patriarcal, homofóbico, transfóbico, sexista, racista, capacitista, elitista, higienista, egocêntrico, meritocrático, obsoleto.
enquanto Margem_lab, margeamos com a Okupa Kaliça buscando construir coletivamente uma escuta atenta às diferenças que constituem as nossas cidades. a cada encontro nos deparamos com novas barreiras a serem desconstruídas, novos significados a serem acolhidos, novos sentidos do habitar/existir que dá passagem à produção de um comum. ao cartografar a Khalissa nos colocamos permanentemente em confronto com nossos próprios saberes, avançamos um pouco mais na construção de um pesquisar-com.
após o mês do orgulho LGBTQIA+, que foi de uma especial sintonia com Kali, queremos expandir publicamente nosso afeto por todes os corpos e corpas, por todas trajetórias e pelas possibilidades incrivelmente admiráveis de se repercutir os fortíssimos ruídos da sinfonia catastrófica orquestrada pelo capitalismo. Com muito respeito e com muito carinho, queremos seguir reivindicando conjuntamente. aprendendo. criando. amadurecendo e repercutindo Kalissa’s no quanto pudermos.









