Barra de saia em renda tecida em processo industrial de renda química. Neste processo a renda é bordada sobre um suporte que posteriormente será dissolvido. Foi possível identificar apenas 1 fio em sua tessitura, sendo ele retorcido em 2 cabos, no sentido “S” (verificado conforme norma ABNT NBR 7031:2014). Provavelmente a renda foi tecida em algodão (Para identificação da fibra constituinte deve-se utilizar o método de ensaio ABNT NBR 13538:1995-análise em microscópio).
A renda tem um rapport que mede 3,8cm (comprimento) x 10cm (largura), composto por diversos motivos florais (flores e folhas) e formas orgânicas. A flor que ocupa a parte central do rapport apresenta leve relevo e foi construída com pontos fechados, assim como algumas folhas que estão posicionadas mais acima. Os motivos da parte central da renda possuem base de ligação com barras e espaços mais abertos. As formas orgânicas dispostas na parte superior da renda são diferentes da inferior, conferindo grande riqueza visual.
As bordas são diferentes, sendo a superior reta e com resquícios de outro material (tecido plano), levando a crer que esta renda já fez parte de alguma saia ou vestido. A borda inferior é ondulada, formando um “bico”.
A renda possui uma costura manual nas pontas resultando na forma circular característico de barra de saia ou vestido.
As primeiras máquinas que teciam esta renda surgiram no século XIX, tendo como destaque o equipamento Schiffli, inventado em 1865. De acordo com Earnshaw (2000, p. 134), neste processo é possível imitar quase todo tipo de renda existente de qualquer outra técnica e período.
**Não foram aplicados métodos destrutivos para identificação de data, titulagem dos fios e composição da matéria prima. As informações apresentadas foram obtidas a partir de pesquisas e observação do objeto.
Referências Bibliográficas:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13538:1995: material têxtil – análise qualitativa. Rio de Janeiro, 1995.
______. NBR 7031:2014: indicação do sentido da torção dos fios têxteis e produtos similares - procedimento. Rio de Janeiro, 1995
EARNSHAW, Pat. Bobbin & Needle lace – Identifications and Care. London: Batsford Craft Ltda, 1983.
________ . A Dictionary of lace. 3th ed. London: Shire Publications Ltd, 1988.
_____. The Identification of Lace. 3th. ed. London: Shire Publications Ltd, 2000.
FARREL, Jeremy. Identifying Handmade and Machine Lace. Victoria and Albert Museum and Museum of Costume and Textiles. 2007. Disponível em: <http://www.dressandtextilespecialists.org.uk/Lace%20Booklet.pdf>. Acesso em: 6 set. 2012.