Nota Pública
O Museu da UFRGS, direção e equipe, declara seu repúdio ao recente fechamento da exposição “Queermuseu – Cartografia da Diferença na Arte Brasileira” que estava em exibição no Santander Cultural desde 14 de agosto de 2017, após manifestações desrespeitosas de grupos com práticas antidemocráticas.
Acreditamos que as instituições museológicas e culturais são espaços educativos para o exercício do pensamento crítico e da reflexão, contribuindo para a formação e cidadania dos sujeitos. Por isso, ao decidir encerrar a visitação à exposição, inibe-se a possibilidade do debate e do livre pensamento.
A arte tem como um de seus objetivos provocar problematizações e não impor ideias e modos de pensar. Arte é criação e não somente a visualidade do objeto em exposição. Ela não é, pois, decoração. Apesar de parecer desconfortável deparar-se com certos retratos da humanidade, a arte reflete a existência humana. Gostar ou não de determinados formatos de expressão é saudável e um direito a ser defendido. Contudo, independentemente de concordar ou não com uma curadoria, artistas ou obras, não se pode admitir que grupos, com objetivos obscuros, determinem o que veremos, classifiquem o que é arte e fechem exposições antes do prazo pré-estabelecido.
Entendemos que exposições ou obras de arte individualmente não “incitam” a práticas ou modos de vida. Ao contrário, seu papel é permitir ao espectador a reflexão sobre o que está vendo e sua contextualização na sociedade. “Se arte tivesse tanto poder de convencer alguém a praticar algo, considerando todas as obras que mostram coisas belas, nós viveríamos no paraíso” (Ana Albani de Carvalho).
Nós, do Museu da UFRGS, reafirmamos nosso compromisso com a liberdade de expressão e de pensamento, com a autonomia das instituições e com o respeito à diversidade.