

O Museu da UFRGS busca sempre parcerias, sejam de setores, grupos ou unidades acadêmicas da própria Universidade, mas também com projetos e instituições externas. Estabelecer relações e conexões são parte fundamental de nosso trabalho e enriquecem nossas discussões, qualificam nossas ações e amplificam nossa interação com a sociedade.

O projeto se propõe a homenagear e visibilizar as trajetórias de grandes professores pioneiros, que foram visionários ao implantar novas práticas e forjar as bases fundamentais de novas disciplinas na Universidade.
A diversidade de caminhos que grupos distintos têm trilhado dentro e fora da academia vem sendo historicamente desconsiderada e aniquilada em termos de saberes e formas de interpretação do mundo (epistemicídio). Refletir sobre as limitações dessa perspectiva e dar a conhecer outras possibilidades de abordagem e de construção de conhecimentos, além de necessário, deve ser um compromisso do Museu da UFRGS.
Maldonado-Torres (2016) nos inspira a dizer que o rompimento dessa postura acadêmica prepotente e limitada passa por: aprofundamento da experiência interdisciplinar pela apropriação crítica das diferentes disciplinas e métodos, com a consequente elaboração de novas categorias metodológicas; adoção de novas práticas pedagógicas e políticas; e transformação dos espaços institucionais em lugares de emancipação e decolonização do poder, do ser e do saber.
O Museu da UFRGS é um lugar de conhecimentos, de produção e democratização de diferentes saberes. Acreditamos que a construção da interculturalidade como experiência real no ambiente acadêmico é propulsora dessa atitude decolonial e dela se retroalimenta. A partir desses pressupostos, a equipe do Museu vem apostando em ações que permitam a valorização e a difusão da diversidade cultural, promovendo diálogos interculturais.
Maldonado-Torres, Nelson. Transdisciplinaridade e decolonialidade. Revista Sociedade e Estado – Volume 31 Número 1 Janeiro/Abril 2016
Oficialmente foram comemorados os “250” anos de Porto Alegre em 2022, apesar dos intensos debates e questionamentos historiográficos que já vêm de longa data. Evidencia-se uma comemoração descontextualizada, eurocêntrica, cuja tradição inventada provoca o apagamento de uma longa história de ocupação humana da cidade por povos originários. Importante salientar que essa construção historiográfica de matriz colonialista invisibiliza também as formas de ocupação violenta da cidade – desde a expulsão contínua de comunidades indígenas, quilombolas e periféricas – até a destruição de vestígios dos seus legados tecnológicos e culturais. Tal situação se mantém no tempo presente em que os projetos de “revitalização” desrespeitam tradições e os modos de vida dessas populações.
O ‘Projeto PoAncestral – Muito além dos 250’, trata de criar um espaço comum, amplo e plural dos diferentes coletivos, setores, pessoas e grupos de pesquisa que trabalham as questões indígenas, afrodescendentes e demais excluídos com o objetivo de construir uma plataforma comum de socialização de pesquisas, materiais pedagógicos e agendas dos movimentos sociais que contam a história da cidade a partir das populações apagadas pela história oficial.
Atualmente além das redes sociais do PoAncestral o Museu da UFRGS faz parte do Projeto de Extensão de mesmo nome coordenado em 2022 por Melina Perusatti (FACED) e Claudia Porcellis Aristimunha (Museu da UFRGS) e em 2023 por Ana Celina Figueira da Silva (Coord. Geral – FABICO) e Claudia Porcellis Aristimunha ( Coord. Adjunta – Museu da UFRGS)


O projeto Visita Guiada – Na Trilha do Patrimônio propõe caminhadas contemplativas pelos quarteirões do Campus Centro da UFRGS, apresentando a trajetória da Universidade e sua relação com o desenvolvimento de Porto Alegre. A atividade destaca tanto os aspectos estéticos do patrimônio edificado (tangível) quanto a diversidade dos sujeitos que contribuíram para sua construção (intangível) — desde os trabalhadores envolvidos nas obras até personalidades que realizaram sua formação acadêmica na instituição. Além disso, busca valorizar as histórias que dão vida ao cotidiano da Universidade e sua conexão com a cidade de Porto Alegre.
A iniciativa é um desdobramento do projeto “Visita Teatralizada”, que, por meio de esquetes encenadas no Campus Centro, apresentava a história e as memórias da UFRGS. Desde 2017, esse trabalho vem sendo desenvolvido pelo Museu da UFRGS em parceria com o SPH, originando novas formas de aproximação com a comunidade, como a proposta atual.