Criado em 1973, o Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS é o terceiro mais antigo da área no país. Em 1996, foi criado o Doutorado, com ênfase em Política Comparada e Integração Latino-Americana. Desde sua origem, o PPG mantém um vínculo estreito com os países vizinhos, como demonstra sua ativa participação no Comitê de Ciência Política da Associação de Universidades do Grupo de Montevidéu (AUGM), do qual foi coordenador no quadriênio 2017/2020. O Programa conta com 23 docentes com sólida e reconhecida produção intelectual na área de Ciência Política e Relações Internacionais. O Programa conta com diversos núcleos e grupos de pesquisa e publica, juntamente com o Nupesal, a Revista Debates, que tem circulado de forma contínua há mais de 10 anos.
Ao longo de sua extensa trajetória, o Programa recebeu inúmeros estudantes de mestrado e de doutorado do Uruguai, da Argentina, do Chile, da Bolívia, da Colômbia, da Venezuela, do México, entre outros países. Inclusive, a atratividade de alunos estrangeiros ultrapassa a América do Sul, principalmente nas duas últimas décadas, quando passou a formar mestres e doutores de países africanos, destacando-se Cabo Verde, Guiné Bissau e Moçambique. Em realidade, viemos a nos tornar o Programa de Ciência Política no Brasil com maior número de bolsistas PEC-PG oriundos da África desde que esse projeto foi instituído.
De maneira mais ampla, a constante busca de excelência acadêmica e de liderança nas parcerias com centros de pesquisa da América do Sul e da África lusófona alinha-se às iniciativas dos Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da própria UFRGS para o período 2016-2026 e, ao mesmo tempo, sinaliza duas vocações do Programa que remetem à sua origem, mas que também se acentuaram em sua evolução institucional. A primeira delas é sua internacionalização regional, favorecida por sua posição geográfica fronteiriça com os países do Cone-Sul. O cultivo de relações acadêmicas, o compartilhamento projetos de pesquisa, o intercâmbio de conhecimentos com institutos de pesquisa e Universidades da Argentina, do Uruguai e do Paraguai se tornaram uma tradição que expressa a vocação latino-americanista do Programa.
Conscientes dessa missão histórica, nos últimos anos, passamos a investir no seu aprofundamento e na sua ampliação. O seu aprofundamento consiste no estreitamento das relações acadêmicas e científicas com as instituições desses países latino-americanos. Como parte desse esforço, firmamos convênio com a Faculdade de Ciência Política e Relações Internacionais, da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, que resultou em intenso intercâmbio de discentes e docentes para diversas atividades de pesquisa e docência incluindo a formação de doutores na Argentina..
Já a sua ampliação se relaciona a busca de uma internacionalização voltada a países de outras regiões. Dois convênios recentes resultaram dessa estratégia. O primeiro deles foi firmado com a Associação Mexicana de Ciência Política; o segundo, com a Associação Angolana de Ciência Política – além disso, como já mencionado, um expressivo contingente de alunos da África vem sendo atraído pelo Programa. Também foram firmados ou intensificados acordos de cooperação e convênios com Universidades europeias da Alemanha, da França e da Espanha. Aproveitando-se desse contexto, o Programa incentivou a mobilidade de alunos de doutorado em instituições conveniadas e não-conveniadas, por intermédio de bolsas sanduíche financiadas pela Capes e o CNPq. Também foram estimuladas as estadias de docentes do exterior, em missões de curta duração ou para pesquisas de pós-doutorado. A recente adesão do PPG ao Programa Capes/Print/UFRGS, certamente, abrirá maior oportunidade para o investimento na estratégia de ampliação da internacionalização.
Essa vocação, portanto, implica na missão de ser um Programa que une tradição e qualidade na liderança regional, em conexão com o Cone-Sul e com as instituições da Região Sul do país. O Programa formou quadros que atuam em Universidades estrangeiras da região, assim como de Universidades do estado e da Região Sul. Isso se expressa em sua segunda vocação, que é a formação de quadros de alto nível para atuar como pesquisadores na área acadêmica, no terceiro setor e na administração pública.
Desde 1977, quando foi defendido o primeiro trabalho de mestrado, até 2020, foram produzidas mais de 550 teses e dissertações, totalizando um volume de trabalhos científicos e qualificados expressivo tanto na área da Ciência Política como no sistema de pós-graduação do país. Grande parte dessa produção foi realizada nos últimos 10 anos período em que o Programa realizou importante transição geracional e diversificou linhas temáticas em estreita correspondência com o crescimento da área Ciência Política no Brasil. e Essa vocação, sem dúvida, converteu-se na segunda missão do Programa – formação de cientistas políticos com capacidade analítica e treinamento científico. A excelência dessa formação é medida em indicadores claros, principalmente na inserção e liderança que seus egressos exercem na administração pública e no mundo acadêmico, inclusive, na fundação de novos programas de pós-graduação área na região Sul.
A interação histórica dessas duas missões resultou numa terceira, qual seja, a produção científica qualificada. Não somente as teses e dissertações representaram a produção de conhecimento original acerca de diversas temáticas, muitas delas voltadas à compreensão e resolução de problemas locais, regionais e nacionais, mas também o extenso volume de artigos, livros e capítulos de livros produzidos pelos pesquisadores – docentes e discentes – que atuaram e atuam no Programa. Ao lado disso, a intensiva participação em eventos científicos regionais, nacionais e internacionais expressam a elevada produção acadêmica do Programa, sua inserção no debate da comunidade científica da área e sua perene divulgação do conhecimento gerado pelos diversos projetos de pesquisa desenvolvidos em suas instalações.