
Geringonça é um Projeto de Extensão idealizado e coordenado pela Profa. Dra. Daniele Noal Gai e surge da reunião de pessoas que se gostam e que buscam vivenciar experiências em educação dentro e fora da universidade, potencializando e unindo a coletividade, a sensibilidade, a comunidade e a educação. O Projeto é vivo e valoriza as potencialidades de cada integrante, que planejam e realizam ações em escolas, comunidades e eventos acadêmicos. Em 2016 vivemos grandes momentos, recebemos um prêmio no Salão UFRGS; levamos o Geringonça a Minas Gerais e Barcelona; trouxemos para Porto Alegre o La Mancha, grupo de investigação e capacitação em Ludopedagogia, no Uruguai; visitamos e cativamos alunos em escolas da grande Porto Alegre, e o mais importante: compartilhamos juntos e com vocês esses momentos sorrindo, sorrindo e sorrindo sempre. É por este e por outros motivos que vamos presenteá-los com o que melhor nos define: o verbete Geringonça, extraído da Tese Ética do Brincar, de Daniele Noal Gai, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação, da Faculdade de Educação, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2015:
Quem faz geringonça quer conhecer . fazer . produzir . moldar . modelar . brincar. Nem sempre quer utilidade . progresso . benefício . ser universal. O processo de conhecer se associa à experiência necessária à produção do conhecimento. Afirma um processo de aquisição do conhecimento associado à experiência, em que saber- fazer articula-se ao saber narrativo. A produção e a transmissão do conhecimento se associavam às experiências das pessoas. Assim acontecia com o artesão, que configurava o homem experiente, aquele que conhecia todo o processo de produção material e, por via da transmissão do seu saber, narrava e construía a sua cultura. Os restos de madeiras. Os cascos de tartarugas. As lãs de ovelhas. As rochas. As pedras preciosas. As pedras de rio. As escamas de peixes. As peles de bichos. O urucum. A folha de bananeira. A palha de milho. O grão de arroz. O fósforo. Os tijolos. Os restos de construções prediais. As latinhas de cerveja. Pedagogia da sucata. Pedagogia da gambiarra. Pedagogia do que tem dentro do cantinho de guardados. Pedagogia do que podemos inventar juntos. Pedagogia do exercício das mãos, do corpo, do desejo. Pedagogia de cartazes. Joan Brossa. Lygia Clark. Guler Ates. Joan Fontcuberta. Michel Zózimo. Paul Veyne. Bispo do Rosário. Pedagogia da intuição. Pedagogia da fabulação. Parafernálias pedagógicas. Didática experimental. Design criativo. Criatividade em EaD. Interação silenciosa. Compartilhamento indutivo. Esquema de associações de ideias compartilhado. Esquema de associação de ideias compartilhado com formiguinhas. Esquema complexo de aprendizagem pela via da experimentação de bobagens, simplicidades, intuições. Diagramação com cores e texturas. Fotocartografia. Fotomontagem. Colagem. Papelagem. Ludoarte. Lupedagogia. Alfabetismo sensorial. Alfabetismo poético. Considerar a diversidade nas saídas e entradas no currículo significa trazer a criação para o centro do trabalho pedagógico. Aprendem o que significa educação experienciando os possíveis daquela criação que só pode ser mútua. Como fugir de espaços de mediação, de orientação, de ortopedia, de terapêutica? Passar a espaços de produção, de criação. Docências se fazem em meio ao contemporâneo, por vias de criação e impulsos criativos. Experimentações de aprendizagem avaliadas e reprogramadas pelos docentes em conjunto com a comunidade. Comunidades reunidas em horas de lazer, prazer, criação, produção. Sua biblioteca os nós, os laços, as suas próprias histórias. Fazem o múltiplo. Vivem o múltiplo. Criam suas maquininhas de manter históricos de vida importantes e enunciáveis. Não cabem finais, não cabem encerramentos, não cabem julgamentos, não cabem isolamentos. Sem tantas certezas, inventam. Sem tantas certezas, tem esperanças. Sem tantas certezas, contam com utopias. Sem tantas certezas, sonham. Sem tantas certezas, se multiplicam. Sem tantas certezas contam segredos e os esquecem. Sem tantas certezas, exercem o esquecimento. Na arquitetura engenhosa acham as portinhas. Nas portinhas encontram línguas, falam, expressam-se. Fuxicam, cortam linhas, abrem envelopes, destacam papéis. Engenhosa a alegria do texto, da escritura, da escritura sendo ética. Engenhosa a costura, a montagem, o viés. Costurado pelo contrário, início pelo viés, labiríntico o pacote. Espaço verdadeiramente infinito, como carretel de linha cheio de nós, que puxa aqui, ali, nada de desfazer nós. Para a saúde bastam esparadrapos, lá estica, puxa, pendura, gruda. Uma saúde da gambiarra. Para a educação bastam tintas, lá traceja, respinga, cruza, colore, contorna, inventa, salpica, saltita, faz pé, produz sol. Geringonça do tipo arte: ocupação para desperdiçar energia; ocupação com tempo a perder; ocupação com coisas de praia; ocupação com dias de férias; ocupação com franja nova; ocupação com sofá para um bom filme antigo; ocupação com as unhas por cortar; ocupação com modos de fazer tudo em casa, acomodado e sossegado. Cinco minutos de cócegas. Cinco minutos de coceiras no nariz. Cinco minutos de coceira na garganta. Cinco minutos de gases barulhentos em lugar público silencioso. Cinco minutos catando moedas. Cinco minutos para escolher cor do balão. Cinco minutos e perde o ônibus. Cinco minutos de passarinho verde à vista. Cinco minutos de chuva fina para expor-se. Obrigatoriamente expor-se e ser meio geringonça. Atividade de escola com colagens. Pica recorta cola gruda sobrepõe. Todo mural de escola é uma bela geringonça. Aqueles cartazes do postinho, a cestinha de arrecadação de agasalhos, o porta canetas feito de caneca quebrada. Todo lugar de saúde que se preze tem uma engraçada geringonça. As caixas de papelão acumuladas na sala, os jornais embrulhando os copos, os lençóis protegendo os sofás. Todo lugar de habitação vira uma geringoça quando em processo de mudança. Geringonçamente arrumar o sanduíche de quatro camadas. Geringonçamente apertar os cadarços de dois metros em volta dos tornozelos. Geringonçamente se vestir para carnaval. Geringonaçamente festejar. Geringonçamente lecionar. Geringonçamente ser o que se é.
Leia esta citação e a Tese na íntegra acessando este link.

É um Geringonça também? Vem participar de nossos encontros às quintas, 14h na FACED – UFRGS. Vamos Geringonçar juntos e sorrir sempre!
![Projeto Geringonça [Pedagogias da Diferença. Ecologias da Vida]](https://www.ufrgs.br/projetogeringonca/wp-content/uploads/2023/03/25.png)
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