ATO PÚBLICO – CONCLUSÃO – CURSO DE DOUTORADO – GABRIEL SILVA LOPES FERNANDES – DEFESA DE TESE – A TÉCNICA DA PARTICIPAÇÃO, A PARTICIPAÇÃO NA TÉCNICA: projetos urbanos em contextos de assentamentos precários – 05/09/2025
PROPUR/UFRGS – CONVIDA:
DEFESA DE TESE
A TÉCNICA DA PARTICIPAÇÃO, A PARTICIPAÇÃO NA TÉCNICA: projetos urbanos em contextos de assentamentos precários.
GABRIEL SILVA LOPES FERNANDES
Banca Examinadora:
André Carrasco – Examinador Externo (Faculdade de Arquitetura/UFRGS)
Heleniza Ávila Campos – Examinadora Interna (PROPUR/UFRGS)
Maria Camila Loffredo D’Ottaviano – Examinadora Externa (FAU/USP)
Orientador e Presidente da Banca:
Prof. Dr. Paulo Edison Bello Reyes (PROPUR/UFRGS)
Coorientador:
Prof. Dr. Bruno César Euphrásio de Mello (Departamento de Urbanismo/UFRGS)
RESUMO
A pesquisa problematiza a relação entre o discurso técnico e o discurso participativo nos processos de projeto urbano em contextos de assentamentos precários. Desde a década de 1960, críticas importantes ao projeto, seja ele urbano ou arquitetônico, pautaram a necessidade de maior abertura à participação social. Atualmente, a legitimidade e a eficiência do projeto nos processos de planejamento ficam atreladas à participação dos agentes envolvidos nos processos decisórios. A lacuna do conhecimento que a pesquisa identificou foi a escassez de debate que relacionasse a noção de participação social à técnica do saber urbano, com atenção às questões da neutralidade e da institucionalização de poder em processos de projeto urbano em assentamentos precários. Tradicionalmente, os arquitetos e urbanistas interpretam, planejam e projetam as cidades a partir de uma visão “privilegiada”, que lhes é assegurada por um saber técnico, a partir do qual podem determinar o bom funcionamento, os bons modos de ser e fazer a cidade. Assim, as práticas participativas decorrentes desses processos recaem em uma discursividade que têm pouca capacidade de estabelecer um diálogo democrático e acabam legitimando a vontade dos atores hegemônicos na produção da cidade. A pergunta que orientou a pesquisa, portanto, foi a seguinte: Em que medida a técnica da participação admite a participação na técnica emcontextos de projeto urbano para assentamentos precários? O pressuposto é que os saberes das comunidades de assentamentos precários seriam, de modo geral, desconsiderados. Nesse sentido, a técnica funcionaria não só como ação e conhecimento para chegar a um resultado, mas como produtora de um diferencial que, ao mesmo tempo que busca o consenso entre os agentes envolvidos na elaboração dos projetos, acaba fortalecendo a narrativa hegemônica da técnica que é pouco permeável ao saber popular. O objetivo principal do estudo é, a partir de experiências práticas de projetos, revisar a relação entre saber técnico e participação social nos ganhos de democratização urbana. Utilizando a técnica de estudo de caso, analisou-se o Projeto Pró-moradia Orla Dom Bosquinho (Rio Grande-RS) e o Plano Popular do Corredor das Tropas (Pelotas-RS). Avaliando como e em que medida as representações dessas comunidades foram consideradas nos espaços participativos. A crítica realizada da falta de neutralidade do conhecimento técnico não busca reduzir sua importância, mas produzir uma abertura para pensar a representação social como um jogo entre o saber técnico e saber popular, a tecnologia convencional e tecnologia solidária, o projeto e contraprojeto da cidade. Por fim, conclui-se pensando no projeto como uma aposta de futuro, quer ele se manifeste como um produto para consenso entre os agentes envolvidos, quer ele se expresse como ferramenta de luta pela justiça social de uma comunidade.
Palavras-chave: planejamento urbano; projeto urbano; técnica; participação social; assentamento precário.
Data: 05/09/2025
Horário: 14:00 horas
Banca em formato presencial: sala 512 da Faculdade de Arquitetura/UFRGS.