TESES

ANO BASE 2010

Título: ANÁLISE CONFIGURACIONAL DA FORMA URBANA E SUA ESTRUTURA COGNITIVA
Autor: ANA PAULA NETO DE FARIA
Linha de Pesquisa: Sistemas Configuracionais Urbanos
Orientador: Prof. Dr. Romulo Krafta
Data da Defesa:19/11/2010
Banca:
– Prof. Dr. Lucas Figueiredo de Medeiros (Examinador Externo do Departamento de Arquitetura e Urbanismo/UFRN);
– Profª. Drª. Denise Barcellos Pinheiro Machado (Examinador Externo do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/UFRJ);
– Prof. Dr. José Roberto Iglesias (Examinador Externo do Instituto de Física/UFRGS);
– Profª. Drª. Maria Cristina Dias Lay (Examinador Interno do PROPUR/UFRGS).

Resumo:
O presente trabalho investiga as características configuracionais que o sistema urbano adquire ao ser mentalmente organizado pelos indivíduos. Cidade e processos cognitivos de estruturação da informação ambiental são vistos como indissociáveis, partes integrantes de uma rede de relações e interdependências, formando o que ficou aqui definido como ordem simbólica. A estrutura de conhecimento amplamente compartilhada, definida na literatura como imagem pública, é abordada enquanto parte integrante do sistema urbano. O estudo está voltado para a descrição da estrutura configuracional da ordem simbólica, criando os procedimentos para a sua representação e análise. A temática é tratada dentro de uma abordagem sistêmica, com o auxílio de modelagem computacional e métodos de análise de redes. A área da cognição ambiental é a base teórica que serve de referência para a construção do modelo e posterior avaliação dos resultados obtidos por simulação. Os estudos de caso foram realizados para as cidades de Boston, Jersey City e Los Angeles, baseado nas imagens públicas definidas por Lynch em seu livro “A Imagem da Cidade”. A análise das características configuracionais da ordem simbólica sugere que a cognição ambiental altera as propriedades do sistema urbano no sentido de: aumentar a quantidade de informação disponível; comprimir o tamanho do sistema e melhorar a acessibilidade entre seus componentes; introduzir mudanças funcionais por meio da propriedade small-worlds e de incrementos na hierarquização, na estabilidade e na eficiência; melhorar a navegabilidade da rede. A análise da supra-estrutura cognitiva indicou que as estruturas de informação que organizam a ordem simbólica possuem características específicas de conectividade e estruturação interna. A avaliação das características configuracionais das diversas unidades de informação (áreas, lineares e pontuais) sugere que as mesmas possuem algumas características particulares, associadas às funções específicas desempenhadas na ordem simbólica. Os resultados aqui destacados são comuns entre cidades, sugerindo sua universalidade e uma possível influência dos processos cognitivos. Aparentemente as informações ambientais retidas na imagem pública refletem as necessidades cognitivas em termos de navegação urbana, exploração ativa do ambiente e introdução de hierarquia nas informações disponíveis. A configuração morfológica do espaço urbano também desempenha um papel importante. Os dados sugerem ser ela que diferencia a ordem simbólica em termos qualitativos. A mesma facilitaria ou dificultaria o estabelecimento das estruturas de informação necessárias para uma cognição ambiental funcionalmente eficiente. Diversas características encontradas na ordem simbólica atestam a adaptabilidade dos processos cognitivos a potencialidades ou dificuldades oriundas das especificidades configuracionais e morfológicas do ambiente urbano.

Palavras-chave: Cognição ambiental; imagem pública; análise configuracional;

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Título: O PENSAMENTO UTÓPICO E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO SOCIAL – A COOPERATIVA DE CONSUMO DOS EMPREGADOS DA VIAÇÃO FÉRREA DO RIO GRANDE DO SUL
Autor: LUIZ FERNANDO DA SILVA MELLO
Linha de Pesquisa: Cidade, Cultura e Política
Orientador: Prof. Dr. João Farias Rovati
Data da Defesa:04/10/2010
Banca:
– Prof. Dr. Jacques Lenhardt (Examinador Externo da École de Hautes Études en Sciences Sociales – EHESS / Paris-França);
– Drª. Ana Lúcia Goelzer Meira (Examinador Externo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN/RS);
– Prof. Dr. Gilberto Flores Cabral (Examinador Externo do Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura/UFRGS);
– Profª. Drª. Célia Ferraz de Souza (Examinador Interno do PROPUR/UFRGS).

Resumo:
Esta tese trata do pensamento utópico e suas implicações na produção do espaço social e tem como objetivo refletir sobre potenciais relações entre utopias e projetos de desenvolvimento social. Considera os significados do espaço social como contexto onde se processa o pensamento utópico e como ferramenta estratégica para a formulação de seus projetos. A problematização suscita questões em relação a pragmatismo e utopia; à possibilidade paradoxal da utopia; à noção de espaço no pensamento utópico e nas utopias; aos parâmetros do pensamento utópico; à noção de classe de utopia. Propõe cinco hipóteses: uma sociedade pode ser compreendida por meio da análise de pensamentos ou projetos considerados utópicos os quais desvelariam, por oposições, características daquela realidade; pensamentos utópicos se encontram potencialmente na origem de certas concepções sociais as quais se apóiam em processos funcionais e estruturas espaciais para seu exercício; a precariedade das relações sociais verificadas em certos espaços baseados em utopias indica que o pensamento utópico se expõe de forma fragmentada como notícias do imaginário de um passado e não de um ideal futuro presentificado; o espaço social, construído a partir de uma utopia, tem a capacidade de representar contradições daquela sociedade; grupos sociais não dominantes podem ser responsáveis tanto na determinação do que seja utópico quanto na qualificação da história da arquitetura da cidade. Verifica as hipóteses mediante o estudo de caso da Cooperativa de Consumo dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul que teve importante atuação na região nos setores da economia, da educação e da saúde. Adota Metodologia balizada pelos princípios da História Cultural na medida em que considera como relevante para a compreensão do fato social analisado, o simbólico que emana dos discursos referentes, assim como suas representações. O estudo demonstra que: uma instituição representativa de uma classe não dominante pode idealizar e construir espaços significativos e que se identificam com a história da sociedade onde atua; análises para a identificação dos limites entre pragmatismo e utopia não devem ser limitar às expressões materiais e funcionais dos fatos sociais; utopias replicam, cada uma à sua maneira, a idéia de classes; apenas a noção de lugar não caracteriza o espaço social utópico, fazendo-se necessário, para tanto, agregar a noção de território; análises de pensamentos utópicos e das utopias devem considerar as qualidades dos indivíduos, dos ambientes e das relações entre eles como estruturas da superestrutura social onde ocorrem; as utopias, ao não se concretizarem plenamente, não as caracterizam como paradoxais.

Palavras-chave: Utopia; imaginário urbano; História Cultural; urbanismo.

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Título: MODELAGEM, MENSURAÇÃO E SIMULAÇÃO DO MOVIMENTO DE PEDESTRES E VEÍCULOS
Autor: ANDRÉ DE SOUZA SILVA
Linha de Pesquisa: Sistemas Configuracionais Urbanos
Orientador: Prof. Dr. Décio Rigatti
Data da Defesa:30/09/2010
Banca:
– Profª. Drª. Heleniza Ávila Campos (Examinador Externo do Departamento de Engenharia, Arquitetura e Ciências Agrárias da UNISC);
– Profª. Drª. Clarice Maraschin (Examinador Externo do Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura/UFRGS);
– Prof. Dr. Oberon da Silva Mello (Examinador Interno do PROPUR/UFRGS).

Resumo:
Analisar a probabilidade dos tecidos urbanos exercerem efeitos junto ao movimento de pedestres e veículos, por meio do desenvolvimento de um modelo matemático-estatístico e, aplicar na prática do planejamento urbano as informações obtidas, são os objetivos que se apresentam. O problema central está em distinguir quais propriedades são relevantes, que relações mantêm entre si, e o quanto explicam o porquê, como e por onde pedestres e veículos se movimentam? Parte-se da hipótesede que propriedades espaciais, formais e funcionais dos tecidos urbanos vinculadas ao sistema de vias, quadras, lotes e edificações, de alguma maneira e intensidade, facilitam, dificultam ou mesmo definem significativamente o movimento de pedestres e veículos, cuja consideração em conjunto e em separado aprimora a modelagem, mensuração e simulação do movimento de pedestres e veículos. As abordagens centradas na demanda de viagens (Entrevista Domiciliar de Origem e Destino) e na configuração espacial urbana (Sintaxe Espacial) fundamentam teoricamente a pesquisa e embasam a construção do método quecompatibiliza e conjuga, por meio da construção do modelo matemático-estatístico, denominado modelo de deslocamento 5D, cerca de 20 variáveis do tecido urbano. Em relação aos resultados obtidos, as abordagens adotadas se mostram complementares no entendimento das propriedades que influenciam omovimento de pedestres e veículos em torno dos bairros Higienópolis, Santa Maria Goretti, Passo D’Areia e Vila do IAPI, em Porto Alegre, tomados como estudo de caso. O modelo de deslocamento 5D mostra-se operacionalmente viável e promissor, apresentando resultados estatísticos significativos e com alto grau de confiabilidade. Aproximadamente, 85% do movimento de pedestres e veículos nas áreas em estudo é explicado por medidas que consideram: (i) a articulação e continuidade de percursos alternativos possíveis ao longo de uma via em relação as demais vias em seu entorno imediato; (ii) a contribuição das edificações e dos recuos laterais e frontais em relação aos lotes e quadras na conformação do espaço aberto público; (iii) a variedade de tipologias edilícias e possibilidades de combinação entre si e ocorrência de morfologias simultaneamente; (iv) a relação entre movimento, área construída e comprimento de via; (v) a atribuição de valores às diferentes atividades residenciais e não-residenciais desempenhadas nas edificações; e, (vi) a ponderação dos acessos às edificações. A aplicação do modelo de deslocamento 5Ddemonstrou ser um instrumento útil na simulação de condições de total transformação ou relativa homogeneidade dos tecidos urbanos, assim como auxiliar ao planejamento urbano, não determinando, entretanto, o que deve ser feito, mas sim, possibilitando entender o que está sendo feito.

Palavras-chave: planejamento urbano; planejamento de transportes; demanda de viagens; configuração espacial urbana; movimento de pedestres; movimento de veículos;

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Título: ÁREAS ESPECIAIS DE INTERESSE DO AMBIENTE NATURAL: UMA METODOLOGIA DE PLANEJAMENTO E GESTÃO
Autor: CLAURE MORRONE PARFITT
Linha de Pesquisa: Planejamento e Espaço Urbano e Regional
Orientador: Profª. Drª. Maria Alice Oliveira da Cunha Lahorgue
Data da Defesa:17/06/2010
Banca:
– Dr. José Maria Filippini Alba (Examinador Externo da EMBRAPA – Pelotas/RS);
– Profª. Drª. Tânia Marques Strohaecker (Examinador Externo do Programa de Pós-Graduação em Geografia/UFRGS);
– Prof. Dr. João Farias Rovati (Examinador Interno do PROPUR/UFRGS).

Resumo:
A expansão desordenada das cidades é a primeira causa da destruição das paisagens e da biodiversidade nas áreas periurbanas. Para prevenir essa perda, é urgente a necessidade de pesquisas estratégicas de planejamento baseadas no entendimento científico de padrões de paisagem relacionados com a produção do meio ambiente urbano. Muitos governos incluem a conservação do ambiente natural como uma explícita meta política. Este estudo apresenta uma metodologia para planejamento e gestão de uma zona de preservação do ambiente natural a partir das experiências de TDR, ou transferência de direitos de desenvolvimento no caso brasileiro. O estudo de caso foi realizado na cidade de Pelotas R.S. Para identificação das zonas Transmissoras de Desenvolvimento foram utilizados o mapa geomorfológico do local e a legislação. As zonas Receptoras, por sua vez foram identificadas levando em conta o crescimento (interno) da cidade no período de 1995 a 2007 a partir da utilização do sensor TM do satélite Landsat. As imagens foram processadas através do aplicativo ER-Mapper. O processamento digital foi realizado em função de duas técnicas de avaliação temporal; (1) avaliação de mudanças temporais; (2) classificação não supervisionada envolvendo bandas e datas diferentes. As áreas de crescimento posteriormente foram cruzadas com o mapa de valor do solo urbano. Para concluir, levando em conta o preço do solo nas Zonas Transmissoras do Desenvolvimento, e valor do metro quadrado de construção nas Zonas Receptoras se executa o procedimento de transferência. Os resultados demonstram que a metodologia se mostrou eficiente para o caso de estudo podendo vir a ser aplicada no planejamento e gestão das cidades.

Palavras-chave: Planejamento urbano; gestão urbana; Meio Ambiente; Zonas de preservação ambiental; Metodologia

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