DEFESA DE TESE: GERMANA KONRATH

Publicado por PROPUR em

PROJETAR O TEMPO, TEMPORALIZAR O PROJETOGERMANA KONRATH
GERMANA KONRATH

Banca Examinadora:
Prof.ª Dr.ª Rita de Cassia Lucena Velloso (Examinadora Externa da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG)
Prof. Dr. Nélio Rodrigues Conceição (Examinador Externo da Universidade Nova de Lisboa)
Prof.ª Dr.ª Daniela Mendes Cidade (Examinadora Externado Departamento de Arquitetura – FAU/UFRGS)
Prof.ª Dr.ª Daniele Caron (Examinadora Interna do PROPUR/UFRGS)

Orientador e Presidente da Banca:
Prof. Dr. Paulo Edison Belo Reyes (PROPUR/UFRGS)

RESUMO
A tese gira em torno de experiências estéticas e políticas da contemporaneidade em que a variável tempo emerge como protagonista de projeto, enquanto agente de transformação. Sugerimos uma torção no pensamento projetual clássico e moderno, identificado por matrizes espaciais fixas que negam a alteridade e a natureza dissensual e cambiante dos processos sociais urbanos. Tal pensamento demonstra sua inoperância ao reforçar modelos universais, homogeneizantes e segregadores de produzir cidades, subordinados a uma visão capitalista. Chamamos esse pensamento de estático, posto que defende o zoneamento urbano, a padronização e a manutenção “harmoniosa” e estável de cada um em seu lugar, cada função em seu espaço e cada programa em sua forma (ideal e definitiva). Propomos uma exploração teórica e empírica, fundamentada na inversão da histórica tríade vitruviana firmitas, utilitas e venustas, que soa como índice desse modus operandi projetual. Nesse caminho, nos aproximamos de Gilles Deleuze, por suas contribuições acerca do conceito de tempo como diferença, de Jacques Rancière, por seu entendimento de política e nos debruçamos sobre experiências estéticas e políticas urbanas “marginais”, datadas de 1960 até hoje, destacadamente ações artísticas. A pesquisa se desdobra em duas frentes: projetar o tempo e temporalizar o projeto. Na primeira, o tempo é trabalhado como conceito filosófico e como prática sensível a ser explorada na duração de cada experiência. Na segunda, a ênfase é deslocada do fim para o meio, do produto-obra para o exercício projetual. Buscando operar pelo avesso dos princípios de solidez, funcionalidade e beleza, nos lançamos o desafio de pensar a cidade e seu projeto a partir do trinômio desestabilizar, desprogramar e deformar. Partimos de um pequeno giro semântico em que os substantivos vitruvianos são tensionados por verbos, fazendo do projeto um ato. E, ao incluir o radical de(s), nos posicionamos criticamente em relação ao que está posto, não como negação, mas afirmando sua existência e, simultaneamente, o desejo de sua subversão. Essa operação visa interceptar modos de projetar excludentes, escondidos na pretensa neutralidade técnica, no saber-fazer do arquiteto e urbanista, que mascaram o caráter necessariamente político  do processo projetual. A tese explora maneiras de projetar mais dinâmicas, inclusivas e porosas – condizentes com a natureza plural e conflitiva da sociedade que habita e conforma cidades latinoamericanas atuais, em sua constante transformação. 


Palavras-chave: Projeto em urbanismo; experiências estéticas e políticas; tempo; transformação; cidade contemporânea. 

ABSTRACT
The thesis revolves around aesthetic and political experiences of contemporaneity in which the variable of time emerges as the protagonist of the project, acting as an agent of transformation. We suggest a twist in classical and modern design thinking, identified by fixed spatial matrices that deny the otherness and the ever-changing nature of urban social processes. Such thinking demonstrates its ineffectiveness by reinforcing universal, homogenizing, and segregating models of city production, subordinated to a capitalist vision. We call this thinking as static because it advocates urban zoning, standardization, and the “harmonious” and stable maintenance of each in its place, each function in its space, and each program in its (ideal and definitive) form. We propose a theoretical and empirical exploration based on the inversion of the historic Vitruvian triad of firmitas, utilitas and venustas,, which serves as an index of this design modus operandi. In this path, we draw closer to Gilles Deleuze for his contributions to the concept of time as difference, to Jacques Rancière for his understanding of politics, and delve into “marginal” urban aesthetic and political experiences dating from the 1960s to today, particularly artistic actions. The research unfolds on two fronts: designing time and temporizing urban design. In the first, time is treated as a philosophical concept and as a sensory practice to be explored in the duration of each experience. In the second, the emphasis is shifted from the end to the middle, from the product to the design exercise. Seeking to operate in opposition to the principles of solidity, functionality, and beauty, we take on the challenge of thinking about the city and its design based on the trinomial destabilize, deprogram, and deform. We start from a small semantic shift in which the Vitruvian nouns are tensioned by verbs, making the project an action. And by including the prefix de(s), we position ourselves critically in relation to what is established, not as a negation but by affirming its existence and simultaneously desiring its subversion. This operation aims to intercept exclusionary modes of urban design hidden in the supposed technical neutrality and in the architect and urban planner’s know-how, which conceal the inherently political nature of the design process. The thesis explores more dynamic, inclusive, and porous ways of urban designing – in line with the plural and conflictive nature of the society that inhabits and shapes current Latin American cities, in their constant transformation.


Keywords: Urban design; aesthetic and political experiences; time; transformation; contemporary city

 

Data: 20/10/2023
Horário: 9 horas
Link do evento: https://mconf.ufrgs.br/webconf/banca-de-defesa-de-tese-de-germana-konrath

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Categorias: AvisosConvite