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Mulheres debatem questões de gênero no processo de elaboração do PDI

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“Por uma universidade com maior igualdade de gênero”, essa pode ser a síntese da proposta do Painel “Mulheres no futuro da UFRGS”, realizado nesta quarta-feira, dia 28 de outubro, no Salão de Atos. As painelistas foram a Diretora do Instituto de Física Marcia Barbosa, a Diretora do Instituto de Química Nádya Pesce da Silveira, a servidora Maria Conceição Lopes Fontoura, a estudante e organizadora da Semana da Diversidade Sexual e de Gênero da Fabico Gabrielle de Paula e a docente e integrante do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero Jane Felipe de Souza. A mediação foi realizada pela Pró-Reitora de Extensão Sandra de Deus, que apontou a mesa como composta de mulheres que “representam o debate de gênero na Universidade”.

Dados

As duas diretoras presentes trouxeram dados sobre a presença das mulheres na universidade brasileira, desde o ingresso na graduação até o nível máximo de pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), 1A. Marcia Barbosa contou detalhes sobre seu ingresso no curso de Física, quando entraram 40 homens e apenas quatro mulheres e sobre o fato de ser a primeira e única mulher a coordenar o Comitê Assessor de Física e Astronomia do CNPq. Ela destacou, com gráficos, que a diferença entre homens e mulheres é ainda maior nos maiores postos da carreira de pesquisa: “É preciso mudar isso por uma questão de democracia, de equilíbrio social e de diversidade na pesquisa”, reforçou.

Marcia Barbosa ainda destacou o que chamou de “mitos” no tema: o fato de não haver barreiras e o de que é uma questão apenas de tempo para um equilíbrio entre gêneros na pesquisa: “A mulher tem medo de atravessar o Campus do Vale num horário determinado da noite. Conviver com o medo já é uma barreira”, enfatizou, lembrando que nos últimos dez anos os percentuais de pesquisadores e pesquisadoras no topo da carreira têm se mantido. Nádya Pesce trouxe dados da presença das mulheres na UFRGS, destacando que graduandas, servidoras e professoras do ensino básico são maioria, sendo um número menor de mulheres apenas na docência do ensino superior e em cargos de pró-reitorias e secretarias: “São apenas 10% de mulheres nas pró-reitorias e secretarias; onde não podemos concorrer, estamos na minoria absoluta. É preciso voz ativa, inclusão, meios e oportunidades para mudar isso!”, pontuou.

Ações na educação como um todo foram o foco da colaboração da professora Jane Felipe de Souza. Ela apresentou, rapidamente, a perspectiva histórica do acesso da mulher à educação e o fato de ainda haver tamanhas discriminações contra a mulher no ambiente escolar e acadêmico. Para ela, as ações necessárias para mudar a situação são: incentivo aos coletivos e grupos de estudo de gênero na Universidade; a divulgação cada vez maior das questões; a denúncia e a punição dos assédios; o intercâmbio de pesquisas; a inclusão de cadeiras de gênero na grade curricular obrigatória e o posicionamento da Universidade diante de “medidas retrógradas” do parlamento brasileiro: “A Universidade precisa se pronunciar diante dos vetos às discussões de gêneros nos Planos de Educação, da visão estreita de família e da criminalização das mulheres”, cobrou.

Testemunhos

A servidora e integrante da Organização de Mulheres Negras Maria Mulher Maria Conceição Lopes Fontoura falou pelos técnico-administrativos e apresentou o recorte de gênero aliado à perspectiva étnico-racial. Ponderou sobre a ocupação de espaços na Universidade e na Sociedade: “No PDI, é preciso que se dialogue sobre a presença da mulher negra na Universidade. Não adianta um dia isolado lá em novembro [em referência ao Dia da Consciência Negra]”, afirmou. Gabrielle de Paula expôs a perspectiva discente e elencou situações quotidianas em que o assédio acontece na Universidade, desde o trote machista à imposição de docentes no espaço da sala de aula: “São situações silenciadas pelo quotidiano e que precisam ser combatidas!”, destacou. Ela ainda elencou os entraves na realização da Semana da Diversidade Sexual e de Gênero da faculdade: “A Universidade do Futuro tem que ser mais plural”, sintetizou.

Fonte: Site da UFRGS

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