Foto: Getty Images
Muito mais do que uma data comemorativa no calendário, o dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher – reflete as conquistas femininas ao longo da história, além de abrir um debate sobre o que ainda precisa mudar. A realidade já é diferente do que era antes do marco surgir, mas isso não significa que a luta por respeito e igualdade de gênero está próxima do fim.
O evento, comemorado por mais de 100 países, é um dos poucos dias que não foi produzido com fins comerciais. Vários acontecimentos influenciaram a sua criação, mas dois são citados como determinantes: o incêndio na fábrica de roupas Triangle Shirtwaist (Nova York) em 1911, que evidenciou as terríveis condições de trabalho as quais as mulheres eram submetidas, e a marcha das mulheres russa por pão e paz em 1917.
Hoje a data é dedicada à luta pela igualdade de gênero, para celebrar as conquistas e cobrar direitos. De acordo com um levantamento do Data Social da PUCRS, baseado em dados do IBGE, as mulheres ganham em média 37% menos do que os homens, mesmo que tenham nível de escolaridade mais avançado. Além disso, o Rio Grande do Sul, segundo o estudo, é o quarto estado com maior diferença salarial entre gêneros. À luz do 8 de março, assuntos como esse retornam ao debate público, possibilitando a mobilização por mudanças e impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado. Ano após ano, mais vozes se juntam à luta, possibilitando que cenários de desigualdade e opressão deixem de existir – mesmo que seja à passos de formiguinha.
A boa notícia é que a presença das mulheres na Extensão da UFRGS é forte e dominante. Dos 424 projetos inscritos no Salão de Extensão de 2022, 307 (72%) eram coordenados por mulheres. Diariamente, seus projetos interagem com a comunidade, devolvendo à ela o conhecimento adquirido na Universidade. Dessa forma, pouco a pouco, o cotidiano se reinventa graças à esse mix de experiências trocadas, não apenas complementando, como qualificando a docência e aprendizado dos participantes e organizadores.
Mas afinal, quais são esses projetos? Como conhecer mais sobre o que essas 307 coordenadoras desenvolveram junto com seus discentes? Abaixo traremos alguns exemplos.
- Enigma: mulheres na computação
O Enigma tem por objetivo a divulgação e o incentivo de mais mulheres na área da computação. O projeto resgata a história e as contribuições significativas de mulheres para a computação. Além disso, durante o período de pandemia, a atividade gerou um grande impacto com uma de suas ações. Em 2020, foram doados mais de 100 computadores, em sua maioria para mulheres negras ou funcionárias terceirizadas. Através do projeto, essas mulheres e seus filhos tiveram a chance de continuar com os seus estudos remotamente.
- Cruzando fronteiras: Gênero e migração na América Latina
O Projeto de extensão Cruzando Fronteiras: Gênero e Migração na América Latina está vinculado ao Departamento de Ciência Política (UFRGS), e é desenvolvido desde 2019. A contribuição social do Projeto se dá pelas ações que organizam visando atender mulheres migrantes residentes em Porto Alegre. A atividade compartilha os conhecimentos teóricos sobre gênero e feminismos construídos dentro dos espaços da Universidade com as participantes, estimulando as mulheres migrantes a se apropriarem, sob a perspectiva feminista, de espaços físicos, empregatícios, afetivos, sanitários, jurídicos, educacionais e políticos, promovendo, assim, sua cidadania, ao se integrarem à comunidade em que vivem.
- Direito para Todas
O Direito pra Todas surgiu em abril de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, e é composto por voluntárias de diferentes cursos e universidades. O objetivo principal do grupo é promover a realização de oficinas em escolas públicas, com alunas e alunos do ensino médio, com o intuito de debater temáticas relativas aos direitos das mulheres, como violência doméstica, direitos trabalhistas, sexuais e reprodutivos, entre outros.
- Lugar de Mulher
O programa Lugar de Mulher surgiu em 2014 com o intuito de refletir sobre a desigualdade de gênero e o preconceito que as mulheres das Ciências sofrem. Uma parceria da UFRGS TV com o Instituto de Física, o programa conversa com mulheres pesquisadoras e cientistas, mulheres que ocupam cargos majoritariamente associados a homens, mulheres que provocaram mudanças a partir do trabalho que realizaram, compartilhando os desafios que enfrentaram (e ainda enfrentam) em suas profissões. O projeto também visa atrair e incentivar meninas que estejam no Ensino Médio a seguirem carreira dentro de áreas como engenharias e informática, nas quais a presença de mulheres ainda é pequena.
Infelizmente, ainda há um longo caminho a percorrer. A pandemia de covid-19, por exemplo, continua a ter impacto nos direitos das mulheres. De acordo com o Global Gender Gap Report 2021 do Fórum Econômico Mundial, o tempo necessário para acabar com a disparidade global de gênero aumentou em uma geração, de 99,5 anos para 135,6 anos. Isso aliado às responsabilidades pessoais e familiares, incluindo o trabalho de cuidados não remunerado, afetam desproporcionalmente as mulheres, pois a dupla jornada se torna um impedimento não apenas para uma contratação, mas também para procurarem emprego ativamente ou para estarem disponíveis para trabalhos de última hora.
Assim, flores e mensagens de parabéns a parte, o melhor presente que uma mulher poderia receber neste 8 de março é respeito e igualdade para que ela conseguia ser o que quiser, sem que sua liberdade, sua segurança e suas oportunidades continuem sendo atacadas. Força, que a caminhada é longa (mas logo terá um fim).
Júlia Urias Gonsales
Núcleo de Divulgação PROREXT
