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Atividade de extensão aborda deficiência visual na Universidade

Servidora do Instituto de Letras usa lupa eletrônica – Foto: Gustavo Diehl

A COMGRAD-Letras, em parceria com a equipe do Núcleo Acadêmico do Instituto de Letras (NAIL), promove a atividade de extensão “Quebrando barreiras: acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência na Universidade”. Com foco na deficiência visual, o evento será composto por quatro encontros, a serem realizados nas sextas-feiras, das 14h às 17h, entre os dias 24 de março e 5 de maio. Os temas abordados em cada encontro serão:  Aula 1 – “A pessoa com deficiência na Universidade” (24/03); Aula 2 – Mesa-redonda “A inclusão no contexto escolar e acadêmico”, com a participação de alunos e servidores com deficiência da UFRGS (31/03); Aula 3 – Oficina sobre “Elementos de audiodescrição aplicada ao contexto acadêmico” (14/04); Aula 4 – Tecnologias assistivas com foco na deficiência visual (05/05).

As inscrições podem ser realizadas até um dia antes de cada atividade pelo link: https://forms.gle/AERN76x2Fj1BGurf8 . Para participar, é necessário inscrever-se em cada dia da atividade. Os certificados serão emitidos individualmente para cada aula assistida.

Conforme os organizadores da atividade, as servidoras Mariana Baierle e Renata Lauermann, coordenadoras-adjuntas do Núcleo Acadêmico do IL, e o professor Vinicius Martins Flores, coordenador da COMGRAD/Letras, o curso não se limita apenas a abordar uma temática relevante: “Almejamos ir além e situar nossos alunos e a comunidade universitária sobre a importância de tratar desta pauta nos dias atuais. Temos um propósito maior em mente e concebemos essa atividade como uma ferramenta de transformação social, como uma alavanca para mudanças de padrões de comportamento e quebra de barreiras atitudinais. Embora possa parecer audacioso, acreditamos que podemos fazer a diferença e contribuir para um mundo mais inclusivo e acessível”.

Novas tecnologias assistivas

Mariana e Renata têm baixa visão e desenvolvem suas atividades na UFRGS com o apoio de tecnologias assistivas e de uma bolsista, a Jennyfer Martins, aluna do curso de Administração Pública e Social. Recentemente, a direção do IL adquiriu novos equipamentos que proporcionam mais autonomia para as servidoras. Mariana, que tem entre 5 e 10% de visão, passou a usar um tipo de óculos inteligente, chamado Orcam, que permite a leitura de qualquer texto. O equipamento é um pouco maior que uma pen drive e fica acoplado na haste de um óculos normal. Ele “fotografa” o texto e imediatamente transforma em áudio o que está escrito, funcionando como uma “leitura em voz alta” para o usuário. Renata, que tem cerca de 30% de visão, ganhou uma lupa eletrônica portátil, em cuja tela aparece ampliado o conteúdo de diversos materiais, sendo possível alterar o tamanho da letra, o contraste e as cores.

As tecnologias foram compradas com recursos próprios do IL e, juntas, custaram cerca de R$ 22 mil. A diretora e a vice-diretora do IL, respectivamente Carmem Luci da Costa Silva e Márcia Velho, afirmam que quando as servidoras apresentaram a demanda houve imediato entendimento da relevância do pedido. Carmem e Márcia destacam que Mariana e Renata atuam em um setor que lida com a vida acadêmica dos alunos do IL, de fundamental importância para o fluxo administrativo dos cursos. Elas acrescentam que o IL está atento para questões não só de inclusão e acessibilidade, mas também para a qualidade de vida da comunidade acadêmica. Márcia acrescenta que espera que a iniciativa do IL inspire outras unidades e setores da UFRGS a observarem as necessidades específicas dos seus membros.

Mariana salienta que os óculos proporcionam mais autonomia não só para executar suas atividades no NAIL, mas também para seus estudos como aluna de doutorado do PPG em Letras. Ela lembra que quando fez o mestrado na UFRGS, há dez anos, precisou do auxílio de dez bolsistas do Núcleo Incluir para digitalizar centenas de páginas de revista, objeto de sua pesquisa, para que então ela pudesse usar o leitor de tela do computador. Com os óculos Orcam, Mariana agora tem autonomia para trabalhar e estudar com textos em livros, folhas avulsas, cartazes e outros meios, sem a necessidade de digitalização prévia. Renata, que faz mestrado no PPG em Educação, também tem usado a lupa eletrônica nas atividades de estudo e se diz feliz com a autonomia conquistada. Segundo elas, os participantes do curso de extensão poderão entender na prática o cotidiano das pessoas com deficiência, os recursos possíveis para auxílio, como bengala, cão-guia, tecnologias assistivas, softwares leitores de tela, audiodescrição, entre outros.

Um dos participantes do curso de extensão será o servidor Maicon Pierre da Silva, do PPG em Educação. Ele tem cegueira total e está animado com a possibilidade de usar o Orcam. “Vou testar os óculos da Mariana e espero poder contar também esse tipo de equipamento”, afirma.

Ao mesmo tempo que demonstram grande satisfação com as tecnologias disponibilizadas, Mariana e Renata fazem questão de ressaltar que somente tecnologia não basta e que é preciso contar também com o apoio humano e com pessoas que verdadeiramente se preocupem com a inclusão e não tenham uma visão capacitista.

Incluir

Estudantes e servidores com deficiência contam com o suporte do INCLUIR – Núcleo de Inclusão e Acessibilidade da UFRGS, que realiza uma série de ações voltadas à promoção de condições de equidade, de acesso ao conhecimento, ao desenvolvimento profissional e cultural.

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