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Migrantes afetados pelas enchentes recebem atendimento especial do GAIRE/SAJU e Mobilang UFRGS

O Rio Grande do Sul e sua capital, Porto Alegre, são o lar de um grande contingente de migrantes, que têm todo o direito de serem recebidos e atendidos em suas necessidades básicas. Frente às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, dois projetos de extensão da UFRGS trabalham dia após dia para atender e auxiliar os abrigados migrantes: GAIRE/SAJU e Mobilang UFRGS. 

GAIRE/SAJU

O GAIRE, Grupo de Assessoria a Imigrantes e Refugiados, projeto de extensão vinculado ao SAJU da UFRGS, presta assessoria jurídica, social e psicológica gratuita para imigrantes, refugiados e solicitantes de refúgio. Hoje, as principais áreas de atuação são a regularização migratória, demandas trabalhistas, reunião familiar, naturalização, trabalho em rede e formações. Prezando pelo protagonismo infantil, possui profissionais e estudantes de diversas áreas.

O projeto manteve seus casos ativos nessa situação de calamidade e, para atender demandas particulares de migrantes relacionadas às enchentes, integrou os Mutirões de Atendimento à População Atingida do SAJU, atendendo os migrantes abrigados com uma equipe especializada. Conjuntamente, o GAIRE encaminha para o CIBAI Migrações os migrantes que tenham perdido documentos. 

“Nos deslocamos aos abrigos e atendemos as pessoas abrigadas, tirando dúvidas jurídicas sobre os impactos trabalhistas, criminais, litígios de família e informamos sobre o acesso aos benefícios disponíveis. Além disso, realizamos segunda via de documentos, encaminhando os formulários de solicitação em parceria com cartórios de Registro Civil”, comenta Beatriz Souza, integrante do GAIRE. 

GAIRE participa de forma colaborativa atendendo migrantes e não migrantes em evento do SAJU

Mobilang UFRGS

O Projeto de Extensão Mobilang UFRGS: Mobilidade, Cidadania e Plurilinguismo, que vem se construindo desde 2022, visa prestar assistência linguística e mediação intercultural para a população migrante, em espanhol e francês, por meio de tradutores e intérpretes comunitários. Sua proposta em meio às enchentes é utilizar a interpretação oral em atendimentos relacionados à saúde, questões jurídicas e administrativas, e traduzir documentos direcionados às populações migrantes. Atualmente, o projeto trabalha com espanhol e francês. Futuramente, pretende-se incluir o crioulo haitiano. 

Atuam no projeto quatro professoras (duas de cada língua), alunos do Bacharelado (para traduções escritas) e aqueles que receberam a formação em interpretação comunitária (para as interpretações orais) oferecida em 2023 no âmbito das horas extensionistas curricularizadas em disciplinas do curso Letras-Bacharelado (Francês ou Espanhol). 

O Mobilang contém uma parceria com o Grupo Hospitalar Conceição, com a Prefeitura de Porto Alegre e com a Secretaria Estadual da Saúde e está em plantão permanente. O projeto foi sondado para várias interpretações em diversas localidades, contendo, também, um plantão para interpretação comunitária no Abrigo da ESEFID/UFRGS. Algumas traduções escritas que já se efetivaram: a cartilha “Como agir em caso de inundação”, da Universidade de Passo Fundo, para o francês; o “Guia do Pré-natal e Puerpério na Atenção Primária à Saúde”, da Secretaria Estadual da Saúde (em conclusão). O próximo documento a ser traduzido para ambas as línguas será o Guia de Proteção Materno-infantil em situação de calamidade (Enfermagem/UFRGS). 

Voluntários do Mobilang prestam atendimento aos migrantes na Esefid

A preocupação maior do projeto se dá no momento em que os migrantes retornarem às suas rotinas. “As demandas maiores certamente virão quando os desalojados voltarem às suas casas e os desabrigados tiverem garantida uma nova moradia, voltarem a frequentar os postos de saúde e se encontrarem diante de situações como a elaboração de documentos para receber os auxílios governamentais e as consultas médicas e junto à Assistência Social”, contam os coordenadores do Mobilang, Patrícia Reuillard, Liliam Ramos e Sandra Loguercio. “As populações atingidas se encontram em uma situação de vulnerabilidade, direta ou indiretamente, em especial aquelas que ainda não dominam totalmente a língua portuguesa”, relatam.

O GAIRE/SAJU e o Mobilang UFRGS estão atuando juntos na tradução da cartilha informativa feita pelo SAJU para o Espanhol e o Francês. A cartilha será enviada aos migrantes atendidos pelos projetos e para todos os assistidos do GAIRE, que são migrantes residentes de Porto Alegre e região metropolitana.

Mais informações nos perfis do Instagram @gairesaju e @mobilang.ufrgs .

Texto: Isadora Piacentini

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