Uma conversa com Jean Piaget e Bärbel Inhelder (2)

Fragmento de: “Uma conversa com Jean Piaget e Bärbel Inhelder” por Elizabeth Hall
Tradução: A tradução do texto a seguir, realizada pela aluna Érica do Espirito Santo Hermel, é fruto de uma atividade voluntária proposta na disciplina Psicologia da Educação II e destina-se aos estudos desenvolvidos nessa disciplina.
Supervisão da tradução: Professor Paulo Francisco Slomp.
Fonte: PIAGET, Jean. A conversation with Jean Piaget and Bärbel Inhelder / by Elizabeth Hall, Jean Piaget, Bärbel Inhelder. In: Psychology today. 1970, vol. 3, p. 25-32, 54-56. Entrevista com J. Piaget p. 25-32, com B. Inhelder p. 54-56. Publicação original em língua inglesa, 1970.

O gigante da psicologia do desenvolvimento e sua colaboradora falam sobre crianças – como elas aprendem, quando aprendem e o quê aprendem.

[Veja a entrevista com Jean Piaget em http://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/entrevista-com-piaget]

Cruzando o Rio Rhone da Universidade de Genebra, do outro lado do lago, o Palácio Wilson localiza-se em um extenso gramado. Canteiros com amor-perfeito florescem junto a árvores alinhadas na margem e abaixo da rua Charles II, o Duque de Bismarck, repousa em seu elaborado sepulcro, guardado por sua estátua eqüestre e por uma revoada de pombos. No muro que rodeia o palácio, uma placa honra à memória de Woodrow Wilson, Presidente dos Estados Unidos e fundador da Liga das Nações.

O Palácio Wilson abriga o Instituto Jean-Jacques Rousseau, uma parte da universidade dedicada à psicologia e à educação. Próximo ao Instituto, ao lado do turístico e ultra-moderno Hotel President, está um jardim de infância onde pesquisadores de todo o mundo estudam o desenvolvimento da mente da criança.

Bärbel Inhelder trabalha em um apertado gabinete revestido de livros no Palácio Wilson. Ela é professora de psicologia do desenvolvimento e começou sua colaboração com Piaget quando era estudante universitária. Juntos eles escreveram mais de nove livros, e ela é autora de mais de 50 artigos. Ela é presidente da Association de Psychologie Scientifique de Langue Française e ex-presidente da Sociedade Suíça de Psicologia. Em 1968, com Piaget, recebeu o prêmio da American Educational Research Association. Foi pesquisadora na Universidade de Harvard e na Fundação Rockefeller e fez conferências no M.I.T., em Princeton, Berkeley, Stanford, Temple e Penn State. (Seu inglês, que tem um leve sotaque alemão, é fluente).

Inhelder se sente atraida pela vida campestre. Ela passa os verões em uma remota cabana nos Alpes, “longe de tudo”. Lá ela depende da luz de vela e tira água do poço; e lá – como Piaget – ela escreve.

Hall: Você sempre planejou tornar-se psicóloga?

Bärbel Inhelder: É sobretudo uma questão do acaso. Eu nasci em Saint Gall, na parte de língua alemã da Suíça. Vim a Genebra para um curso de verão na Universidade. Desejava aprender um pouco de francês. Eu possuía algum conhecimento em biologia e em educação, e então descobri a psicologia e Edouard Claparède e Piaget aqui na Universidade. Inicialmente pensei que estudaria psicologia por uns poucos anos. Então gostei tanto que permaneci para fazer meu doutorado.
Depois de estar na Universidade por umas poucas semanas, primeiramente Claparède e depois Piaget convidaram-me para fazer pesquisas.

Hall: Nos Estados Unidos é raro para uma estudante de primeiro ano ser convidada para fazer pesquisa.

Inhelder: Aqui não é tão raro. Durante meu primeiro ano Piaget convidou-me para estudar as respostas das crianças sobre a questão da dissolução do açúcar na água. Isso precedeu ao nosso trabalho sobre conceitos de conservação. Eu ainda lembro o dia em que Piaget disse: “Veja. Eu tenho algumas idéias sobre isso. Vamos escrever um livro juntos”. Então escrevi meu primeiro livro com Piaget antes de entregar minha tese de doutorado.

Hall: Isso é animador.

Inhelder: Foi um feliz acaso.

Hall: Havia mais do que acaso. O que aconteceu depois que você terminou o doutorado?

Inhelder: Eu voltei a Saint Gall, onde as autoridades do distrito convidaram-me a criar um serviço de psicologia escolar. Lá eu comecei a estudar os processos de raciocínio de crianças mentalmente retardadas e em 1943 entreguei minha tese baseada nesse trabalho. Ela foi publicada em inglês muitos anos depois. (The diagnosis of reasoning in the mentally retarded, John Day, 1968).

Hall: Você não fez nenhuma pesquisa sobre as causas do retardamento?

Inhelder: Eu estava mais interessada no diagnóstico do retardamento do que na determinação de suas causas. No início, meu trabalho era ir de aldeia em aldeia avaliando as crianças, e encontrar a melhor maneira de diagnosticar o retardamento.

Hall: Você descobriu que crianças mentalmente retardadas desenvolviam teorias de conservação?

Inhelder: Elas as desenvolvem muito mais tarde, mas avançam exatamente através dos mesmos níveis que as crianças normais. Usando essa abordagem do desenvolvimento, era relativamente fácil distinguir entre crianças pseudodeficientes e as verdadeiramente retardadas.

Hall: O que causava a classificação de crianças pseudodeficientes como deficientes?

Inhelder: Muitas vezes as crianças foram socialmente privadas. Algumas vezes elas tinham deficiências específicas como dislexia ou afasia. Sob uma abordagem geral, elas tinham todas sido consideradas retardadas. Nós descobrimos que certas deficiências poderiam responder a um tipo específico de ajuda.

Hall: Você chegou a algumas conclusões sobre as causas do retardamento mental?

Inhelder: Não. Eu sou psicóloga. Nós necessitaríamos de uma equipe conjunta de psicólogos, bioquímicos, geneticistas e sociólogos para tentar determinar algumas das causas do retardamento mental.

Hall: Você pensa que somos sempre capazes de determinar o que é ambiental e o que é hereditário?

Inhelder: Eu não estou segura se essa é a maneira correta de indagar a questão. Eu sei que tem sido dada renovada atenção ao problema global da hereditariedade e do ambiente. De fato, é experimentalmente impossível separar os dois fatores no ser humano.

(…)


O texto integral da tradução encontra-se disponível somente aos alunos matriculados na disciplina EDU01012 Psicologia da Educação II.

[Veja a entrevista com Jean Piaget em http://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/entrevista-com-piaget]


Érica do Espírito Santo Hermel foi quem traduziu o texto acima.
Aí vai o recado dela:

“Estou cursando Licenciatura em Ciências Biológicas e moro no município de Alvorada, na Grande Porto Alegre.
Fiz estágio no Laboratório de Micropalentologia por seis meses e no Laboratório de Herpetologia (Zoologia) por um ano. Atualmente (abril de 1997) faço estágio no Laboratório de Neurofisilogia.
Interesso-me pelas áreas de Ecologia, Fisiologia e Zoologia.
Considerei muito interessante a entrevista de Inhelder e espero ter feito um bom trabalho de tradução”.

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