O pensamento do adolescente – Jean Piaget

Fragmento de: O pensamento do adolescente
Autor: Jean Piaget
Fonte: INHELDER, Bärbel e PIAGET, Jean. Da lógica da criança à lógica do adolescente. São Paulo: Pioneira, 1976. pág. 249-260, capítulo 18.

É surpreendente que, considerando-se os excelentes estudos publicados sobre a vida social e afetiva do adolescente — sendo suficiente lembrar, entre outros, os estudos de Stanley Hall, de Compayré, de Mendousse, de Spranger, de Ch. Bühler, de Landis, de Wayne Dennis, de Brooks, de Fleming, de Debesse, dos psicanalistas, como Anna Freud e Helen Deutsch, e de sociólogos e antropólogos como Malinovski e M. Mead — que tão pouco tenha sido realizado quanto ao pensamento do adolescente.

Os poucos estudos minuciosos a respeito são muito valiosos, mas até agora não nos permitiram ter um quadro coerente de conjunto. Os testes de inteligência, por um lado, como os de Terman, de Burt, e principalmente das frases absurdas de Ballard, nos mostraram o caráter hipotético-dedutivo do pensamento formal que se constitui a partir dos 11-12 anos. Alguns trabalhos, de outro lado, sobre o pensamento físico e matemático do adolescente — Johannot, Michaud, etc. — mostraram principalmente os resíduos do pensamento da criança que encontramos durante a adolescência, e isto por uma espécie de permanência dos problemas do plano concreto num plano mais abstrato.

Por isso, neste capítulo final desejamos verificar se os resultados apresentados nos capítulos anteriores, e que se referem ao pensamento experimental de adolescentes que são obrigados a enfrentar aparelhos que os levam simultaneamente à ação e à reflexão, permitem identificar as grandes linhas desse quadro que nem os testes, nem o estudo do pensamento verbal, nem mesmo o do pensamento matemático, permitiram até agora delinear.

Do ponto de vista das estruturas lógicas, os resultados parecem comportar uma conclusão que distingue claramente o adolescente da criança. Este chega apenas a lidar com operações concretas de classes, de relações e números, cuja estrutura não ultrapassa o nível dos “agrupamentos” lógicos elementares ou dos grupos numéricos aditivos e multiplicativos. A criança chega, assim, a utilizar as duas formas complementares da reversibilidade (inversão para as classes e os números, reciprocidade para as relações), mas sem fundi-las nesse sistema único e total que caracteriza a lógica formal. O adolescente, ao contrário, superpõe a lógica das proposições à das classes e das relações, e assim desenvolve, pouco a pouco (atingindo seu patamar de equilíbrio por volta de 14-15 anos), um mecanismo formal fundamentado simultaneamente nas estruturas do reticulado e do grupo das 4 transformações; estas lhe permitirão reunir, num mesmo todo, além do raciocínio hipotético-dedutivo e da prova experimental baseada na variação de um único fator (desde que as outras coisas permaneçam iguais), certo número de esquemas operatórios que utilizará continuamente em seu pensamento experimental, bem como lógico-matemático.

(…)


O texto integral encontra-se disponível na fonte indicada acima.


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