GAME OVER – o adolescente enquanto unheimlich para os pais

Autores: Mário Corso e Diana Corso

Fonte: CORSO, Mário & CORSO, Diana. Game over. In Associação Psicanalítica de Porto Alegre. Adolescência entre o passado e o futuro. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1997.

Mário Corso é membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre e um dos autores de “Educa-se uma Criança”?, Editora Artes e Ofícios.

Diana Lichtenstein Corso é membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre e um dos autores de “Psicanálise e Sintoma Social” Editora Unisinos.

Quem já jogou um videogame qualquer, sabe a sensação de impotência que nos invade quando surge a fatídica expressão game over. Mesmo que tenhamos feito uma boa pontuação, equivale a: “Cara, suas chances acabaram!”. Via de regra, incrédulo, o jogador ainda tenta manipular os controles, numa inútil negação do que as letras da tela decretaram. O que deu foi, acabou.

Esta talvez seja uma boa metáfora do estado de espírito que toma os pais quando seus filhos se tornam adolescentes. Longe de afirmar que os jovens não necessitam mais dos cuidados dos pais, apenas chamamos a atenção para o que ocorre nesse momento.

É uma sensação de que o tempo que eles tinham para educar seus filhos acabou. Os controles não funcionam mais, não respondem. Isso explica inclusive algumas desistências. Não são poucos os pais que, depois da chegada da adolescência dos filhos, jogam a toalha como se não houvesse mais nada a fazer.

O objetivo deste trabalho é versar sobre o caráter traumático do fim da infância para os pais do recém inaugurado adolescente. Muito se fala no luto do adolescente pela infância, pelo corpo infantil, pelos pais da infância… enfim. Ocorre, porém, ao que parece, que os mais enlutados na situação, os que perderam esse corpinho de criança tão bom de apertar e cheirar, os que perderam o seu papel de poderosos e amados, são precisamente os pais!

A criança tem suas perdas, e falaremos delas, porém a adolescência não é algo que a criança impinge aos pais, por obra e graça das transformações biológicas. Precisamos admitir que a família não responde ao surgimento da adolescência passivamente, ela a constrói passo a passo e baliza cada um dos seus momentos.

Talvez, se encontrarmos os pontos frágeis da relação dos pais com seus jovens filhos estaremos mais próximos da origem das abordagens mais pessimistas que fazemos da adolescência contemporânea. Mais do que partilhar do alarmante que podem ser determinadas vivências adolescentes, os perigos, as irresponsabilidades, etc, pensamos que há nesse modo de ver uma postura bastante preconceituosa por parte dos ditos adultos. O adolescente suscita resistências em seus pais e em todos aqueles que se identificam com a posição de adulto, mas por quê?

(…)


A obra completa encontra-se disponível na fonte indicada acima.


Um comentário em “GAME OVER – o adolescente enquanto unheimlich para os pais”

  1. Acredito que é tudo uma busca por ser reconhecido, afinal ele passou anos de sua vida reconhecido seus pais, sendo cuidado, protegido e agora quer mostrar o contrario quer mostrar que aprendeu as lições, quer ser reconhecido e muitos pais tem problemas com isso…

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