2/3 de um rosto que olha
3/5 de boca que ri
¼ de memórias
1 corpo inteiro que dança
2/2 de uma foto que lembra
1 enquadramento de muitas partes que falam


“será que fica pronto a tempo?”
caminha e entra por essa porta aqui
nos convida a sentar e sentir
uma manhã de domingo enquanto a chaleira chia
vai colocando fermento aos poucos
sentindo por entre os dedos a liga
espera com duas xícaras de café
o tempo sentir que está
Entra, fica à vontade…
à espera, duas pessoas se olham
conversa mansa
de olhar profundo terno
você vê?
Esse outro que está na sua frente?
close nos aproxima
da pele
da boca
do fundo do olho

escuta
olha
vê
Aceita um pedaço de maçã?
um colo?
um sorriso?
um cafuné?
Amar e “transformar as coisas me interessa mais”
já disse belchior
já repetimos tantas vezes
“vivenciar o que se quer, o que se sonha”
porque viver não é bolinho
é pão que se faz e come todo dia
é preciso
“respeitar o processo do pão crescer”
Leva
Tempo
T
E
M
P
O
Quem mede tempo? Se conta em gotas ou de balde? Os dois?
Ah, sim, também.
Acordar e dançar
dar bom dia para o corpo que move
e passeia nos dedos da câmera
enquanto outro procura
acha
fuma
liga o fogão
enquadra na cozinha de uma casa de cestos de frutas
e fogão a lenha
aprofunda na leveza da conversa do cotidiano

Respeita o processo do pão crescer.
É sempre bom lembrar

Organismo vivo, que cresce
a dança de lençóis
de sorrisos e olhares
que também dançam
enquanto outro angustia
na sua bagunça

Fermenta e age, reage
Digere
Come uma maçã, um pedacinho, quer?
Nossos olhos dançam pelo espaço
o cotidiano nos absorve
doce
até não ter mais
Para
Tudo!
a tela cheia e preta nos conta o que se passa por dentro
a dança agora é da foto parada
dos entrelaços de imagens que absorvem as palavras
sentimentos tem imagem?
“e se a gente for impulsivo e ficar esperando esse momento que nunca chega?”
“por quanto tempo eu vou olhar e não enxergar…
NADA?”

De novo
“tu vê meu corpo com amor?”
“me dá a mão”
“te faço um convite”
“tu vê meu corpo com amor?”
EU NÃO TE VEJO QUANDO TE OLHO
percorremos o espaço dessa casa de muitos cômodos
e corpos
o simples para olhar de fora pra dentro
e dentro pra fora
conviver
con.vi.ver
michaelis
“ter convivência, ter intimidade ou viver com outrem.
relacionar-se amigavelmente ou dar-se bem.
experimentar situações difíceis; aguentar, suportar.”
experimentamos essa existência de habitar no mesmo espaço
a coexistência
existir com o outro
e poder habitar no espaço singular de cada um
com todos
o cotidiano
de conversas e bolo e pão e café
à espera da noite de um prêmio
será que está tudo ok?
Será que fica pronto a tempo?
Dança a dança do dia
e quebra tudo de noite
com calma
com pressa
com tesão
“Eu não quero um futuro que a gente tenha que lutar muito para que aconteça.”
* Fotos: prints da apresentação do dia 04/08/2021
***
Sinopse:
VAI ROLAR UM GRANDE EVENTO!
E se queremos estar nele a noite, precisamos começar a nos preparar pela manhã. O reflexo do futuro é exposto dentro da residência e ele é real. Expectativa, preparação, vontade, sonhos com sede de serem realizados. Esperamos.
Será que vai dar tempo?
Ficha técnica:
Realização: Espiralar Encruza
Elenco: Aterna Pessoa, Eslly Ramão, Gabi Faryas, Letícia Guimarães, Maya Marqz, Phill e Vivian Azevedo.
Direção: CIRAdias
Dramaturgia: O grupo
Adaptação do Roteiro: CIRAdias, Gabi Faryas e Aterna Pessoa
Filmagem: Thiago Lazeri
Edição: Thiago Lazeri
Trilha Sonora: Pedro Spieker
Arte gráfica: Aterna Pessoa e Anelise De Carli
Produção: CIRAdias e Eslly Ramão
Comunicação: Letícia Guimarães e Vivian Azevedo
Orientação: Celina Alcântara
Duração: 25 minutos
Classificação: + 14 anos
Limite de público: 25 ingressos por apresentação
Estágio de atuação de Maya Marqz
Qorpo Qrítico – Vol. 03, n. 07, junho a setembro de 2021. ISSN 2675-4207.
