Este comercial da SKY é mais um entre tantos que insere um personagem homossexual em características estereotipadas para compor o figurino, atuação e cenário. A SKY já havia construído um personagem homossexual no ano de 2010, sob a atuação de Giba, reconhecido como jogador de vôlei da seleção brasileira.
Esse anunciante veicula de forma reinterada o salão de beleza como espaço possível de inserção das minorias sexuais. Os dois personagens criados pela SKY, tanto o Jeff de 2010, quando o Chefe de agora, tem seus figurinos parecidos, como um colete, calça mais justa, lenço no pescoço, uma atuação que demonstra trejeitos femininos e emotividade.
Essa apropriação de representações para compor os personagens revelam alguns elementos que os anunciantes utilizam para construir seus personagens a partir de conceitos estereotipados das homossexualidades. Eles inserem esses personagens nas relações de poder entre a norma heterossexual e as minorias, delimitando relações desiguais, ao remeter através do humor visando a identificação do receptor com o comercial.
Esse comercial, ao inserir o personagem-mote como um cabeleireiro, revive condutas estigmatizadas que vem sendo reafirmadas socialmente e esteticamente. Ao construir a representação em um salão de beleza e inserir seu personagem-mote como um homossexual que tem trejeitos afeminados, a peça confina a espaços possíveis as vivências das homossexualidades.
O cabeleireiro acabou sendo um “ícone” das homossexualidades, e faz parte da história das representações na publicidade há mais de 30 anos. A figura do cabeleireiro homossexual ainda serve para reforçar aquilo que foge a norma heterossexual, como acontece no caso do cabeleireiro representado pela SKY.

