Grupo Dignidade – Eu Odeio Berinjela

O comercial do Grupo Dignidade foi escolhido pela Rede Globo de Televisão
para veicular como uma das peças publicitárias que fizeram parte de uma ação da emissora para a promoção do respeito mútuo. Além de estar em umas das emissoras com maior audiência, também veiculou nacionalmente, o que gerou grande visibilidade.

A peça mostra em sua maioria personagens dentro do padrão estético, propõe umargumento de não desrespeitar a orientação sexual do outro. Mas mesmo assim, causou grande polêmica tanto entre a comunidade LGBT como entre as pessoas com um pensamento mais conservador.

Na comunidade LGBT algumas pessoas acharam a peça publicitária de grande mau
gosto ao comparar a opinião sobre um alimento com a orientação sexual das pessoas. O mal estar deu-se porque a peça leva a entender que você pode detestar uma pessoa LGBT, assim como pode se imaginar cometendo várias atrocidades contra essa pessoa, porém deve manter isso em sigilo. Ou seja, deve “respeitá-la”, mas ao mesmo tempo não conscientiza para que as pessoas não propaguem seu ódio. Apenas diz que elas devem ficar com esse pensamento para elas, sem instigá-las a desconstrução desse ódio gratuito.

Já para as pessoas com um pensamento mais conservador foi de total afrontamento
colocarem duas pessoas do mesmo sexo se beijando em um comercial, mesmo que esse beijo tenha sido apenas um selinho. Tanto ficaram incomodadas que entraram com um pedido no Conar para que a peça não veiculasse mais. Neste ponto podemos perceber que essas pessoas não entenderam o sentido do “você pode discordar, mas tem que respeitar” uma das falas que é dita no comercial para corroborar com o mote da campanha.

Se olharmos pelo prisma da comunidade LGBT vemos que é um comercial
necessário, porém com falhas que mostram um despreparo no fator conscientização. Há necessidade de respeito, porém o texto do vídeo não desconstrói o discurso de ódio, apenas diz que você deve guardá-lo para você. Fora a comparação de odiar uma pessoa com o “não gostar” de um alimento.

Percebemos que a comunidade conservadora nem se questionou sobre
seu papel de “respeito” quando viu o comercial e pensou em tirá-lo do ar. As pessoas que de fato deveriam pensar sobre seu ódio, nem sequer pensaram em guardá-lo para si. O expuseram em formato de repulsa ao comercial e ao discurso de respeito.

Observamos que esta campanha atingiu uma parcela grande de pessoas, porém o
que ela passou para essas pessoas? Também fica o questionamento do porquê o casal gay beijasse na boca enquanto o casal de lésbicas se beija no rosto e se dão as mãos? Essa seria uma estratégia da própria agência, achando que o beijo gay poderia ser melhor aceito do que o beijo lésbico já que a campanha seria veiculada nacionalmente?

Mesmo com todos os questionamentos que surge ao assistir o comercial, o enquadramos na categoria Desconstrucionistas por não estereotipar nenhum dos personagens.

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