Hoje, no blog do Folhetim, começamos a publicação de resenhas críticas de alguns dos livros que passam por nós aqui na Rádio da Universidade. Nessa ocasião, o livro passou pelo nosso programa no ano passado, e em outras oportunidades também já foi citado na nossa programação.
Uma pequena grande leitura
“As horas não importam mais”, obra de Kelli Pedroso, é um romance especial. Ele vêm com características próprias. É sintético, mas ao mesmo tempo não é simplório, o que o torna intenso em detalhes.
Em uma história de atos repentinos e incisivos, a protagonista se mostra em uma trama tão simples quanto catártica. Apesar do texto exíguo, a narrativa não deixa a desejar em nada quanto a tensão necessária ao abordar os temas ali tratados, como a violência doméstica e desamparo emocional.
Ao percorrer o interior do Rio Grande do Sul, a personagem coloca em perspectiva suas memórias e medos ao longo de uma BR-290 típica, trazendo a tona situações encadeadas e igualmente complexas de uma mulher em busca de respostas. Em uma cenário de passagem, onde ninguém prestaria maior atenção ás pessoas do que a paisagem, a personagem se envereda na tentativa quase mecânica de impedir que outros sofram como ela.
A autora mantêm sob a sobra do texto situações impronunciáveis, mas que ficam sob a luz da poesia. Os temas grandiosos que recheiam as páginas compõe com as paisagens abertas um ambiente disponível para reflexão da personagem pelos kilometros tragados no trajeto.
Com 11 capítulos de uma edição bem preparada, o romance de estreia da autora cumpre o papel que se propõe. É pequeno em tamanho, mas é uma grande leitura.
As Horas Não Importam Mais
Ano: 2017 / Páginas: 72
Editora: Pergamus
Pedro Palaoro