Introdução (Make Fabico Weird Again #1)

Por Larissa Lima

A edição #1 da Make Fabico Weird Again nasce de um experimento coletivo dentro da eletiva Seminário de Cultura e Comunicação. As cadeiras em círculo já diziam muito. Ninguém se escondia no fundo, ninguém passava batido. Um formato incomum para a maioria das matérias, onde a conversa fluía de um jeito diferente. Era impossível ficar só ouvindo – a aula dependia de nós, das nossas vozes, dos nossos olhares, das nossas provocações.

Nosso professor, Marcelo Bergamin Conter, trouxe leituras que nos fizeram mergulhar na música de um jeito que a gente nem imaginava. Discutimos tudo: produção, consumo, técnica, análise de álbuns, cenas musicais, cultura, gênero… Por mais que tivesse um texto específico, a aula-conversa sempre nos surpreendia.

O fio que costurou tudo foi a música. Mas não só como som – como cultura, como expressão, como cena, como disputa. Do estúdio pra rua, do pop ao rap, da técnica ao grito de torcida. E nada disso se separa. Tudo se conecta de alguma forma. Falamos sobre a cena musical em espaços públicos, sobre como Porto Alegre tem sido silenciada por políticas que enfraquecem a cultura de rua pela atual gestão M3lo. Foi um semestre para perceber a música como reflexo social, mas também como possibilidade de construção.

Enquanto uns foram pra rua sentir o pulso da cidade, outros mergulharam em pesquisas. DJs, produtores, MCs, fãs. Todo mundo ali na aula ou aqui na #MFWA fala de música porque sente a música. A cada aula, a cada debate, ficava claro que isso aqui não podia acabar na última página daquele semestre. E é assim que nasce a Make Fabico Weird Again.

Essa fanzine é um culto à música, um registro do semestre 2024/2, indiretamente agindo como um mobilizador cultural pós enchente, mas também um movimento. Porque a música não existe sem encontro, sem troca, sem som. A #MFWA é um espaço físico e digital para reunir, compartilhar, ampliar. Porque música é isso. E porque o silenciamento, por mais que se tente, nunca é capaz de abafar a potência sônica das linhas de fuga.

Mas às vezes, ele impõe seu desconforto. O silêncio que Dimas deixou não se mede. O pulsar da sua presença também não. Essa primeira edição é nossa, mas também é dele. Que siga ecoando.

Publicada na edição #1 da revista digital Make Fabico Weird Again.
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), UFRGS, dezembro de 2024.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *