Como o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor na fala afeta a infância?
Os primeiros anos de vida de uma criança são determinantes para o desenvolvimento adequado da linguagem. A capacidade de se comunicar é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de uma criança. Quando esse processo de desenvolvimento é atrasado, outras áreas da vida dela são afetadas de diferentes maneiras, pode causar frustração ao não conseguir se comunicar efetivamente com os outros, pode abalar a autoestima e a confiança da criança. A sensação de se sentir diferente em comparação a outras crianças pode se tornar presente, o que prejudica o seu desenvolvimento emocional. A pandemia foi uma barreira no desenvolvimento de muitas crianças e este é um ponto a ser citado e aprofundado na matéria.
No entanto, é importante frisar que o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor pode ser tratado e superado com a intervenção adequada de um profissional da fonoaudiologia, em conjunto com profissionais de outras áreas, como pediatra, neuropediatra, psicólogo, fisioterapeuta, entre outros. Para a construção dessa reportagem, vou conversar com uma fonoaudióloga especialista em transtornos de linguagem e fala na infância para entender como identificar os sinais de atraso, aprofundar em questões sobre o tratamento, discorrer sobre o que pode atrasar o desenvolvimento de uma criança, entre outras perguntas norteadoras. Outra questão importante a ser esclarecida na matéria é a diferença entre o atraso na língua e o atraso na fala.
Também vou falar com o médico supervisor do programa “Arena”, um projeto criado para facilitar o diagnóstico de alterações no desenvolvimento infantil em parceria com o SUS e a Prefeitura de Porto Alegre, com enfoque na avaliação multiprofissional simultânea das crianças. O modelo proposto pelo projeto avalia crianças de 0 a 12 anos, com profissionais das áreas de psicologia, pediatria, terapia ocupacional, nutrição, enfermagem, neuropediatria, fonoaudiologia e fisioterapia.
E para mostrar os impactos na infância, vou entrevistar Lis, uma menina de 5 anos que foi diagnosticada com transtorno na língua, que progrediu para um transtorno na fala. Quero trazer a visão da criança para a matéria, até porque é delas que nós estamos falando. É importante que ela tenha voz e conte como se sente com o diagnóstico e como isso pode ter prejudicado a sua infância. Claro que ao conversar com uma criança é preciso ter tato e sensibilidade de entender que assuntos como este pode inibi-la, e para isso, as perguntas são voltadas para o seu cotidiano, seus hobbies, seus amigos. Tudo que para ela é comum e rotineiro e que seja fácil de falar sobre. Os pais da Lis também vão participar da matéria trazendo a visão da família sobre o diagnóstico. Vou entender como eles estimulam a Lis para que ela se desenvolva e o que precisaram mudar para ajudá-lá.
Possíveis fontes:
Lis e seus pais – A Lis é uma criança que teve atraso no desenvolvimento da linguagem que se transformou em um atraso na fala. Ouvir ela e a sua família é crucial para entender os impactos na infância, pensando nisso, preparei perguntas sobre o cotidiano dela, para que ela se sinta à vontade a conversar e contar um pouco sobre ser criança e como o atraso no desenvolvimento na fala afeta a sua infância. Acho importante também fazer as perguntas da forma mais dinâmica possível, sempre trazendo exemplos do que eu quero saber e incentivando ela a se abrir.
Letícia Pacheco Ribas – Fonoaudióloga, Professora Associada do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), PhD em Linguística Aplicada e sócia e responsável técnica da Clínica da Linguagem. Atua, pesquisa e supervisiona as áreas da aquisição de linguagem e transtornos de fala e linguagem na infância.
Renato Coelho – Médico pediatra. É supervisor do projeto de extensão “Arena”, que facilita o diagnóstico de alterações no desenvolvimento infantil, com enfoque na avaliação multiprofissional simultânea das crianças.
Perguntas iniciais:
Lis:
- O que tu gosta de fazer no teu dia a dia em casa?
- E fora de casa? O que você gosta de fazer?
- Me conta o nome dos teus amigos e o que vocês gostam de fazer juntos.
- O que pra ti é fácil de fazer? E o que é difícil?
- Tu acha que tem alguma dificuldade na hora de falar, escrever e se comunicar com seus amigos e familiares?
- E tu acha que isso te atrapalha com o que?
Família da Lis:
- Quais foram os primeiros sinais de atraso no desenvolvimento que a Lis apresentou?
- Como vocês lidaram com o diagnóstico?
- O que mudou na rotina para ajudar a Lis?
- Quais foram os principais impactos que sentiram ela sofrer?
- Em que fase está o tratamento?
Médico pediatra:
- Me conte um pouco sobre a tua trajetória tratando crianças com atraso no desenvolvimento da fala.
- Como surgiu o projeto Arena? Qual é o intuito?
- Como é feito o encaminhamento da criança para lá?
- Por que é importante ter vários profissionais na avaliação? Como a avaliação é feita?
- Com a avaliação feita, quais são os primeiros passos no tratamento?
- Quais os desafios no tratamento?
Fonoaudióloga:
- Quais são os sinais para ficar atento em um possível atraso de desenvolvimento na fala?
- Quando procurar a fonoaudióloga?
- A pandemia prejudicou o desenvolvimento de muitas crianças. Quais foram os efeitos? Como contornar isso?
- Como os pais podem auxiliar no desenvolvimento?
- O que pode atrasar o desenvolvimento de uma criança?
- Qual é a diferença do atraso na língua e do atraso na fala?
- Com a avaliação feita, quais são os primeiros passos no tratamento?
- O que pode atrasar o desenvolvimento de uma criança?
Possíveis fotos:
- Fotos da Lis com a família, no seu quarto, brincando, desenvolvendo alguma atividade;
- Foto da Clínica da Linguagem focada nos ambientes estimuladores para crianças, com crianças no ambiente, sem identificar;
- Foto de uma avaliação no projeto Arena.
Recursos multimídia:
- Fotos não usadas na matéria;
- Áudios das entrevistas.
Redes sociais:
- Post com indicação de podcast sobre bullying na infância;
- Post nas redes com dicas de como estimular o desenvolvimento das crianças;
- Serviço sobre atendimento para crianças com suspeita de atraso.
LINKS:
Atraso na fala das crianças deve ser motivo de preocupação para os pais?
Distúrbios da fala e da linguagem na infância
Mãe descobre diagnóstico inesperado para o atraso de fala do filho
O impacto do isolamento social no desenvolvimento intelectual das crianças no Brasil
Quando se preocupar com o atraso na fala de bebês?
Projeto propõe novo formato para avaliação do desenvolvimento infantil
Tempo de tela em telefone e TV é associado com lentidão no desenvolvimento infantil; entenda
Da pauta à reportagem
Saí da reunião em que definimos “língua” como o tema dessa edição com a cabeça fervilhando de ideias. Eram tantos assuntos possíveis para abordar que eu não sabia por qual caminho seguir. Durante a tarde daquele mesmo dia, pensei na história da minha irmã mais nova, Martina. A Martina teve dificuldade para desenvolver a fala por conta de um problema de audição e precisou passar por anos de tratamento com fonoaudióloga. Inspirada na história dela, eu escolhi falar sobre como o atraso no desenvolvimento da fala impacta a infância de uma criança.
Com a pauta definida, comecei a procura por fontes. Conversei com uma amiga que é estudante de fonoaudiologia, que me indicou a Letícia Pacheco, fonoaudióloga especialista em linguagem, para falar sobre o assunto. Achei importante iniciar as entrevistas com uma especialista na área, para entender mais sobre o problema e como abordá-lo. Letícia me explicou tudo que eu precisava saber e me deixou segura para seguir para a próxima fonte.
Foi a Fabiana Menezes, fonoaudióloga que faz parte do Conselho Editorial desta edição da revista Sextante que me ajudou a achar a Lis, uma criança de cinco anos que estava tratando o atraso na fala. Fui muito bem recebida por ela e pelos seus pais, Tatiane e Ricardo. A Lis é uma criança cheia de personalidade, cantou, brincou e me contou um pouco da história dela. Os pais me ajudaram complementando todas as informações do tratamento. A hora em que passamos juntos foi importante para eu conhecer a Lis e acompanhar um pouco a rotina da família. Foi ali que realmente nasceu minha reportagem.
Para finalizar, busquei os responsáveis pelo Arena, um projeto do SUS de avaliação do desenvolvimento infantil. Foi o pediatra Renato Santos Coelho que me contou mais sobre o projeto e como ele busca ajudar as crianças de Porto Alegre. Como eu queria abordar na reportagem as formas de tratamento e a necessidade dos pais estarem atentos ao desenvolvimento das crianças, achei importante trazer esse projeto para a matéria e mostrar os tratamentos disponíveis.