comissão editorial
Aquilo que nos une
Língua. Você já pensou na sua? No idioma no qual você se expressa, nos sabores que prova, nas expressões e caretas que reproduz, na intimidade de um beijo ou no isolamento da incompreensão. O modo como interagimos, entendemos e sentimos o mundo passa por ela. E mesmo quando a língua, órgão físico, não existe, uma outra língua é aprendida nos sentidos, nos gestos e nos artefatos. Se esse músculo rosado não passa de 10,8 centímetros nos humanos, a linguagem em suas variadas formas pode se estender ao infinito.
Por meio dela, podemos nos comunicar não só como repórteres, mas como parte de uma sociedade. Na fala e nos gestos expressamos afetos, conhecimentos, pensamentos e descontentamentos. No texto, na tela e no som utilizamos as tecnologias criadas ao longo da história para deixar nossa marca no tempo e no espaço.
A verdade é que o tema da Sextante 62 começou com gosto de desafio. No início, de tão amplo, ele parecia até difícil de colocar em palavras. Após a escolha, nos conectamos para conceber quais seriam as melhores pautas para tratar da ideia e expandir mais ainda o olhar para a realidade à nossa volta. Cada um dos 16 repórteres que assinam seu nome nesta edição da revista não só presenteiam os leitores com boas histórias, mas também com muita informação.
Graças às vivências com nossas fontes, pudemos entrar, pelo menos por algumas horas, em seu cotidiano, o que com certeza transformou nossas vidas. Além desses aprendizados, muito conhecimento foi trocado com o conselho editorial, que conta com grandes profissionais ligados ao tema. Eles trouxeram para a sala de aula uma realidade nova para nos atentarmos nessas e em todas as nossas próximas apurações.
Sinta-se à vontade para entrar e pegue um bom lugar para essa viagem entre palavras, línguas e dialetos. Olhe para os lados, aprecie a expressão corporal das pessoas à sua volta. Leia um livro, e então outra tradução da sua obra favorita. Converse com um amigo. Dialogue com cada um dos textos e imagens ao longo das próximas páginas. Afinal, a palavra ideal para cada momento é a que sempre esteve na ponta da língua.
Comissão editorial
editorialsextante@ufrgs.br
professoras-editoras
Língua(s)
Se alguém perguntasse o significado da palavra língua, o que você diria? Pensaria no órgão muscular, situado na boca e na faringe, responsável pelo paladar, por auxiliar na mastigação, na deglutição e na produção dos sons? Ou lembraria primeiro do significado de língua como conjunto de palavras e regras que os indivíduos usam como meio de expressão? Também pode ter vindo à mente algum sentido figurado do termo. Mas, se você acionou outra lembrança, tudo bem. Afinal, essa palavra tem mais de dez significados no dicionário.
Apurar e escrever reportagens sobre esse tema, portanto, representou uma travessia dos repórteres por vários sentidos. Fontes de diferentes localidades, raças, sexualidades, idades e perspectivas foram entrevistadas para ajudar a compor essa diversidade em torno da língua. Também tivemos um conselho editorial com profissionais de inúmeras áreas que nos ajudaram a cercar o tema.
Nesta edição, inauguramos nossa parceria como dupla de professoras-editoras da Sextante. E, no processo intenso de produção de uma revista, em meio às (re)leituras de textos em diferentes versões, edição de fotos e tantas escolhas editoriais, fica a certeza de que os repórteres reforçaram algo que tanto acreditamos: o papel fundamental do jornalismo de apresentar a pluralidade da sociedade. Ele não é cumprido sem a diversidade de vozes, incluindo as de crianças e adolescentes, as quais não costumam ser ouvidas pelos jornalistas.
A dobradinha do sentido de língua enquanto órgão e como linguagem é evocada quando Caetano Veloso canta: “gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões”. Ele ainda pergunta, na música que leva o nome dessa palavra com tanta personalidade: “o que quer, o que pode esta língua?”. Vamos descobrir alguns desses poderes e quereres nas próximas páginas. Boa leitura!
Thaís Furtado
thais.furtado@ufrgs.br
Gisele Reginato
gisele.reginato@ufrgs.br