Como gêmeos desenvolvem sua individualidade dentro da dinâmica de dupla?
Possíveis títulos:
- Em dose dupla;
- A vida em duplicidade;
- Dois do mesmo;
- Carne e unha, alma gêmea;
- Parecido, mas diferente.
Enfoque: De que forma irmãos gêmeos constroem sua própria identidade, mesmo sendo constantemente associados um ao outro? Como constroem os significados da sua presença no par e também a noção de “si mesmos”?
Contexto: A gravidez gemelar acontece quando o ovário libera mais de um óvulo e cada um deles é fecundado por um espermatozoide (gêmeos bivitelinos), ou então quando apenas um óvulo é fecundado por um espermatozoide e se divide, originando dois embriões (gêmeos univitelinos). “A probabilidade de uma mulher engravidar de trigêmeos naturalmente é de 1 para 6,4 mil, de quadrigêmeos, de 1 para 512 mil. No caso de gêmeos, a probabilidade é de 1 para 80”, explica o ginecologista e obstetra Arnaldo Schizzi Cambiaghi, diretor clínico do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), em entrevista para a revista Crescer, da Globo.
De acordo com Alfonso Massaguer, diretor clínico da Medicina de Atendimento Especializado (MAE), e membro da sociedade Americana de Reprodução Assistida (ASRM), mais de 2/3 das gestações múltiplas são de bebês bivitelinos e pouco menos de 1/3 é de filhos idênticos. Nesse contexto, as estimativas apontam que gêmeos idênticos representam cerca de 4 em cada 1000 nascimentos. Alguns fatores podem aumentar as probabilidades de uma gravidez gemelar, como a predisposição genética ou uma predisposição à superovulação.
Os gêmeos idênticos são raros e podem representar um desafio aos pais, que devem criar duas crianças de mesma idade, gênero e aparência. Como os gêmeos se enxergam dentro dessa relação de par? Como construir a noção de “si mesmo” se você está sempre atrelado ao outro?
A figura dos gêmeos é muito presente dentro dos mitos, especialmente na cultura grega e romana. Ártemis e Apolo são irmãos gêmeos filhos de Zeus e Leto e nasceram na Ilha de Delos, no mar Egeu. Segundo os mitos gregos, Ártemis é a deusa da caça e da lua, enquanto Apolo é o deus do sol, da profecia, da cura e das artes. Ambos integram o panteão dos deuses gregos e seus domínios de poder refletem ao mesmo tempo uma dualidade: enquanto um representa a Lua, o outro representa o Sol. Dessa forma, são vistos como “complementares”, já que sempre que se fala em um, se pensa no outro.
A pauta busca explorar a formação da identidade de uma pessoa que possui um irmão gêmeo; entender a importância da existência de um “outro eu” no mundo, que é parecido mas também é diferente. Para isso, pensamos em construir nossa reportagem de duas formas:
- Reunir nossas quatro fontes (que foram elencadas abaixo), uma dupla de gêmeas univitelinas e uma dupla de gêmeas bivitelinas, e promover uma conversa entre elas, relatando suas experiências de vida como irmãs gêmeas. Além disso, destacar a diferença que ocorre na criação de identidade de irmãs gêmeas idênticas e não-idênticas. Essa ideia foi construída a partir da reunião com o Conselho Editorial, em 9 de abril de 2024.
- Se não for possível reunir as quatro fontes, nossa prioridade será entrevistar as irmãs gêmeas idênticas. Para aprofundar a reportagem, iremos desenvolver a perspectiva da dualidade de irmãos gêmeos vistos nas mitologias e trazer mais fontes da área da saúde.
Fontes documentais
Reportagens, notícias, artigos:
- Relação Materna na Construção da Identidade de Gêmeos
- Superinteressante – Gêmos: A vida no plural
- Cultura, crenças e práticas de socialização de gêmeos monozigóticos
- Os processos de autonomização identitária dos irmãos gémeos: trajetos na família, na escola e no grupo de pares
- “É meu primeiro amor da vida”: por que conexão entre gêmeos é mais forte?
- Hierarchy of attachment figures among adult twins and non-twins
- O forte laço que une os irmãos gêmeos
- Por que nunca nasceram tantos gêmeos no mundo quanto agora
- Números de nascimentos de gêmeos é o maior da história, diz estudo
- Em 30 anos, incidência de nascimentos de gêmeos aumentou em pelo menos 10% em mais de 70 países, segundo pesquisa de Oxford
- O mistério da ‘cidade dos gêmeos’ brasileira
- Gêmeos univitelinos e bivitelinos: quais são as principais semelhanças e diferenças entre eles?
Possíveis fontes para entrevista:
- Gabriela Santos da Rosa (@gabirosa1307) e Nathália Santos da Rosa (@nathi_rosa13). São gêmeas univitelinas, cursam Administração na UFRGS e são maratonistas. Antigamente, também jogavam handebol juntas.
- Márcia Dihl (51 9256-9449), assessora de comunicação, e Mariana Dihl, nutricionista. São gêmeas bivitelinas e, atualmente, mães. Podem trazer a perspectiva de gêmeas não-idênticas e relacionar a maternidade com a própria infância.
- Moisés Romanini (51 98293-4903), Doutor em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS, professor da cadeira de Psicologia Social. Pode nos ajudar a trazer a questão da criação de identidade entre gêmeos.
- Bruno Baraldo (@bruno.baraldo), professor de matemática e filosofia; Doutorando e mestre UFRGS/ UNIBO. Compõe o Conselho Editorial da 63ª edição da Sextante. Pode nos ajudar a explorar os gêmeos nas mitologias.
Possíveis perguntas para os gêmeos:
- Quando foi a primeira vez que vocês se deram conta que eram gêmeas?
- Como foi entender o que significava ter uma gêmea?
- Como vocês eram diferenciadas pelos pais quando bebês?
- Qual a principal memória da infância que remete a isso?
- Vocês desenvolveram atividades separadas durante a infância?
- Vocês estudaram juntas? Como era?
- Vocês são próximas? É verdade que gêmeos têm uma conexão telepática?
- Vocês priorizam fazer atividades juntas ou separadas? E por quê?
- Como é entender a própria identidade separada da irmã? / Como é entender a si mesma quando se tem uma pessoa idêntica a você?
- Como a percepção da própria aparência se relaciona com a aparência da irmã?
- Como a percepção da própria personalidade se relaciona com a da irmã?
- Vocês possuem alguma história engraçada que envolva vocês serem gêmeas?
- Vocês sentem necessidade de se diferenciar uma da outra?
- Vocês ficam chateadas quando são confundidas uma com a outra?
- Tem algum aspecto que vocês não gostam por serem gêmeas?
- Além da aparência, vocês se consideram parecidas uma com a outra em questão de gostos, estilos, preferências?
- Ter uma gêmea tem algum impacto diferente na vida adulta ou é mais relevante durante a infância/adolescência?
- (Para as jovens) Vocês têm interesse em ter filhos? Pensam na possibilidade de também ter gêmeos?
- (Para as mães) Como é a percepção de vocês da maternidade? A infância das filhas é diferente da de vocês por elas não serem gêmeas?
Possíveis perguntas para os especialistas:
- A criação de filhos gêmeos univitelinos é mais complicada que a de bivitelinos?
- Como estimular o desenvolvimentos de personalidades singulares durante a infância?
- Mesmo sendo prejudicial, por que muitos pais ainda vestem seus filhos gêmeos de maneira idêntica?
- Irmãos gêmeos idênticos podem ter mais dificuldade na construção de suas próprias identidades?
- Como um profissional da saúde, como psicólogo, pode auxiliar nas questões de identidade de irmãos gêmeos?
- De acordo com uma pesquisa da Universidade de Oxford, em 30 anos, houve um aumento de pelo menos 10% na incidência do nascimento de gêmeos em mais de 70 países. Por que isso ocorreu?
Fotos:
- Fotos das fontes durante a entrevista;
- Foto das gêmeas univitelinas uma de frente para a outra (como se imitasse um espelho);
- Fotografias de infância das gêmeas, álbuns de fotos, quadros, porta-retratos, memórias.
Recursos multimídia:
- Galeria de fotos das gêmeas em diferentes momentos: na infância, na escola, praticando esportes, em festas…;
- Como pretendemos entrevistá-las pessoalmente, pensamos em deixar um vídeo com alguns trechos da entrevista.
Conteúdos para as redes sociais:
- Indicação de filmes e séries que tenham gêmeos como protagonistas. No Instagram e no Facebook, é possível fazer um carrossel com um breve resumo do filme (ano, sinopse); no Twitter, é possível adaptar para uma thread.
- Operação Cupido;
- Zack e Cody: gêmeos a bordo;
- O Iluminado;
- The Vampire Diaries: explorar o conceito de Doppelgänger;
- Mulheres de Areia – Rutinha e Raquel.
- Para estimular a curiosidade dos seguidores antes da revelação do tema da revista: “Qual a semelhança entre esses personagens?” Um carrossel no Instagram/ Facebook e tweet único com quatro imagens.
- Ártemis e Apolo;
- Irmãs Olsen;
- Rômulo e Remo;
- Elena e Katherine.
- Fotografias dos cases. Fazer um carrossel composto por três imagens: os gêmeos na infância, na adolescência e na vida adulta.
- “Quizz” nos stories. Depois de apresentar nossa reportagem, fazer uma sequência de stories primeiro apresentando a Gabriela e a Nathália. Em seguida, fazer uma enquete “Nessa foto, é a Gabriela ou a Nathália?”.
- Post estático para Facebook, Instagram e Twitter. Pesquisa da Oxford sobre o aumento na incidência do nascimento de gêmeos.
- Post estático para Facebook, Instagram e Twitter. Igbo-Ora, cidade nigeriana conhecida como “a capital mundial dos gêmeos”.
- Curiosidades sobre gêmeos univitelinos e bivitelinos.
- Reels/ vídeo com algum trecho da entrevista. Pode ser as gêmeas contando uma história engraçada.
- Carrossel para Facebook/ Instagram sobre a cidade de Cândido Godói, conhecida mundialmente pelo alto índice de gêmeos nascidos na cidade. Transformar em thread para o Twitter.
- Carrossel para Facebook/ Instagram sobre gêmeos na arte. Transformar em thread para o Twitter.
Da pauta à reportagem
A escolha do tema da reportagem foi feita em conjunto com os colegas, durante as reuniões de pauta da Sextante, quando todos sugeriram possíveis assuntos para as reportagens relacionadas ao número dois. Quando decidimos produzir a pauta das gêmeas, nosso principal objetivo era usar uma abordagem diferente do comum, já que existem muitos textos com essa temática. Portanto, escolhemos ir pelo caminho da filosofia e procuramos entender o processo de formação de identidade.
No planejamento inicial, nossa ideia era entrevistar mais de uma dupla de gêmeas, além de Gabriela e Nathália, para ter mais de uma perspectiva sobre o assunto e comparar a vivência de pessoas diferentes, o que não foi possível. Por termos entrevistado apenas uma dupla, foi possível detalhar mais o relacionamento entre elas e fazer uma ligação mais pessoal entre suas particularidades e os conceitos filosóficos apresentados por Bruno.
O processo de escrita foi tranquilo, assim como as entrevistas. Ao concluir a reportagem, ficamos felizes com o resultado, especialmente por termos conseguido cumprir com o principal objetivo inicial que era produzir uma reportagem sobre irmãs gêmeas fugindo da abordagem habitual e buscando conceitos de outras áreas do conhecimento que nos interessam.