Sextante

Editoriais 63

comissão editorial

SOU EU ASSIM SEM VOCÊ

Inter e Grêmio. Arroz e feijão. Preto e branco. Café com leite. Claudinho e Buchecha. Batman e Robin. Romeu e Julieta. A lista é infinita e cada geração pode lembrar de combinações próprias. Quando começamos a pensar na possibilidade de usar o número dois como ponto de partida para as nossas reportagens, percebemos que são muitas as coisas que se estruturam em conjunto. São opostos, complementares, pares, rivais. Mas, por que, afinal, o número dois? 

Quando entramos na sala para a primeira aula do semestre, ainda em março, estávamos em um número de alunos maior do que o normal. Nosso início enquanto grupo, portanto, se deu na busca de uma solução: ou escrevíamos as reportagens em dupla ou não teríamos uma edição impressa. O lançamento da Sextante é um momento esperado por quase todas as turmas da faculdade de jornalismo da UFRGS. Para muitos, é a primeira oportunidade de ver o nome estampado no papel – algo que ainda é motivo de orgulho, apesar de todos os avanços tecnológicos. Por isso, a ideia de não publicarmos a revista impressa não agradava quase ninguém. 

Decidimos, então, que escreveríamos em dupla. Seria a primeira vez que as reportagens da Sextante não seriam produzidas individualmente. Entendemos que explorar o ineditismo das duplas nos textos poderia ser o melhor caminho. Assim surgiu o tema “dois”, que permeia todas as publicações que estão neste site. Desde as duas rodas das bicicletas, passando pelos esportes em dupla, a sinergia da dança em pares, os segundos filhos, os gêmeos, a dupla nacionalidade e outros temas que você poderá explorar nesta edição. Tem também os textos que questionam essa ideia: será que tudo acontece ou deve acontecer em dupla?  

Dadas as circunstâncias, decidimos que deveria existir também duas edições da Sextante 63. A enchente que atingiu o Rio Grande do Sul nos fez reformular nosso planejamento inicial para dar atenção ao nosso estado. A versão impressa, que originalmente foi a razão da escolha do tema Dois, acabou cedendo o espaço para os relatos sobre a enchente, enquanto a versão online segue com as reportagens que foram idealizadas no início do semestre.

Comissão editorial
editorialsextante@ufrgs.br


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Dois semestres em um

Dizem que quem é das ciências humanas não gosta de números, mas no jornalismo eles podem fazer muita diferença. Um zero a menos pode alterar o quanto tempo alguém ficará preso por desvio de dinheiro. Uma vírgula em um numeral pode mudar a inflação de um país. Uma pessoa de 20 anos ganhar uma maratona é diferente do que uma de 90 tirar o primeiro lugar na prova. Por mais que jornalistas digam que não gostam de números, eles sempre estarão lá no meio das palavras que contam uma história. Na idade, no valor, na distância, na altitude. E um número errado acaba com a credibilidade de uma reportagem.

Mas o que pode significar especificamente o número dois para o jornalismo? Os repórteres desta edição da Sextante, divididos em duplas, conseguem provar que o dois pode valer muito para o jornalismo. Eram tantas as possibilidades de explorar esse número que em determinado momento tudo parecia ter relação com o dois. Para nós, que somos duas, esse número tem um significado especial. Acreditamos que o jornalismo nunca se faz sozinho; que repórter e fotógrafo têm que trabalhar como uma dupla sintonizada; que um segundo olhar do editor sempre ajuda a deixar um texto mais redondinho; que ouvir duas pessoas envolvidas num acontecimento pode ser fundamental. Sempre tem um segundo, um outro no jornalismo.

Esta edição da Sextante foi construída num semestre dividido em dois: antes e depois do pior evento climático que já atingiu o Rio Grande do Sul. A enchente de 1941, que era a maior até então, virou a segunda. E os números da tragédia foram assustadores. Recomeçar depois de tanta dor não foi fácil. Todos nós estávamos fraturados ao meio. Mais sofridos, mas também mais sensíveis e conscientes de que não é só o jornalismo que não se faz sozinho, é a vida. Dizem que os jornalistas não gostam de números, pode até ser verdade, mas nesta revista transformamos o número dois em histórias, em palavras e sentimentos. Agora, dividimos nossas reportagens com você, leitor, nosso par, nosso outro, aquele que dá sentido ao jornalismo.

Confira aqui a edição impressa da revista!

Thaís Furtado
thais.furtado@ufrgs.br

Gisele Reginato
gisele.reginato@ufrgs.br