Uma dupla que brinca junto
Imagem e texto. Que tipo de dupla é essa? Há quem as pense em relação amorosa, e até brincam: os opostos se atraem. Esta atração que envolve amor e ódio: ora juram não viver um sem o outro, ora acusam-se mutuamente de invasivos.
Dizem por aí que uma obra de arte deve se expressar por si mesma, e que um texto bem escrito deve garantir a liberdade imaginativa do leitor, sem usar outros artifícios que não as palavras. Imagem e texto, porém, nasceram de uma mesma fonte, e até poderiam ser pensados como irmãos. Certo que tomaram, lá pelas tantas, caminhos em separado, mas isso não quer dizer que, entre eles, não haja possibilidade de reconciliação.
Vejo a ilustração como uma irmã mais velha (afinal, ela precede a escrita), cuidando do texto com muito carinho; vejo o caçula sempre na defensiva, como se dissesse: me deixa em paz, posso andar com minhas próprias serifas… mas no fundo, feliz da vida por ter uma irmã tão atenciosa.
A verdade é que essa dupla perfeita e dinâmica gosta de brincar e se divertem muito quando estão juntos. Pensem-os numa gangorra em que às vezes um está mais acima, outro mais abaixo: às vezes um ou outro ganha destaque maior.
Lembrem-se, exposições de arte são acompanhadas de textos de curadoria e livros nos atraem pelo visual da capa, onde até mesmo as letras assumem uma função de imagem. Então por que insistir na briga, não é mesmo?
O Ilustraê! bota, mais uma vez, fé nessa dupla e espera que os leitores da Sextante também. Porque jornalismo sempre se fez, desde o início, assim: com textos e imagens.
Paula Mastroberti
Professora do Instituto de Artes da UFRGS e coordenadora do projeto de extensão Ilustraê!, que produz ilustrações para a revista Sextante
Conheça os ilustradores do projeto Ilustraê! e as artes produzidas para esta edição
Alanis Mattes


Biografia
Nascida em 2004, no interior do estado do Paraná, Alanis Mattes é graduanda pela UFRGS em Artes Visuais – bacharelado, o qual ingressou no ano de 2022. Atualmente desenvolve trabalhos ilustração, produção de HQs, e representação botânica, produzindo-as por meio de desenho e pintura digital, técnica a qual utilizou para produzir as ilustrações para a revista Sextante. É também é produtora de conteúdo nas mídias sociais, compartilhando seu processo de criação artístico.
Redes Sociais: Instagram
Portfólio: https://www.behance.net/alanismorri7
Ficha técnica
(1) Bissexualidade e pertencimento, pintura digital, 2024
(2) Sim, nós estamos aqui, pintura digital, 2024
Ana Christina Cruz Schittler



Biografia
Ana Schittler é artista e cursa Licenciatura em Artes Visuais no Instituto de Artes da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalha e vive em Porto Alegre.
Redes Sociais: Instagram
Ficha técnica
(1) Sem título, arte digital, 2024
(2) Sem título, acrílica sobre papel Canson 200 g/m2 e manipulação digital, 2024
(3) Mapa Utópico de Porto Alegre, arte digital, 2024
Ana Laura dos Passos



Biografia
Ana Laura dos Passos é ilustradora freelancer e estudante de Artes Visuais na UFRGS. Nascida em 2002, mora em Porto Alegre e atualmente trabalha na área de design de personagens e ilustração editorial, acumulando mais de 10 anos de experiência com desenho digital. Tem grande interesse no mercado de arte conceitual e promocional para a indústria de videogames.
Portfólio: https://www.artstation.com/niniki
Ficha técnica
(1) Quem somos, arte digital, 2024
(2) Esporte em dupla, arte digital, 2024
(3) Esporte em dupla, arte digital, 2024
Bruna Fraga



Biografia
Bruna Fraga é estudante de licenciatura em Artes Visuais pela UFRGS e desenvolve desenhos e pinturas sobre a representação de corpos dissidentes. Representar, então, corpos como devir e possibilidade, inacabados em suas formas e definições pré-estabelecidas, é um gesto que tem procurado desenvolver em seus trabalhos.
Redes Sociais: Instagram
Portfólio: https://www.brunacofraga.com/
E-mail: brunacofraga@gmail.com
Ficha técnica
(1) Dois, desenho em marcador acrílico e nanquim sobre papel, 2024
(2) Vida Dupla, desenho em marcador acrílico sobre papel, 2024
(3) Vida Dupla, desenho em marcador acrílico e nanquim sobre papel, 2024
Cerise Gomes


Biografia
Cerise Gomes, artista visual. Estudante de Artes Visuais na UFRGS, pesquisa poética na combinação de fotografia, arte digital, colagem e AI. Experimentar é a regra no seu trabalho. Participa de exposições ativamente, principalmente em coletivos.
Ficha técnica
(1 – 3) Sem título, técnicas mistas, 2024
Dantara Stamado Ordovás



Biografia
Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul PPGEdu/UFRGS, junto ao grupo de pesquisa POVOAR: arte, educação, filosofia e outros afetos. Possui pós-graduação em Ensino de Arte no Instituto Souza e é graduada com Láurea Acadêmica no curso de Licenciatura em Artes Visuais – UFRGS. Possui experiência em instituições de ensino na área de artes como estágio docência de Ensino Superior, Residência Pedagógica e Programa de Iniciação à Docência e ações artísticas no educativo de espaços expositivos e sociais como Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS, Pinacoteca Barão de Santo Ângelo – PBSA, Instituição Ksa Rosa e etc. Atualmente participa da extensão Histórias e Práticas Artísticas do Instituto de Artes da UFRGS, atuando na promoção de arte em espaços culturais e na produção de material de mídia para os artigos do Jornal da Universidade – JU. Realizou a exposição “Constelar Estrelas” (curadoria Grupo Povoar) no Espaço de Artes da UFCSPA (2024), e participou da exposição coletiva “Constelar Corpos e Materialidades” (curadoria Lilian Maus) na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (2022).
Redes Sociais: Instagram
Ficha técnica
(1) Duplo, ilustração digital, 2024
(2) Dupla nacionalidade, ilustração digital, 2024
(3) Brasilidade, ilustração digital, 2024
Elissa Seadi


Biografia
Elissa Seadi está se graduando em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É técnica em comunicação visual formada pelo instituto Ivoti e possui diversos cursos na área. Tem como eixo guia de sua produção artística a conexão espiritual com a natureza e a ancestralidade. Trabalha unindo efeitos naturais com recursos da alta tecnologia. É mãe de pet e adora tomar chá 🙂
Ficha técnica
(1) Equilíbrio Familiar, arte digital, 2024
(2) Construção, arte digital, 2024
Gabriel Anjos

Biografia
Gabriel Anjos é estudante de licenciatura em Artes Visuais pela UFRGS e tem sua produção voltada para o cotidiano, a memória e sua vivência queer. Usufrui de diferentes mídias e processos, atua em áreas de educação social e ilustração e diagramação para livros.
Redes sociais: Instagram
Ficha técnica:
(1) Mãe das Águas, ilustração digital, 2024
João Vitor Cavalcante


Biografia
Nascido em 1997 em Porto Alegre, Ditto Cavalcante é graduando em Artes Visuais pela UFRGS desde 2018. Trabalha principalmente com arte digital, concept art, character design e ilustrações, mas também tem uma série de trabalhos em mídia tradicional, como retratos em aquarela. Seu enfoque é especialmente na figura humana, a representação do rosto e seus detalhes, design de vestimentas misturando o fantástico com o realista.
Redes sociais: Instagram, Artstation
Ficha técnica
(1,2) Sem título, pintura digital, 2024
Luísa Karling








Biografia
Luísa Cristine Karling nasceu em 2003 em Ivoti, interior do RS. Mudou-se em 2022 para
Porto Alegre, é bacharelanda do curso de Artes Visuais da UFRGS. Teve experiências e
estudos autônomos de desenho, pintura e cerâmica e os desenvolveu na faculdade, além
de explorar outras áreas. Participa no Morango Coletivo em feiras gráficas de POA, como Burburinho, Sem Título e outras. Trabalha principalmente com pintura e cerâmica.
Ficha técnica
(1,2) Sem título, acrílica sobre papel, 2024
(3) Sem título, arte digital, 2024
(4) Sem título, aquarela e acrílica sobre papel, 2024
Luíza Schütz



Biografia
Luíza Schütz é graduanda de Bacharelado em Artes Visuais pela UFRGS. É de São Sebastião do Caí, nasceu em 2003 e mora em Porto Alegre. Trabalha com ilustração digital, design gráfico, muralismo, animação e pintura. Seu foco está na criação de personagens e na produção de narrativas, em forma de livros, jogos, animações e quadrinhos.
Redes sociais: Instagram, Behance
Ficha técnica:
(1, 2) Sem Título, ilustração digital, 2024.
(3) Sem Título, webart, 2024.
Magnólia Leão



Biografia
Magnólia Leão é estudante de Artes Visuais pela UFRGS. Em seus trabalhos, explora as mais diferentes técnicas, como o desenho, a xilogravura e a aquarela. Desenvolve um trabalho ligado à ilustração, em um imaginário de fantasia.
Redes Sociais: Behance
Ficha técnica:
(1) Degradê, aquarela sobre papel, 2024.(2) Dança, acrílica sobre papel e desenho digital, 2024.
(3) Ritmos, aquarela e lápis de cor sobre papel e desenho digital, 2024.
Rafaela Lopes



Biografia
Rafaela Lopes é uma Artista Visual de Porto Alegre/RS e estudante de Artes Visuais Licenciatura pela UFRGS, com foco em pinturas e ilustrações abstratas e realistas. Seu trabalho se destaca pela exploração de formas abstratas e expressivas tanto na pintura quanto na ilustração. Ela tem como objetivo explorar a essência e a emoção por meio de suas obras, buscando transmitir uma interpretação única e pessoal do mundo ao seu redor. Participou da exposição coletiva Falar e Calar – diálogos silenciosos, na inauguração da Galeria Experimental do Instituto de Artes
Ficha técnica
(1) Equilíbrio, arte digital, 2024
(2) Dual, arte digital, 2024
(3) Morro, arte digital, 2024
Sharisy Pezzi

Biografia
Sharisy Pezzi é artista visual, ilustradora e diretora de arte. Cursando Bacharelado em Artes Visuais na UFRGS, tem um trabalho autoral que engloba desde o desenho até o bordado, inspirado pelo cotidiano e temática feminista. Seu portfólio pode ser acessado através do site www.sharisy.com
Redes sociais: Instagram
Ficha técnica
(1) Sem título, ilustração digital, 2024
Uéslei Fagundes

Biografia
Uéslei Fagundes é artista visual, graduando em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e bolsista PIBIC CNPq-UFRGS no projeto A representação na pintura contemporânea: procedimentos metapicturais e outras estratégias, coordenado pela Prof. Dra. Marilice Villeroy Corona. Participou de exposições coletivas como: Works on Paper 3, 4 e 5 na Blue Shop Gallery em Londres, (2021/22/23), Cut Out na Galeria Subsolo em Lisboa (2021), Live From The Deep End na Gobstopper Gallery na Pensilvânia EUA (2020), Open Call Group Exhibition na Delphian Gallery em Londres (2018) e do 6º Salão de Arte Fundarte (2017). Entre as exposições individuais, destacam-se: Alegorias do Efêmero no MAM – Museu De Arte de Montenegro (2024), Ritual de Isolamento e Empatia na Casa das Artes em Novo Hamburgo (2023) e Instabilidade na Fundarte de Montenegro (2018). www.uesleifagundes.com
Redes sociais: Instagram
Ficha técnica
(1) Reinserção, gouache sobre papel e pós digital, 2024
Uma segunda dose de Ilustraê!
Além de ilustrar a revista digital, cujas pautas exploram o número 2 e suas dualidades, os artistas também produziram ilustrações e relatos sobre a enchente que devastou o Rio Grande do Sul no mês de maio 2024. Confira abaixo:
Alanis Mattes

Relato
As cores da cidade desapareceram, dando lugar a uma única cor e suas variações de tonalidades, que espelhavam uma cidade fantasma. Junto da água, abundante e infinita, veio o marrom da lama, que varreu, manchou casas, móveis e prédios, roubando o brilho das cidades que passava. Um marrom que golpeou, abruptamente, a estabilidade do cotidiano de seus moradores e transeuntes, dando um chacoalhão diante da presente e, ao mesmo tempo, passada situação. O marrom era como um ponto de exclamação, uma afirmação diante da realidade das mudanças climáticas. E, principalmente, das consequências devastadoras das ações humanas sobre o ambiente. O marrom impediu a conservação da ferrenha negação da circunstância atual, ao mesmo tempo que ressaltou a falta de ações políticas, essenciais para impedir o alastramento e resolver tal situação. Não houve outras cores além do cinzento do espírito que esse episódio nos proporcionou.
Ficha técnica
(1) Espelho, pintura digital, 2024
Ana Christina Cruz Schittler

Relato
A água invade a rua, a casa, a alma. A água leva a vida, a âncora, o sonho.
E se faz más águas.
Essas mágoas inundam por dias, meses e talvez ainda anos.
A rua que também é praia, hoje é tudo e também nada!
Rua dos Andradas maio de 2024
Ficha técnica
(1) Más águas, aquarela sobre papel canson 300 g/m2
Cerise Gomes


Relato
Durante 15 dias, olhando pela janela de um quarto com medo de qualquer pingo
d’água. Antes a chuva me acalmava, embalava meu sono, agora causa medo, pavor,
pânico. Durante 15 dias, olhando pela janela questionando esse cimento todo, ao
som de helicópteros, ambulâncias. Na TV, a notícia de um transbordar nunca visto
e da falta d’água para beber. Durante 15 dias, sem poder voltar para casa, olhando
pela janela de um quarto com medo de qualquer pingo d’água.
Ficha técnica
(1,2) Sem título, técnicas mistas, 2024
Dantara Stamado Ordovás


Relato
Após a inundação, ficaram as marcas, os restos. “Senti vontade de fechar a porta e ir embora”, foram palavras pronunciadas em relatos póstumos. Durante a limpeza, só ficou o silêncio e o chão coberto de barro, um marrom pesado impregnava os rejuntes. Em alguns azulejos, onde a camada de resíduo era mais intensa, estava tudo craquelado. Parecia um segundo piso escamando, deixando pequenas rasuras onde ainda podíamos ver chão. Aos poucos, o rejunte foi aparecendo, para re-juntar contingências.
Ficha técnica
(1) Rejunte, aquarela, 2024
(2) Rejunte II, aquarela, 2024
Elissa Seadi

Relato
As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul foram mais do que um evento climático; foram um golpe devastador na alma de uma terra acostumada a resistir, mas nunca a ceder. A força das águas, que transformou rios serenos em correntes furiosas, não poupou vidas, lares ou sonhos. Famílias inteiras viram o fruto de anos de trabalho e dedicação serem arrastados em poucos minutos por uma correnteza impiedosa.
Casas foram submersas, estradas desapareceram e a paisagem antes verdejante se transformou em um cenário marrom de destruição e tristeza. As imagens das águas lamacentas invadindo cidades, de pessoas sendo resgatadas em botes improvisados e de olhos que buscavam desesperadamente por sinais de esperança ficarão gravadas para sempre na memória de quem viveu e assistiu a essa tragédia.
A dor é grande, mas o Rio Grande do Sul é feito de pessoas que não se dobram facilmente. As águas, que trouxeram tanta destruição, também revelaram o melhor do ser humano: a capacidade de cuidar, de amar, e de se levantar, não importa quão forte seja a tempestade. Em cada lágrima que foi derramada, em cada abraço dado em meio à lama, renasce a esperança de que, juntos, será possível reconstruir não apenas as casas, mas os corações dilacerados por essa tragédia.
Ficha Técnica
(1) Turvo, arte digital, 2024
João Vitor Cavalcante

Relato
Não moro em Porto Alegre, não fui atingido diretamente pelas enchentes. Porém a primeira vez que eu tive que retornar pra Porto, passei de carro, observando rapidamente os estragos causados e o primeiro pensamento que me atingiu foi sobre os moradores de rua. A marca de barro nas paredes demarcando a altura que a água chegou, levando embora o pouco que essas pessoas possuíam.
Ficha Técnica
(1) Barro até aqui, aquarela sobre papel canson, 2024
Luísa Karling

Relato
Por que escolhi retratar essa imagem?
Retratei o lixo na rua após a enchente ter deixado as casas e os moradores retornarem para realizar a limpeza de suas moradias. Por causa da água, muitos móveis, roupas, objetos e comida foram descartados, e a pedido da prefeitura, foram colocados na rua para serem recolhidos. Ao ver essa cena, vemos lixo nas ruas, porém não é apenas lixo, ali está a vida inteira de algumas pessoas, tudo o que elas batalharam dias, meses ou até anos para conseguir comprar, do dia para noite estava destruído e sendo jogado fora. Todas as nossas coisas são importantes, possuem memórias, é difícil vê-las destruídas. Porém sempre há esperanças e forças para reconstruir, nossas vidas não param.
Ficha Técnica
(1) Sem título, nankin e aquarela sobre papel, 2024
Luíza Schütz

Relato
Como relato pessoal, quis retratar a situação da minha cidade, São Sebastião do Caí. As enchentes já fazem parte da cidade há décadas, e isso é refletido na construção de algumas casas, edificadas sobre pilares de pedra para ficarem mais altas. Infelizmente, neste ano, essas e outras muitas casas foram atingidas pela maior enchente dos 149 anos do município. Por outro lado, como a população já tem certa experiência com essa situação, torna-se mais fácil de se trabalhar em equipe, assim como com os bombeiros voluntários, que salvaram muitas pessoas em situação de risco. São Sebastião do Caí passou por 13 enchentes em um ano, e nós caienses já estamos cansados disso, mas pelo menos podemos contar com a solidariedade do povo gaúcho para seguir em frente.
Ficha Técnica
(1) Mais um ano, mais uma enchente, pintura digital, 2024
Sharisy Pezzi

Relato
Quantos resquícios ficaram em nós após o fatídico maio de 2024? A marca na parede,
deixada pela água que superou a altura de uma pessoa é apenas uma lembrança, assim
como o cheiro que ainda persiste em alguns pontos da cidade. Montanhas de lixo. Planos, sonhos, lembranças. Ainda que tudo volte a ser como antes, nunca mais será.
Ficha Técnica
(1) Sofrimento psíquico, ilustração digital, 2024
Uéslei Fagundes

Relato
Um dos recortes mais tristes da história do Rio Grande do Sul, as enchentes de maio de 2024 deixaram marcas irreparáveis em todos nós. Dentro de um contexto catastrófico, entre tantas cenas cruéis que nos deparamos, os resgates de milhares de animais me tocaram de forma singular. Tidos como sagazes e estatutos, os gatinhos em especial foram reiteradamente, mesmo que de maneira involuntária, deixados à própria sorte em meio ao caos que se instalava. Muitos desses pequenos amados ainda esperam um lar para encher de amor e alegria, por favor adotem!
Ficha Técnica
(1) Sad Mayow, óleo sobre papel kraft e hahnemühle, 2024