Editoriais

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Entre cortinas

Quando tivemos que nos debruçar e pensar sobre como seria a Sextante no contexto do isolamento social, passamos por várias temáticas e ideias. Mas o que seria comum a todos e todas, presos em casa e em diferentes cidades? Quais aspectos da vida poderíamos costurar juntos para que tivessem a consistência temática que uma revista deve ter? Com isso, precisamos olhar para o que acontece ao nosso redor e descobrir que muitas coisas podem virar reportagem.
Com uma pandemia acontecendo, o mundo inteiro precisou se proteger e fechar as portas. Assim, habitamos através de janelas. A de casa, que abre caminho para o vento passar e deixa a luz entrar, nos permitindo encontrar a rua pela observação. A do celular, que nos apresenta um mundo digital, completo em seus próprios locais, interações e conhecimento — sem deixar de ter, como o mundo físico, um lado mais sombrio. Os mais românticos também falariam que, se em cada pessoa existe um universo inteiro, não poderíamos ignorar os olhos, as janelas da alma.
Seja no interior do estado, na capital gaúcha e em sua região metropolitana, na fronteira oeste ou, até mesmo, em outras regiões do país. Todos nós temos uma abertura na parede — e contamos como são construídas. Para alguns de nós, ela traz a música das janelas vizinhas. Para outros, pode ser um meio de invasão da privacidade. Mas uma coisa é certa: ela abre um quadro sobre o que se passa logo ali — como o pátio que agora é horta ou os protestos urbanos que se reinventam. Mas as janelas também escondem o que tem dentro de casa, como as alergias trazidas pelo vento, o serviço doméstico historicamente delegado para mulheres ou as pessoas que, mesmo antes do coronavírus, já não tinham espaço para se locomover nas ruas. 
As reportagens presentes nesta edição da Sextante refletem aspectos da vida durante o período de pandemia, tratam das consequências do isolamento social e abordam temas que não eram tão observados atrás das cortinas. Foi um desafio buscar pautas que estivessem ao alcance do nosso olhar e, ao mesmo tempo, pudessem se encaixar no nosso objetivo principal: o jornalismo. Mas aqui estamos nós, orgulhosamente apresentando essa edição digital da nossa revista. Esperamos que desfrutem da experiência de leitura tanto quanto aproveitamos o desafio da escrita.

Comissão editorial
editorialsextante@ufrgs.br

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Quando uma porta
se fecha

A Sextante é uma tradicional publicação do curso de Jornalismo da UFRGS. Por ela já passaram alguns professores e professoras e vários alunos e alunas. Embora todas as pesquisas indiquem que hoje os jovens se informam preponderantemente por mídias digitais, a cada semestre fica evidente que quem cursa a disciplina de Jornalismo Impresso, na qual a revista é produzida, tem muito orgulho de pegá-la e folhá-la quando fica pronta. É como se fosse um troféu conquistado depois de todo o esforço envolvido. Por isso, a impossibilidade de imprimir a Sextante neste semestre foi mais uma entre tantas notícias tristes que tivemos em 2020. Mas, como dizem por aí, quando uma porta se fecha, a vida se encarrega de abrir uma janela. E foi exatamente isso que a turma que produziu a 55ª edição da Sextante fez: abriu não uma, mas muitas janelas. A decisão de fazer a revista online fez com que nos encontrássemos todas as semanas pelas telas virtuais, mas foi em janelas reais que os e as repórteres encontraram as histórias que queriam contar. Aquilo que passaram a ver por esses enquadramentos ressignificados na pandemia serviu de inspiração para suas reportagens. A quarentena também provocou a nossa aproximação com alunos e alunas dos cursos de licenciatura e bacharelado de Artes Visuais, que, com o olhar afetivo da professora Paula Mastroberti, coloriram as narrativas da Sextante neste ano que parecia tão sem cor. O resultado dessa mistura de isolamento com aproximações e reinvenções é uma revista digital feita por um grupo que se uniu para mostrar que sempre vale a pena prestar atenção no que a paisagem da vida nos oferece. É claro que preferíamos estar presencialmente nas salas e corredores da Fabico, mas nos esforçamos para trazer a paixão pelo jornalismo, que sempre marcou as páginas impressas da Sextante, para dentro das telas dos leitores e leitoras. Quem sabe as histórias aqui contadas não inspirem outras pessoas a também abrirem suas janelas e enxergarem o que nunca tinham visto antes. 

Thaís Furtado
thais.furtado@ufrgs.br


Fotografia: Vanessi Reis

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