Em uma pesquisa inédita, estudiosos da Universidade de York estimaram que os seres humanos lembram, em média, dos rostos de 5 mil pessoas que conhecem. Entre essas milhares de pessoas, está a pessoa que pode vir a ser o amor da sua vida. Porém, na primeira vez em que os olhares se cruzam, nem se imagina que você pode vir a amar essa pessoa com todo seu ser. O amor vem do acaso; não é possível explicar se o que mais atrai são características físicas, psicológicas, motivos circunstanciais ou químicos.
É nesse acaso que, muitas vezes, os amores se desencontram. Pessoas que cresceram juntas só vão se dar conta de que podem se apaixonar anos depois, após terem passado por diferentes relacionamentos na vida. Um casal só se dá conta da falta que um faz na vida do outro quando passa a viver longe. Dois que se viram uma única vez na vida, se reencontram anos depois e percebem que são almas gêmeas.
A reportagem pretende abordar os encontros e desencontros que as pessoas vivem antes de encontrar o amor. Levando em consideração pessoas que conheciam alguém e, depois de determinado momento, reencontram essa pessoa e passam a construir um caminho juntos.
Possíveis fontes e perguntas
Manuela Venancio e noivo: se conheceram durante a escola, em Londrina (PR), gostavam um do outro, mas nunca foram amigos próximos. Apesar de sentirem um clima, nunca se envolveram romanticamente pois estavam em fases da vida diferentes. Cerca de 15 anos depois, se reencontraram na internet: ela morando em Brasília (DF) e ele, em João Pessoa (PB). Após meses de conversa on-line, decidiram se reencontrar e morar juntos. Quando Manuela contou sua história, estava prestes a passar um mês em João Pessoa para saber se iria se adaptar antes de mudar sua vida definitivamente.
- Quando se conheceram?
- Como se conheceram?
- Em que momento se desencontraram?
- Como se reencontraram?
- Qual foi a sensação do reencontro?
Casal de amigos: Fizeram uma viagem juntos quando tinham 17 anos e construíram um forte laço de amizade. Os amigos em comum enxergavam que poderia existir algo além nessa relação, mas que nunca floresceu, por viverem diferentes momentos da vida. Em um dado momento, os dois estavam solteiros ao mesmo tempo e admitiram que sempre tiveram curiosidade em saber o que poderia acontecer caso se relacionassem. Agora, vivem um relacionamento à distância, ela, no Rio Grande do Sul, ele, em Recife.
- Quando se conheceram?
- Como se conheceram?
- Em que momento se desencontraram?
- Como se reencontraram?
- Qual foi a sensação do reencontro?
Casal de professores de História: Um dia inteiro conversando na Lancheria do Parque, em Porto Alegre, foi o que bastou para que conhecessem muito um sobre o outro. Apesar disso, dois professores de história levantaram da cadeira da ‘Lanchera’ naquele dia e não se viram novamente por anos. O reencontro veio quando começaram a dar aula na mesma escola e, na loucura da rotina, se apaixonaram, casaram e continuam juntos.
- Quando se conheceram?
- Como se conheceram?
- Em que momento se desencontraram?
- Como se reencontraram?
- Qual foi a sensação do reencontro?
Carla Madeira: Autora do livro Tudo é Rio, que investiga os movimentos da água e tudo aquilo que não se pode controlar, como o amor.
- Muito se fala sobre o amor ser movimento, você sustenta essa teoria?
- Tudo vai, mas nem tudo volta. Como uma pessoa pode lidar com a perda de um amor?
- Na sua opinião, reencontramos alguém por força de vontade ou tudo é obra do acaso?
- Você acredita que uma pessoa está destinada a ter apenas um amor da vida?
Fotos: A ideia para abrir a reportagem é captar uma imagem ‘em movimento’ de diversos pés caminhando por uma área movimentada da cidade, como a Praça da Alfândega. Para isso, pode-se mexer na velocidade do obturador da câmera para captar o movimento ou, ainda, sobrepor diversas imagens capturadas em momentos próximos, adicionando transparência cada vez maior nas camadas superiores. Dos cases, as fotos serão de arquivos pessoal. Serão priorizadas fotos do antes/depois, as pessoas na época em que se conheceram e agora. Outra alternativa é um registro de fotos dos casais em porta-retratos, criando uma narrativa que tem a ver com tempo, já que se tira uma foto da foto.
Multimídia
Além de fotos, pretende-se fazer um vídeo mesclando as respostas de cada um dos componentes dos casais às perguntas. A entrevista será feita individualmente, então não saberão as repostas dadas. Quanto à entrevista com a Carla Madeira, a disponibilização de um áudio com a entrevista seria proveitosa, já que a autora tem ideias muito claras e fáceis de serem entendidas, apesar da complexidade do tema.
Redes sociais
- Publicação da foto com os pés e texto sobre quantas pessoas conhecemos ao longo da vida;
- Indicação de filmes e séries: Medianeras, Houve uma vez dois verões, Encontros e desencontros do amor; música Cornelia Street, Taylor Swift: a cantora fala que nunca mais andará pela rua se perder o amor da sua vida; livro Tudo é rio, de Carla Madeira.
Referências
- https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Pesquisa/noticia/2018/10/conceguimos-lembrar-do-rosto-de-cinco-mil-pessoas-em-media-diz-estudo.html
- https://veja.abril.com.br/ciencia/quantos-amigos-voce-consegue-ter/
- https://open.spotify.com/episode/7CV3XXfYuJ1xCnLc2NKLyr
- http://sedes.org.br/Departamentos/Formacao_Psicanalise/dfp/o-amor-e-seus-encontros-desencontros-e-reencontros-por-sirlei-herber/
- https://glamour.globo.com/colunas/carol-tilkian/coluna/2022/07/amor-em-tres-atos-segundo-ato-os-desencontros-silencios-e-esperas.ghtml
- https://pt.scribd.com/document/363861320/Niklas-Luhmann-O-Amor-Como-Paixao
Da pauta à reportagem
A ideia da pauta surgiu alguns meses antes de começar a Sextante. Veio a partir de uma conversa que tive com uma mulher que sentou do meu lado em um voo. Ela estava mudando toda a sua vida para viver ao lado do homem que ama. Essa mulher é a Manu, a primeira fonte da minha reportagem. Queria poder escrever sobre a história de Manu e Matheus, e com o tema Encontros e Desencontros, o gancho estava feito.
Precisava, porém, encontrar outras histórias parecidas, de pessoas que se conheciam e só anos depois foram ficar juntas pra valer. A busca por cases foi mais fácil do que pensei , já que toda vez que falava sobre a pauta, alguém comentava “ah, tenho um primo/amigo/conhecido com uma história parecida”; o amor vai e vem na vida de todos.
Meu segundo case foi a história da Iashini e do Theo, por indicação de uma amiga que é prima de Iashini.
Já o terceiro case foi o que mais me deu trabalho. Queria trazer representatividade, fosse de raça, orientação sexual ou idade. Um casal LGBT que, inicialmente, iria dar entrevista, não respondeu mais minhas mensagens. Pedi indicação então de um casal mais velho, que já tivesse uma longa trajetória juntos. Com a ajuda de uma colega de trabalho, conheci a história de Claudia e Pedro.
Por último, era preciso uma fonte especializada. Mas quem é expert em amor? Na busca por referências, conheci Carol Tilkian, colunista da Amores Possíveis, cujo trabalho encaixou como uma luva para a entrevista e me inspirou para escrever a reportagem.