O que acontece no núcleo familiar de pessoas que se perderam da família ou que tiveram alguém da família desaparecido? Como foi possível encontrar respostas e como foi viver o reencontro?
Nos últimos cinco anos, ao menos 369.737 registros de pessoas desaparecidas foram feitos no Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022. Entretanto, esses dados não correspondem à realidade. O serviço de registro de pessoas desaparecidas tem deficiências e, muitas vezes, pessoas que já foram encontradas permanecem registradas como desaparecidas. Apesar disso, ainda existem muitas famílias que vivem a angústia da procura de quem desapareceu.
Os motivos que podem estar envolvidos nos casos de desaparecimento são graves. Podem ocorrer, por exemplo, no caso de vítimas de sequestro, tráfico de pessoas, casos de dependência química, e em algumas situações, por vontade própria de sumir. Alguns casos demoram anos para serem solucionados, como foi a situação de Bruno Carlos Piccolo, brasileiro, adotado com 6 anos por uma família Italiana. Perdeu o contato com a mãe biológica e hoje, 3 décadas depois, ele tenta reencontrar a família biológica no Brasil.
Algumas produções da Globo já retrataram situações de desaparecimento, especialmente tratando do tema de tráfico de pessoas, como na novela “Salve Jorge”, e atualmente também na novela “Todas as Flores”, exibida pelo Globoplay. Para além da cinematografia, essa é uma realidade. O objetivo dessa pauta é, portanto, mostrar como vivem famílias de pessoas que estiveram desaparecidas e foram encontradas. Tentando responder aos questionamentos sobre qual foi o rumo das investigações, quais foram os sentimentos vividos e de que maneira a vida delas mudou após essa experiência traumática.
Fontes:
- Amanda Boldeke – Fundadora Desaparecidos do Brasil
Amanda Boldeke é a fundadora da ONG Desaparecidos do Brasil. Quando o irmão desapareceu, não mediu esforços e dedicou a vida para reencontrá-lo. Depois de muitos anos, o reencontro aconteceu. Foi então que, apoiar pessoas que passam pela mesma situação que ela viveu se tornou um propósito de vida. Por meio da ONG ela ajuda diversas famílias buscando informações contribuindo para que mais pessoas sejam encontradas e criando uma rede de apoio.
- Bruno Carlos Piccolo – brasileiro adotado por uma família da Itália
Bruno mora na Itália, mas há algum tempo quer redescobrir suas origens. Ele é brasileiro e desde os 18 anos tenta reencontrar a família biológica no Brasil. Hoje com mais de 30 anos encontrou a família materna, porém a família paterna ainda é uma incógnita.
- Familiar de Bruno Carlos aqui do Brasil
- Caroline Bamberg – Delegada da Delegacia de Polícia de Investigação de Pessoas Desaparecidas de Porto Alegre
- Eliana Faleiros Vendramini Carneiro – Doutoranda e Mestre em Direito Penal PUC/SP , Promotora de Justiça e Coordenadora do Programa de Localização e Identificação de Pessoas Desaparecidas – PLID/ MPSP
- Familiar que teve alguém desaparecido (case 2 indefinido)
- Pessoa que foi encontrada (case 2 indefinido)
Perguntas:
Amanda Boldeke
Quantas pessoas procuram a ONG por mês/ano e o que elas procuram?
Quantas pessoas já foram encontradas com ajuda de vocês?
Como funciona o processo de busca? De que forma e até que ponto vocês conseguem ajudar as famílias?
Teve alguma história de encontro que mais te marcou? Como foi?
Familiares e pessoa encontrada
Como foi o dia que ocorreu o desaparecimento? O que aconteceu?
De que forma conseguiram se reencontrar?
Como foi a investigação e a busca para encontrar essa pessoa?
Você teve algum tipo de apoio psicológico, ou acompanhamento emocional durante essa fase? Onde encontrou apoio?
Qual a lembrança mais forte de vocês juntos?
Durante o tempo que esteve longe, o que você pensava?
Roberta Bertoldo – Delegada
Qual o tipo de caso de desaparecimento mais comum que vocês registram?
Como funciona o processo de investigação de pessoas desaparecidas?
O processo é arquivado em alguma situação?
Quantas pessoas são encontradas por mês/ano?
Em que situações e lugares essas pessoas são encontradas?
No caso de tráfico de pessoas, isso ainda existe nos dias atuais?
Eliana Faleiros Vendramini
Como funciona o Programa de Localização e Identificação de Pessoas Desaparecidas? Atua em conjunto com estados brasileiros e com outros países ou é apenas local?
Quais processos de registro ou investigação precisam ser melhorados?
Qual os resultados o programa obteve no último ano?
Existem hoje em vários lugares do mundo, Irã, Itália e EUA, por exemplo, grupos de pessoas que foram adotadas por famílias de países estrangeiros, na década de 80 de forma ilegal, e hoje buscam as famílias no Brasil. Existem linhas de investigação nesse sentido?
Sugestão multimídia:
Fotos: Família reunida, perfil, imagens de fotos reveladas, pedir para a família enviar fotos.
Ilustrações: A pauta é sobre um tema delicado e triste. Apesar da tentativa de abordagem ser com algum caso de pessoa que foi encontrada, tratar do tema de desaparecimento é um assunto que causa bastante angústia. Por isso, pensei em algumas ideias de imagens e deixo como sugestão:
- montando um quebra-cabeças, ou um mapa faltando pedaços, mas não com a vibração de jogos divertidos;
- Coração quebrado ou machucado, sendo consertado ou com curativo;
- Abraços;
- Usar a palavra esperança em alguma criação;
- Silhueta de rosto com cartaz escrito desaparecido.
Mídias Sociais:
Penso em divulgar pequenos trechos das entrevistas, em formato de reels ou tiktok. Divulgar dados sobre pessoas desaparecidas e recomendações sobre o que fazer quando precisar registrar boletim – formato carrossel para o Instagram. Sugestões de filmes com a temática: Série – 42 Dias de Escuridão (Netflix) , Filme – À Procura (Prime Vídeo).
Da pauta a reportagem
Às vezes, no meio do caminho, o rumo pode mudar, e nem sempre isso é algo ruim. Inicialmente o objetivo da minha pauta era mostrar como vivem famílias de pessoas que estavam desaparecidas e que foram encontradas. A reportagem tentava englobar casos de tráfico humano e de desaparecimentos registrados na delegacia. Porém, fiquei mais de um mês tentando encontrar um case, sem sucesso.
Eu já estava em contato com o Bruno, uma das minhas fontes, pois a história dele havia chamado minha atenção. No entanto, ainda não tínhamos feito uma entrevista. O conheci através de um depoimento no facebook em que ele pedia ajuda para encontrar sua família no Brasil. Depois que o entrevistei, percebi que ele não se encaixava dentro da pauta que eu havia estruturado e decidi mudar o rumo da matéria. Passei a buscar casos de pessoas que, por algum motivo, foram afastadas da família biológica e hoje buscam um reencontro. Com a mudança, acabei descartando três entrevistas com especialistas, que já havia feito com foco na temática anterior. Por outro lado, pude conhecer três histórias de vida surpreendentes que tocaram o meu coração.