Estudos sobre o Melhoramento Genético de Cultivares de Aveia

Faculdade de Agronomia/ Departamento de Plantas de Lavoura.

Professores : Luiz Carlos Federizzi e Marcelo Teixeira Pacheco.

No final da década de 60 e inicio da década de 70 a área cultivada com a aveia para a produção de grãos era insignificante , as principais variedades cultivadas pelos agricultores eram introduzidas dos Estados Unidos ou Argentina e tinham características típicas de plantas forrageiras. O Brasil era um grande importador de grãos de aveia da Argentina , gastando grande quantidade de divisas.

Em 1974, o Prof. Fernando I. Felix de Carvalho voltou de seu doutorado dos Estados Unidos para a Faculdade de Agronomia da UFRGS em Porto Alegre e recebeu uma coleção de linhas puras e populações segregantes na geração F2 do Prof. H. Shands da Universidade de Wisconsin , dando inicio a atual fase do melhoramento genético de aveia no Brasil.

O Programa de Melhoramento Genético de Aveia da UFRGS no seu inicio era bastante pequeno e limitado, uma vez que os esforços maiores eram dedicados aos estudos de genética do trigo.

Os objetivos do programa são bem claros e definidos, sendo o objetivo geral: transformar a aveia de uma planta produtora de forragem em produtora de grãos de alta qualidade. Os objetivos específicos: 1) desenvolver novos cultivares com ampla adaptação aos ambientes do sul do Brasil, incorporando bom tipo agronômico (ciclo e estatura), com alto rendimento de grãos de alta qualidade e resistência durável as principais moléstias; 2) treinar recursos humanos no melhoramento genético de plantas em todos os níveis – graduação, através de iniciação científica, mestrado e doutorado; 3) realizar estudos básicos que permitam facilitar a obtenção dos objetivos, por exemplo: estudos da genética de caracteres importantes como ciclo, estatura, resistência ao alumínio, resistência a moléstias e qualidade de grãos; 4) desenvolver e adaptar novas tecnologias para a cultura da aveia, por exemplo: manejo eficiente do nitrogênio, época e densidade de semeadura e demais técnicas de cultivo, específicos para cada variedade; 5) usar técnicas da biotecnologia para auxiliar na criação de novos cultivares , por exemplo: uso de marcadores moleculares para seleção de caracteres como resistência a moléstias, tolerância ao alumínio tóxico do solo, ciclo, estatura e qualidade dos grãos; 6) identificação de fontes de resistência às principais moléstias e estudo da biologia e controle das mesmas; 7) produzir semente genética de alta qualidade e realizar a divulgação dos cultivares gerados no programa.

A completa substituição das variedades antigas por variedades modernas, com melhor tipo agronômico e melhor rendimento e qualidade de grãos, possibilitou que o País deixasse de ser um importador de grãos de aveia de boa qualidade, poupando divisas. Graças às novas variedades, e a disponibilidade no mercado nacional de aveia com boa qualidade, foi possível o surgimento de um grande numero de indústrias de pequeno porte para a transformação e processamento de grãos de aveia, assim como para a elaboração de produtos mais saudáveis à dieta humana.

Desde a implantação do sistema de proteção de cultivares em 1997 a UFRGS registrou e protegeu no Sistema Nacional de Proteção de Cultivares do Ministério da Agricultura os  seguintes cultivares:

Cultivar/Ano proteção:
URS GUAPA/2004
URS TAURA */2010
URS TARIMBA/2010
URS CHARRUA/2011
URS ESTAMPA/2011
URS PENCA/2011
URS TORENA/2011
URS GURIA/2011
URS CORONA/2012
URS GUARÁ/2012
URS BRAVA/2014
URS ALTIVA/2015
URS F FLETE/2016

  • Cultivares em negrito ainda são cultivadas

A área cultivada com aveia passou de pouco mais de 30 mil hectares em 1976 para mais de 300 mil hectares em 2016 e o rendimento de grãos passou de 940 kg/ha em 1976 para 2840 kg/ha em 2016 (Fonte: Conab 2017). Nos últimos anos os cultivares da UFRGS tiveram um desempenho espetacular com um aumento expressivo na área de produção de sementes licenciadas (fig.1) e no número de licenças aos produtores de sementes (fig.2) perfazendo mais de 90% da semente oficial comercializada no Brasil.

O sucesso dos cultivares atualmente disponibilizadas aos agricultores (Tab. 1 e 2 e Fig.3 a 5) é devido ao alto rendimento e qualidade dos grãos, a resistência/tolerância às principais fontes de estresses bióticos e abióticos e ampla adaptação aos ambientes subtropicais do Brasil.

Os cultivares e o germoplasma desenvolvido na UFRGS tem sido utilizado diretamente para cultivo em outros países como Argentina, Uruguai, Estados Unidos e Índia.

Veja a entrevista concedida pelo Prof. Luiz Carlos Federizzi no Programa Pesquisa em Pauta, da UFRGS TV, em 16 de abr de 2018.

 

Fig.5. Cultivar URS TAURA em dia de campo (WINTERSHOW) na Cooperativa Agraria em Guarapuava Paraná.

Fig1. Área em hectares de semente oficial licenciada pela UFRGS nos diferentes anos

 

 

Fig. 2 Numero de autorizações concedidas pela UFRGS aos produtores de sementes do Sul do Brasil.

Tabela 1. Rendimento de grãos obtidos pelos cultivares da UFRGS em diferentes locais sem a aplicação de fungicidas.

RENDIMENTO DE GRÃOS (kg/ha) SEM FUNGICIDA 2016
LOCAIS DE ENSAIO: ARA=Arapoti; AP=Augusto Pestana; CAS=Castro; CB= Capão Bonito; ES=Eldorado do Sul; GUA=Guarapuava; ITA=Itaberá;  LAG=Lages; LON=Londrina;
MS=Mauá da Serra; ST=Santa Tereza do Oeste; TIB=Tibagi; TM=Três de Maio
RS RS RS SC PR PR PR PR PR PR PR SP SP
Cultivar AP ES TM LAG ARA CAS GUA LON MS ST TIB CB ITA Média
URS Corona 3520 3975 2591 3936 6521 6949 8008 4406 4354 5414 8220 3630 8238 5366
URS Guará 3153 3796 2455 4713 7273 6680 7491 4844 4289 5944 7797 3410 7717 5351
URS Brava 2898 3192 3869 4901 6188 7299 6621 5171 4391 5327 8204 3070 7899 5310
URS Charrua 3184 4251 2706 4709 5547 6790 7351 5281 4370 5379 8312 3167 7602 5281
URS 21 2912 3970 3331 5577 6536 7567 7852 4867 3780 4141 7523 3143 6834 5233
URS Guria 1911 3357 2587 4941 5166 8413 7944 5974 4323 5355 6825 3573 7431 5215
URS Torena 2461 3465 3229 4742 5513 7534 7874 5464 4172 4897 7255 2770 7233 5124
URS Estampa 2866 2997 3228 4996 5778 6807 7558 4898 3898 5061 7329 4013 6988 5109
URS Tarimba 2951 3135 3343 5087 5690 7316 7565 4622 4061 3968 7071 2857 7454 5009
URS Altiva 2593 3314 3758 4637 5427 8424 6683 4110 4359 4245 6823 2757 7058 4938
URS Taura 1831 3119 3170 4395 5191 7025 6706 5866 4328 3848 7074 3503 6948 4846
Média 2753 3506 3115 4785 5894 7346 7423 5046 4211 4871 7494 3263 7400 5162
                             

Tabela 2. Rendimento de grãos obtidos pelos cultivares da UFRGS em diferentes locais com a aplicação de fungicidas

RENDIMENTO DE GRÃOS (kg/ha) COM FUNGICIDA 2016
LOCAIS DE ENSAIO: ARA=Arapoti; AP=Augusto Pestana; CB=Capão Bonito; CAS=Castro; ES=Eldorado do Sul; GUA=Guarapuava; ITA=Itaberá;  LAG=Lages; LON=Londrina;
MS=Mauá da Serra; ST=Santa Tereza do Oeste; TIB=Tibagi; TM=Três de Maio
RS RS RS SC PR PR PR PR PR PR PR SP SP
Cultivar AP ES TM LAG ARA CAS GUA LON MS ST TIB CB ITA Média
URS Corona 4812 4241 3239 5094 7695 9971 8008 5509 5697 5841 8939 3410 7871 6179
URS Guará 4067 4425 3855 4067 6990 9872 7491 6159 5970 5693 8761 3630 8112 6084
URS 21 3569 4271 3985 4988 7200 9214 7852 5609 5835 5367 8335 4090 7925 6018
URS Charrua 4048 4402 3108 4338 6622 9654 7351 5605 5943 6005 8685 3693 8402 5989
URS Tarimba 3934 4417 3847 3872 6251 9466 7565 5113 5481 5431 9513 3220 7407 5809
URS Estampa 3625 4230 3367 5704 5703 9468 7558 5721 5379 5137 7989 3297 8304 5806
URS Brava 3795 3274 4047 4207 6784 9400 6621 6196 5727 5081 8581 3450 8148 5793
URS Taura 3366 5174 3933 4536 6152 8643 6706 6661 5680 4799 8195 2923 8337 5777
URS Guria 3296 3892 2812 4535 5897 7691 7944 5978 5591 6103 8304 3643 8504 5707
URS Torena 3462 3823 3391 4966 6257 9246 7874 5594 5026 5110 8389 3227 7759 5702
URS Altiva 3751 3785 4353 4886 5325 8402 6683 4974 5835 4778 7193 2383 7479 5371
Média 3793 4176 3631 4654 6443 9184 7423 5738 5651 5395 8444 3361 8023 5840
Fig.3 Foto dos experimentos com aveia na Estação Experimental Agronômica da UFRGS.
Fig.4. Lavoura do cultivar URS ALTIVA em um de nossos licenciados Sementes Falcão (Municipio de Sarandi-RS).

 

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