Nilce Azevedo Cardoso, natural de Orlândia/SP, mudou-se para Porto Alegre durante a ditadura civil-militar, quando estava engajada na Ação Popular, um dos grupos de resistência à ditadura. Nilce nos deixou hoje, mas sua vida de ensinamentos sobre o combate à tortura, às opressões e pelos direitos humanos marcou e marcará gerações. Nilce Azevedo Cardoso, Presente!
Registro de Mariluci Vargas, Nilce Cardoso em frente ao Monumento aos mortos e desaparecidos políticos pela ditadura civil-militar, Porto Alegre, 31/03/2019.
Mais uma contribuição da coluna Vozes da ditadura no site História da Ditadura. O texto Crianças e adolescentes órfãs na ditadura civil-militar destaca a temática da orfandade precoce de descendentes de opositores políticos da ditadura civil-militar brasileira, elencando registros testemunhais e iniciativas de reconhecimento das graves violações de direitos humanos a partir do caso da família de Virgílio Gomes da Silva e Ilda Martins da Silva. Confira esses e outros conteúdos no História da Ditadura.
A advogada Eny Raimundo Moreira, uma das vozes contra a ditadura civil-militar brasileira, faleceu hoje. Ela esteve na linha de frente na defesa de pessoas sequestradas, detidas e indiciadas por motivação política e contribuiu, sobremaneira, para denunciar as graves violações de direitos humanos. Sua trajetória contou com participações no Projeto Brasil: Nunca Mais, no Comitê Brasileiro pela Anistia e como testemunha para a Comissão Nacional da Verdade. Nos solidarizamos com familiares e amigas/os de Eny Moreira.
Frame do vídeo “Coleta de depoimentos no Rio de Janeiro: Eny Moreira” da Comissão Nacional da Verdade (canal youtube)
Assista as declarações públicas sobre sua trajetória:
É com profunda tristeza que compartilhamos a notícia da partida do professor e pesquisador Enrique Serra Padrós e nos solidarizamos com familiares e amigas/os/es. O Padrós, como era chamado por estudantes e colegas, foi uma das vozes mais combatentes contra as ditaduras e o terrorismo de Estado. Seus estudos sobre as Ditaduras de Segurança Nacional, as estruturas repressivas e as consequências devastadoras deixadas pelos crimes de lesa humanidade circulam além fronteiras. O legado de sua trajetória acadêmica como professor de uma universidade pública e sua postura ética e política certamente marcou gerações de estudantes, pois defendia que os estudos acadêmicos e a escrita da história estivessem à serviço de uma sociedade mais solidária, humana e justa. Enrique, obrigada por tantos ensinamentos, por batalhar e por acreditar que é nosso dever seguir firmes por verdade, memória e justiça!
Registro do Seminário “40 Anos da Lei de Anistia: Memória, História e Vigência de um Debate”, em outubro de 2019, organizado pelo Enrique Padrós (PPGH/UFRGS), @museu.ufrgs e @nphufrgs
Para saber mais sobre as pesquisas desenvolvidas pelo professor, consulte:
A tese intitulada O testemunho e suas formas: historiografia, literatura, documentário (1964-2017), de autoria de Mariluci Cardoso de Vargas, com a orientação da profª. Cláudia Wasserman, defendida em 2018 no Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, ficou entre os destaques das teses recomendadas para publicação pela Coleção ANPUH/RS (Edital 2020-2022).
Mariluci Cardoso de Vargas é bolsista CAPES pelo Programa Nacional de Pós-Doutorado, professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS e pesquisadora do Laboratório de estudos sobre os usos políticos do passado (LUPPA/UFRGS). Durante seu estágio pós-doutoral criou e edita o site Vozes da ditadura: Banco de Testemunhos da História recente.
Segue a notícia difundida pelas redes sociais da ANPUH/RS:
Resultado Coleção ANPUH/RS – Edital 2020-2022
A Secretaria da Anpuh-RS, atendendo à chamada do edital da Coleção ANPUH/RS – Edital 2020-2022, junto com a comissão editorial de avaliação, composta pelos professores/as: Dr. Felipe Cittolin Abal (PPGH/UPF); Dr. Aristeu Elisandro Machado Lopes (PPGH/UFPel); Dra. Beatriz Teixeira Weber (PPGH/UFSM); Dr. Marcos Antônio Witt (PPGH/UNISINOS); Dr. Luís Carlos Passos Martins (PPGH/PUCRS); Dr. Marcus Vinicius de Freitas Rosa (PPGH/UFRGS), vêm a público informar o resultado:
1º lugar: “A terra natural desta nação guarani”: identidade, memória e reprodução social indígena no vale do Jacuí (1750-1801), de Max Roberto Pereira Ribeiro (UNISINOS)
2º lugar: A invenção de Simões Lopes Neto: literatura e memória história no Sul do Brasil, de Jocelito Zalla (UFRJ)
3º lugar: O testemunho e suas formas: historiografia, literatura, documentário (Brasil, 1964-2017), de Mariluci Cardoso de Vargas (UFRGS)
O Vozes da ditadura também indica testemunhos e depoimentos prestados à Comissão Nacional da Verdade que encontram-se disponíveis para consulta. Visite o site no menu arquivos e relatórios.
Por e-mail João dos Reis, frequente colaborador do Vozes da ditadura, indicou duas obras sobre Maria Auxiliadora Lara Barcelos: o longa-metragem Alma Clandestina (2018), de José Barahona e a peça teatral Dora (2021), de Sara Antunes. Pesquisando sobre as obras incluímos o curta-metragem De Dora, por Sara (2020), Sara Antunes, participante da 24ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em 2021. As três produções foram incorporadas ao Banco de testemunhos da história recente, suas potencialidades estéticas alavancam muitas questões em torno dos vestígios do passado, das escritas de si, da fluidez da memória, dos desafios e das dificuldades enfrentados pelas mulheres em um mundo estruturado nas desigualdades de gênero. Imagens de arquivo, fotografias, fragmentos de outros documentários, excertos e leituras de documentos produzidos pela repressão sobre Maria Auxiliadora Lara Barcelos são reunidos e explorados pelo/a autor/a das obras.
Confira o trailer de Alma Clandestina e o debate sobre o filme com o diretor e a atriz Sara Antunes:
““De Dora por Sara” compartilha trechos de escritos, cartas da prisão e cartas do exílio trocadas entre a guerrilheira Maria Auxiliadora Lara Barcelos e Clélia Lara Barcelos, recriando o que chamava de “Represa de Dora”, um campo de comunicação entre o confinamento e a possibilidade da utopia. Essa pesquisa conjuga palavras “reais” num tempo poético, tateando tanto os processos que levaram o corpo dela ao suicídio como o inverso: investiga um campo vibrátil para que ela reviva, numa espécie de cartografia do “encarnar”, avessa a desistência.”
imagem de Alma Clandestina (2018), José Barahona
Divulgação da peça teatral em formato virtual Dora (2021), de Sara Antunes.
Conferiu o sexto, sétimo e oitavo episódio da série Mulheres Presentes? Segue abaixo:
Rita de Cássia Colaço Rodrigues é a sexta convidada da série “Mulheres presentes: resistências, lembranças e escritas da história”. A pesquisadora, que foi militante durante a ditadura, compartilha bandeiras políticas que foram superadas pelas mulheres desde aquele período, assim como pautas que ainda exigem enfrentamento no tempo presente.
Rita de Cássia Colaço Rodrigues é professora e participou da fundação do Grupo de Atuação a Afirmação Gay (GAAG), em 1979, no Rio de Janeiro. É autora da pesquisa De Daniele a Chrysóstomo – Quando travestis, bonecas e homossexuais entram em cena (2012, UFF).
No sétimo episódio de “Mulheres Presentes: resistências, lembranças e escritas da história”, recebemos a historiadora Janaína Martins Cordeiro, que fala sobre as atuações de mulheres conservadoras que apoiaram o golpe e a ditadura, apontando outras possibilidades de estudos sobre as manifestações dessas mulheres.
Janaína Cordeiro é professora do departamento de História da UFF e autora da pesquisa Direitas em movimento: a Campanha da Mulher pela Democracia e a ditadura no Brasil (FGV, 2009).
E para encerrar a série “Mulheres Presentes: resistências, lembranças e escritas da história”, apresentamos o relato de Amparo Araújo. • Amparo Araújo é ativista pelos direitos humanos, irmã de Luiz Almeida Araújo, submetido ao desaparecimento forçado pela ditadura militar desde 1971, e viúva de Luiz José da Cunha, morto sob tortura em 1973. Amparo Araújo integrou a resistência à ditadura, fundou a ONG Tortura Nunca Mais na capital pernambucana e integrou a Secretaria de Direitos Humanos e Segurança cidadã do município de Recife. • Agradecemos a todes que acompanharam a série ao longo desse mês de março. Seguimos juntes, pensando intervenções para demarcar: ditadura nunca mais! • ? Na trilha, a música “Hino das Rosas”, uma composição de Jéssica Nucci, do @oexpressolivre • #aparecidas#vozesdaditadura#mulheres#ditadura#história#pesquisa#mulheresnaditadura