Aoua Kéita (1912-1980)

Aoua Kéita do artista Massiré Tounkara | UNESCO
Fonte da imagem: UNESCO. Disponível em: https://en.unesco.org/womeninafrica/aoua- keita-0/. Acesso em: 14 de dez. de 2020.

Ativista política maliana, líder de mulheres e autora, nasceu em Bamako, na então colônia do Sudão Ocidental Francês. Uma forma alternativa de seu nome é Awa Keita. Seu pai, Karamogo Kéita, um veterano mandinga que participou da I Guerra Mundial  Malinké, trabalhou para o serviço de higiene colonial. Sua mãe Mariam Coulibaly, uma Diúla da Costa do Marfim, deu-lhe uma forte educação tradicional.

Algo excepcional para uma garota de sua geração, Aoua foi matriculada na recém criada École de Filles de Bamako (Escola para Meninas de Bamako) (1923) por seu pai e contra os desejos de sua mãe. Em 1928, ela se formou no Foyer de Métisses de Bamako, um colégio interno para meninas “mestiças” destinado a um pequeno número de africanos. A seguir, foi admitida na Escola de Medicina de Dakar, na época a capital da federação da África Ocidental Francesa, onse se formou como parteira (1931), dando início a uma carreira nos serviços médicos do estado colonial. Seu primeiro posto de trabalho foi em Gao, no nordeste do Mali, onde ela serviu por doze anos, estabelecendo a primeira maternidade da cidade. Depois ela também trabalhou em Nara e em Casamance.

Paralelamente, casou-se com o médico Daouda Diawara, com quem viveu onze anos (1935-1946). Ao mesmo tempo, ambos ingressaram na luta anti-colonial, passando a atuar na Union Soudanaise – Rassemblement Democratique Africain – US-RDA (União Sudanesa – Ajuntamento Democrático Africano), no qual ela assumiria um cargo executivo em 1958, atuaria como comissária para as mulheres e teria participação na redação da Constituição do Mali e,  após a independência, teria assento na assembléia legislativa para a região de Sikasso tornando-se a primeira mulher parlamentar do país.

Keita publicou sua autobiografia, Femme D’Afrique: la vie d’Aoua Keïta racontée par elle-même (Mulher da África: a vida de Aoua Keita recontada por ela própria) (1975), em que retrata sua vida pública nos anos 1950-1960. O livro foi aclamado pela crítica especializada e recebeu o Grande Prêmio Literário da Africa Negra.

Com a ampliação efetiva da participação feminina na vida pública do Mali nos anos 1990, o nome de Aoua Keita é lembrado como uma referência fundamental, e ela tem sido homenageada em eventos,  cerimônias, tendo o nome atribuído a premiações e instituições. Seu maior legado foi ter ajudado a estabelecer a reforma sobre a lei do casamento e da tutela, que introduziu avanços significativos no direito civil maliano e representou uma ampliação dos direitos das mulheres.

BIBLIOGRAFIA

KÉITA, Aoua. Femme d’Afrique: la vie d’Aoua Keïta racontée par elle-même. Paris: Présence Africaine, 1975.

KONARÉ, Adama Ba. Dictionnaire des femmes célèbres du Mali. Paris: L’Harmattan, 1994.

MANN, Gregory; SIDIBE, Oumou. “Aoua Keita”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 323-324.

TURRITTIN, Jane. Aoua Kéita and the nascent women’s movement in the French Soudan. African Studies Review, v. 36, n. 1, p. 59-89, 1993.

Última atualização em: 22/01/2021

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