Ahlam Mustaghanmi (1953)
Poetisa, romancista e editorialista, foi a primeira argelina a publicar um romance em árabe – como uma forma de resistência ao imperialismo cultural francês, que aboliu o seu uso formal, e à cultura popular produzida em massa. Sua família resistiu à colonização francesa; preso por ser ativista político, seu pai Muhammad al-Sharif insistiu que ela estudasse em uma das melhores escolas árabes do país, o que abriu caminho para o diploma em Literatura Árabe na Universidade de Argel em 1973, e para o doutorado pela Universidade Sorbonne (1982). A sua tese, Algérie, femmes et écritures (Argélia, mulheres e escritas) mapeia a história da Argélia através da participação política e literária de suas mulheres.
O árabe, a feminilidade e a Argélia estão em seu primeiro romance, Dhakirat al-Jasad (Memória na carne) (1993), dedicado ao escritor argelino Malik Haddad. Além de um elogio a seu pai e à Argélia pós-emancipação, ela é uma crítica de si e do outro através da voz masculina adotada para o narrador. Segundo ela, o vazio cultural existe porque o país não transcendeu sua história como sujeito colonizado. Filha de um mártir, ela desenvolve um perfil humanista para a figura deste; mulher, ela recorda as injustiças pelas quais essas passam no pós-independência. O romance, ganhador do prêmio de literatura Najib Mahfuz, foi traduzido para várias línguas e ganhou uma sequência com Fawda al-Hawas (Caos dos sentidos) (1997), e ‘Abir Sarir (Uma cama transeunte) (2003).
Embora afirme que “escrever no mundo árabe é uma atividade perigosa”, sua poesia é uma alternativa à cultura pop, estando no repertório de Jahida Wahbi e na televisão, com a adaptação de Memória na Carne. Outras obras suas são ‘Ala Marfa’ al-‘Ayyam (No portal do tempo), Al-Kitaba fi Lahdhat ‘Uriyy (Escrevendo em um momento de nudez), além das contribuições semanais à coluna Zahrat al-Khalij.
Ahlam Mustaghanmi lançou a coleção de artigos Qulubuhum Ma’ana, Qanabiluhum ‘Alayna (Seus corações conosco, suas bombas sobre nós), escritos após o 11 de Setembro e críticos não só às posições de europeus e norte-americanos, mas também ao silêncio da comunidade internacional em relação à região árabe-islâmica.
BIBLIOGRAFIA
BAMIA, Aida A. Dhakirat al-Jasad (The Body’s Memory): A new outlook on old themes. Research in African Literatures, v. 28, n. 3, p. 85-93, 1997.
GHAZOUL, Ferial J. Memory and Desire. Al-Ahram Weekly , n. 409, 24-30/12/ 1998.
SHEBLE, Riham. “Aham Musaghanmi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 353-354.
SUYOUFIE, Fadia. The uncanny in Ahlam Mustaghanmi’s ‘Abir Sarir’. Journal of Arabic Literature, v. 36, n. 1, p. 28-49, 2005.
































