Poetisa congolesa e especialista em Estudos Africanos de língua Bantu, nasceu na cidade de Tshofa no então Congo Belga, atual República Democrática do Congo. Enquanto fazia curso superior na Universidade de Kinshasa, no início da década de 1960, participou do movimento literário conhecido como Pléiade du Congo, através do qual foram publicados muitos trabalhos de escritores congoleses de 1966 a 1968. Obteve o título de Doutorado em Estudos Africanos na Universidade de Paris III no início da década de 1970.
Alcançou renome internacional, com trabalhos publicados pelo Ministério da Cultura do país em 1968 como um meio de promoção da literatura nacional. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Literário Senghor, e escreveu em francês e em chiluba, sua língua nativa, a primeira coletânea de poemas conhecida como Murmures (Murmúrios) (1969) – primeiro trabalho de poesia feminina publicado por uma africana em francês. A maioria de seus poemas eram pessoais: tratam de sua relação com o marido e os cinco filhos. Sua outra coletânea, Kasala, de 1969, contém poemas que expressam suas frustrações com a situação econômica do país.
Entre 1972-1981 passou pelos Estados Unidos, morou no Níger e na Bélgica. Trabalhou como professora de disciplinas de literaturas orais e estilística africana Universidade de Niamey (1978-1980) e a partir de 1981 na Universidade Católica de Louvain (Bélgica) – onde deu contribuição fundamental para o surgimento do Centro Internacional das Línguas, Literaturas e Tradições da África, que ela dirigiu a partir de 1986. Neste núcleo de pesquisa, desenvolveu estudos de linguística bantu, com trabalhos sobre antroponímia, semântica, literaturas orais, estudo da simbologia das escarificações e tatuagens corporais, cujos resultados estão reunidos nos livros Arts africaines: signes et symboles (Artes africanas: signos e símbolos) (2000) e La puissance du sacré: l’homme, la nature et l’art en Afrique Noire (O poder do sagrado: o homem, a natureza e a arte na África negra) (2003).
Recebeu diversos prêmios em reconhecimento de sua carreira como poetisa e como estudiosa, e publicou o livro Tu le leur diras. Le récit véridique d’une famille congolaise plongée au coeur de l’histoire de son pays. Congo, 1890-2000) (Tu dirá a eles. Narrativa verídica de uma família congolesa imersa no coração da história de seu país. Congo, 1890-2000) (2005), em que trata de sua própria biografia e da relação entre história de sua família do regime colonial à primeira guerra civil do Congo no início dos anos 1960, à ditadura e a guerra civil do Congo de 1996 a 2003.
BIBLIOGRAFIA
FAIK-NZUIJI, Clementine. In: Reading women writers and african literature. The University of Western Australy, 2013.
CLÉMENTINE FAIK-NZUIJI , Clementine. La puissance du sacré: l’homme, la nature et l’art en Afrique Noire. Waterloo: La Renaissance du Livre, 2003.
NGANDU, Pius Nkashama (Ed.). Itinéraires et trajectoures du discours littéraire à l’Anthropologie: Mélanges offerts à Clémentine Faïk-Nzuji Madiya. Paris: L’Harmattan, 2009.
RICH, Jeremy. “Clémentine Faik-Nzyji Madiya”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 331-332.
Última atualização em: 22/01/2021
































