Marie Elise Gbedo (1954)

Marie Elise Gbedo
Fonte da imagem: GBEDO, Marie-Elise. 12 de jan. de 2016. Facebook: Marie-Elise Gbedo. Disponível em: https://www.facebook.com/maitremarieelisegbedo/photos/a.157949270889840/1144225788928845. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Feminista e politica  beninense, nasceu na cidade de Mankono, na Costa do Marfim. Freqüentou a escola primária e secundária no Benin e obteve sua formação universitária na França, onde se formou em Direito e se especializou em Direito Empresarial pela Université de Paris I – Panthéon-Sorbonne (1985).

Em sua autobiografia, afirmou que escolheu manter sua independência, preferindo não se casar. Marie Elise começou a atuar na vida pública durante a ditadura de Mathieu Kérékou, no final dos anos 1980. Seu primeiro objetivo foi incorporar mais proteções aos direitos individuais das mulheres no código legal beninense. Ela entrou formalmente na arena política apenas em maio de 1998, quando foi nomeada Ministra do Comércio. Foi demitida em junho de 1999, quando o governo lançou uma grande investigação sobre a corrupção na empresa estatal petroleira beninense.

Em 2001 Marie Elise Gbedo fez história no Benin ao se tornar a primeira mulher a concorrer à presidência. Optou por participar como candidata independente em vez de formar um partido político. Seu slogan, “Hwénsu”, significava “É hora”, em fon, a língua nacional do país. A campanha não recebeu a devida atenção da imprensa e de apoiadores, e ela obteve apenas 3% dos votos do eleitorado. Voltou a concorrer nas eleições de 2006, no qual Bonii Yayi saiu vencedor, e teve sua campanha retratada em um documentário do cineasta Sanvi Panou, L’Amazone candidate (A candidata amazona) (2007).

Em continuidade ao trabalho legislativo, lutou  pela criação de normas jurídicas contra a poligamia, o que gerou crítica de muitos parlamentares homens.  Em uma conferência de 2005 sobre mulheres e política, proferida em Niamey, capital da República do Níger, Gbedo encorajou as mulheres a entrar no processo político. Outra importante frente de reivindicações diz respeito às melhorias da condição de acesso das meninas à educação, o que tem sido incentivado pela Organização Hwénsu, que ela fundou. Tal ativismo ocasionalmente tem consequências para sua segurança, e em 2009 ela sofreu ameças e ataques perpetrados por indivíduos desconhecidos, alguns deles mascarados.

Gbedo recebeu a medalha da Ordem Nacional do Benin e foi admitida pelo presidente francês Nicolas Sarkozy na Legião de Honra por seu ativismo em defesa dos direitos humanos. Sua trajetória aparece retratada em suas memórias, intituladas Le destin du roseau (O Destino do junco) (2009).

Ela voltou a concorrer sem sucesso à presidência em março de 2011, e apoiou Boni Yayi após ele ter obtido a vitória. Esta independência e tenacidade revelam ao mesmo tempo a fragilidade da democracia em seu país e a insistência das mulheres em aproveitar todas as oportunidades na contracorrente das realidades beninenses. 

 BIBLIOGRAFIA

AHISSOU, Virgile. “Marie-Elise Gbedo: the woman who dared”. Courier ACP-UE, p.  73-74, maio-junho 2001.

GBÉDO, Marie-Elise. Le destin du roseau. Cotonou: Ruisseaux d’Afrique, 2009.

RICH, Jeremy. “Marie Elise Gbedo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 437-438.

Última atualização em: 22/01/2021

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