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Cecilia Tamanda Kadzamira (1938)

Primeira-dama do Malawi, também conhecida como Mama (mãe da nação) Kadzamira. Nasceu no Distrito de Dedza e cresceu na Rodésia do Sul, atual Zimbábue. Realizou treinamento para enfermeira no Hospital Geral de Zomba em meados dos anos 1950.

Trabalhou na clínica do Dr. Hastings Banda, que subiu na hierarquia política do Malawi e foi presidente de 1964 a 1994, período no qual Kadzamira continuou a servir como enfermeira, secretária e recepcionista oficial, uma atividade geralmente atribuída à Primeira dama, embora eles nunca tenham sido oficialmente casados. A posição por ela ocupada garantiu-lhe imenso poder, tanto sobre as relações cotidianas do governo quanto sobre favores e empregos para familiares.

Em 1984 Cecília fundou a Chitukuko Cha amai M’Malawi – CCAM, uma organização feminina que viria a ser utilizada para fortalecer os seus interesses, mesmo desviando fundos de assistência provenientes do exterior e afastar líderes ambiciosos internos e externos ao Partido do Congresso do Malawi – MCP que pretendiam chegar ao poder. Sua crescente influência sobre o presidente fez circular rumores sobre a intimidade da relação entre ambos, embora este tipo de questionamento tenha sido considerado motivo para detenção.

Desde os anos 1970 Cecilia Kadzamira desempenhou um papel fundamental no estabelecimento de relações de Banda com os presidentes Kenneth Kaunda e Robert Mugabe, da Zâmbia e do Zimbábue, respectivamente. Ela permaneceu ao lado de Banda desde a sua derrota na eleição presidencial de 1994 até a sua morte (1997). Os familiares dele acusam-na de manipulação, uma vez que o ex-presidente deixou a maior parte dos seus bens para ela. Kadzamira se afastou das atividades políticas desde então, embora continue sendo muito influente dentro do MCP.

BIBLIOGRAFIA

LWANDA, John Loyd.  Kamuzu Banda of Malawi: a study in promise, power, and paralysis. Glasgow: Dudu Nsomba Publications, 1993.

MGAWI, K. J. Tracing the footsteps of Dr. Hastings Kamuzu Banda. Blantyre: Dzuka Publishing Company, 2005.

OCHWADA, Hannington. “Cecilia Tamanda Kadzamira”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 258-259.

Charity Kaluki Ngilu (1952)

Mulher pública queniana, nasceu na cidade de Mbooni, no Distrito de Makueni, na República do Quênia, e seus antepassados pertenciam ao povo Kamba. Estudou na Alliance Gils High School. Formou-se em Secretariado e Administração no Government Secretarial College, Kianda College e no Kenya Institute of Administration for Business.

Ela começou a carreira profissional como secretária no Banco Central do Quênia, e como diretora de uma fábrica de plásticos.  Nos anos 1990 ingressou na vida pública, no Democratic Party (Partido Democrático) e no Social Democratic Party (Partido Social Democrático), tendo sido eleita ao parlamento para representar o Distrito de Kitui em 1992 e 1997.

No início do século XXI, ingressou no National Party of Kenya (Partido Nacional do Quênia), pelo qual foi eleita ao congresso em 2002, e em 2003 foi designada pelo presidente Mwai Kibaki para ocupar a pasta do Ministério da Saúde. Em sua trajetória, procurou vincular sua imagem aos interesses nacionais e não aos particularismos étnicos e sua agenda contempla pontos importantes das reivindicações femininas, integrando diversos grupos de representação das mulheres.  Em 2007 ela foi temporariamente presa quando invadiu uma delegacia de polícia para pressionar pela libertação de uma ativista que tinha sido detida por protestar contra os altos salários dos membros do parlamento.

Charity voltou a ser eleita para o congresso em 2007 e no ano seguinte foi indicada como Ministra da Água e da Irrigação (2008-2013), quando se viu envolvida em denúncias de corrupção. Também atuou como Secretária do Gabinete de Terras, Moradias e Desenvolvimento Urbano de 2013 a 2015.

Por duas vezes ela concorreu à presidência do país. Primeiro, em 1997, quando perdeu o pleito para Daniel Arap Moi. Depois, em 2012, nas prévias para as eleições presidenciais de 2013, mas não encontrou apoio suficiente.  Em 2017, todavia, ela concorreu ao governo do Condado de Kitui, derrotando o adversário, Julius Malombe e saindo vitoriosa na eleição.   

BIBLIOGRAFIA

KAMAU, Nyokabi. Women and political leadership in Kenya: ten cases. Berlim: Heinrich Boll Stiftung, 2010: https://ke.boell.org/sites/default/files/women_in_leadership_study.pdf

TRIPP, Aili. “Charity Kaluli Ngilu”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 450-451.

NZOMO, Maria (Ed.). Women in politics: challenges of democratic transition in Kenya. Berlim: Heinrich Boll Fondation, 2003.

Joyce Nhongo Mujuru (1955)

Política zimbabuense, nasceu em uma família camponesa, em Monte Darwin, em uma comunidade de língua zezeru, do grupo étnico Xona.  

Quando tinha dezoito anos, juntou-se primeiro à Luta de Libertação Nacional moçambicana, quando assumiu o nome de guerra de Teirai Ropa (Sangue Derramado). É celebrada e lembrada por sua pontaria que lhe permitiu, sozinha, derrubar um helicóptero da Força Aérea da Rodésia em 1974. Tornou-se uma general no Zimbabwe African National Liberation  Army – ZANLA (Exército de Libertação Nacional Africano do Zimbabué), e foi secretária para os assuntos das mulheres da Zimbabwe African National Union – ZANU  (União Nacional Africana do Zimbábue ).  Em 1977 Joyce se casou com Solomon Mujuru, então vice-comandante em chefe do ZANLA, com quem teve quatro filhas.

Após a independência do Zimbabwe Mujuru se tornou a ministra de gabinete governamental mais jovem, na pasta de esportes, juventude e recreação. Durante esse período, completou a educação secundária. Ela foi depois apontada pelo presidente Robert Mugabe como vice-presidenta.

Sua carreira, todavia, tem sido marcada por uma série de controvérsias. Quando o governo estabeleceu o Fundo de Compensação de Vítimas da Guerra (WVCF), a corrupção e a ganância da elite resultaram em grandes pagamentos para doenças menores, comparadas às vítimas com deficiência física. Joyce Mujuru foi uma das maiores beneficiárias do fundo. O esquema é identificado como umas das faíscas do colapso econômico de Zimbábue.

BIBLIOGRAFIA

CHIKUHWA, Joseph. A crisis of governance: Zimbabwe. Nova Iorque: Algora Publishing, 2004.

GRANT, Miriam. “Joyce Nhongo Mujuru”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 315-316.

HILL, Geoff. The battle for Zimbabwe – the final countdown. Cape Town: Zebra Press, 2003.

NHONGO-SIMBANEGAVI, Josephine. For better or worse? Women and ZANLA In Zimbabwe’s Liberation Struggle . Harare: Weaver Press, 2000.

Margaret Dongo (1960)

Combatente da liberdade no Zimbábue e mulher pública com carreira política independente. Nasceu no seio de uma família simples que se opunha ao governo de minoria branca, e lembra-se de aos sete anos visitar o pai, que era pedreiro, na prisão. Aos quinze anos abandonou  a escola secundária  e caminhou cerca de 300 km até Moçambique para se juntar aos combatentes da liberdade da União Nacional Africana do Zimbábue -ZANU, que empreendia a guerra de libertação contra o regime colonial liderado por Ian Smith, líder da Rodésia, atual Zimbábue.  Atuou como assistente médica e participou do campo do combate.

Quando retornou ao seu país em 1980, após a independência, assumiu o cargo de Secretária dos Assuntos da Mulher na sede nacional da ZANU-PF em Harare. Três anos mais tarde passou a integrar o Ministério de Segurança do Estado, atuando como porta-voz de veteranos de guerra  – o que a levou a ajudar a fundar a Associação dos Veteranos de Guerra da Libertação Nacional (1989), um grupo de defesa dos antigos combatentes da liberdade. Com o apoio desta associação, tornou-se, aos trinta anos de idade, a parlamentar mais jovem do Parlamento  do Zimbábue.

Nas décadas seguintes, travou no parlamento combate incessante contra a corrupção praticada por membros do ZANU-PF. Como, por este motivo, não foi indicada pelo partido para as eleições de 1995, decidiu concorrer como candidata independente e conseguiu uma vaga após denunciar e provar a ocorrência de fraude no resultado da apuração. Numa ocasião, exigiu que o governo revelasse uma lista daqueles que se beneficiaram do programa de redistribuição de terras (2000), denunciou a a reimposição de taxas nas escolas do governo (2003) e contestou os critérios para determinar quem deveria ser enterrado no cemitério oficial do país, o National Heroes Acre .

Vista por alguns como símbolo de renovação e crítica ao sistema político, apesar de representar uma resistência corajosa tornou-se gradualmente uma força política marginalizada.  Embora em posição minoritária, mostra alternativas de mudança como porta-voz das mulheres no continente  e como símbolo do ideal democrático: presidiu a União dos Democratas do Zimbábue até o fim deste partido em 2006.

BIBLIOGRAFIA

COMPAGNON, Daniel. Margaret Dongo, nouveau hérault de la démocratie au Zimbbwe. Politique Africaine, v. 61, p. 122-127, 1996.

CHIKUHWA, Jaboc W. A crisis of governance. Zimbabwe. Nova  Iorque: Algora 2004.

KILGORE, James. “Margaret Dongo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 242-244.

MEREDITH, Martin. Robert Mugabe: power, plunder and tyranny. Johanesburgo: Jonathan Ball, 2002.

Marie Elise Gbedo (1954)

Feminista e politica  beninense, nasceu na cidade de Mankono, na Costa do Marfim. Freqüentou a escola primária e secundária no Benin e obteve sua formação universitária na França, onde se formou em Direito e se especializou em Direito Empresarial pela Université de Paris I – Panthéon-Sorbonne (1985).

Em sua autobiografia, afirmou que escolheu manter sua independência, preferindo não se casar. Marie Elise começou a atuar na vida pública durante a ditadura de Mathieu Kérékou, no final dos anos 1980. Seu primeiro objetivo foi incorporar mais proteções aos direitos individuais das mulheres no código legal beninense. Ela entrou formalmente na arena política apenas em maio de 1998, quando foi nomeada Ministra do Comércio. Foi demitida em junho de 1999, quando o governo lançou uma grande investigação sobre a corrupção na empresa estatal petroleira beninense.

Em 2001 Marie Elise Gbedo fez história no Benin ao se tornar a primeira mulher a concorrer à presidência. Optou por participar como candidata independente em vez de formar um partido político. Seu slogan, “Hwénsu”, significava “É hora”, em fon, a língua nacional do país. A campanha não recebeu a devida atenção da imprensa e de apoiadores, e ela obteve apenas 3% dos votos do eleitorado. Voltou a concorrer nas eleições de 2006, no qual Bonii Yayi saiu vencedor, e teve sua campanha retratada em um documentário do cineasta Sanvi Panou, L’Amazone candidate (A candidata amazona) (2007).

Em continuidade ao trabalho legislativo, lutou  pela criação de normas jurídicas contra a poligamia, o que gerou crítica de muitos parlamentares homens.  Em uma conferência de 2005 sobre mulheres e política, proferida em Niamey, capital da República do Níger, Gbedo encorajou as mulheres a entrar no processo político. Outra importante frente de reivindicações diz respeito às melhorias da condição de acesso das meninas à educação, o que tem sido incentivado pela Organização Hwénsu, que ela fundou. Tal ativismo ocasionalmente tem consequências para sua segurança, e em 2009 ela sofreu ameças e ataques perpetrados por indivíduos desconhecidos, alguns deles mascarados.

Gbedo recebeu a medalha da Ordem Nacional do Benin e foi admitida pelo presidente francês Nicolas Sarkozy na Legião de Honra por seu ativismo em defesa dos direitos humanos. Sua trajetória aparece retratada em suas memórias, intituladas Le destin du roseau (O Destino do junco) (2009).

Ela voltou a concorrer sem sucesso à presidência em março de 2011, e apoiou Boni Yayi após ele ter obtido a vitória. Esta independência e tenacidade revelam ao mesmo tempo a fragilidade da democracia em seu país e a insistência das mulheres em aproveitar todas as oportunidades na contracorrente das realidades beninenses. 

 BIBLIOGRAFIA

AHISSOU, Virgile. “Marie-Elise Gbedo: the woman who dared”. Courier ACP-UE, p.  73-74, maio-junho 2001.

GBÉDO, Marie-Elise. Le destin du roseau. Cotonou: Ruisseaux d’Afrique, 2009.

RICH, Jeremy. “Marie Elise Gbedo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 437-438.

Nkosazana Clarice Dlamini-Zuma (1949)

Ativista anti-apartheid, médica e política sul-africana.  Nasceu em KwaZulu-Natal, filha de pai professor. Completou o ensino médio no Adams College, em Amanzimtoti (1967), estudando a seguir Zoologia e Botânica na Universidade de Natal.

Já durante o curso superior assumiu a luta anti-racista, filiando-se ao African National Congress – ANC (Congresso Nacional Africano) e de organizações estudantis durante a revolta de Soweto (1976), o que a levou a buscar o exílio em Botswana e na Tanzânia. A partir daí completou os estudos de Medicina na  Universidade de Bristol (1978), e atuou como pediatra na Suazilândia.  Casou-se com Jacob Zuma, ex-companheiro do ANC e que posteriormente viria a ser presidente da África do Sul (2009-2018), e realizou pós-graduação em Saúde Infantil na Universidade de Liverpool.

Quando retornou à África do Sul no período posterior ao Apartheid, Nkosazana Clarice atuou como pesquisadora no Conselho de Pesquisa Médica em Durban, com destacada participação no período de transição do país para a democracia. Atuou como Ministra da Saúde, inovou o sistema de saúde antes discriminatório, implementando serviços de saúde gratuitos para crianças menores e mulheres grávidas, programas preventivos do HIV-AIDS, embora tenha sido envolvida em acusações por irregularidades financeiras da qual foi formalmente inocentada – mas ficou com a imagem pública manchada.

Ainda que parcialmente enfraquecida em virtude das acusações mencionadas Dlamini-Zuma foi nomeada Ministra das Relações Públicas Exteriores (1999) e esteve à frente da Conferência Mundial contra o Racismo de Durban (2001), além de participar da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (2002) e da Comissão de Licitação que assegurava o direito da África do Sul a sediar a Copa do Mundo da FIFA (2010). Concorreu sem sucesso à presidência do ANC em 2017. Ela é  considerada a mulher mais poderosa da política sul-africana pós-apartheid.

BIBLIOGRAFIA

DU PLECIS, Carien. Woman in the wings: Nkosazana Dlamini Zuma and the race for the presidency. Cape Town: Peguin Books, 2017.

MURPHY, Gabrielle. South African health  care in black and white. The Lancet, v. 351, p. 1421-1424, 1998.

STRAUSS, Helene. Nkosazana Clarice Dlamini-Zuma”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 234-236.   

The two women who may determine the fate of South Africa and Zimbabwe – regional focus – southern Africa.  Africa Conflict Monitor, . v. 2017, n. 9, p. 39-45, 2017.

Pascaline Bongo (1956)

Política e Ministra das Relações Exteriores do Gabão. É uma das filhas do presidente Omar Bongo Ondimba, que governou o país de 1967 a 2009, e Louise Mouyabi Moukala. Nasceu em Franceville, capital da província de Haut -Ogooué.  Por sua condição privilegiada, frequentou o ensino primário e secundário no país e mudou-se com a irmã mais nova para Los Angeles, Estados Unidos, onde passou a frequentar a Universidade da Califórnia (1979). Pouco antes de sair do país, manteve um breve romance com o cantor Bob Marley.

Depois de formada, foi nomeada pelo pai como Ministra das Relações Exteriores (1991-1994), não mediu esforços para organizar a visita de Michael Jackson ao Gabão em 1992, e teve papel fundamental no resultado das eleições presidenciais de 1993, que garantiram, segundo muitos, por meios fraudulentos, a continuidade de Omar Bongo, em disputa contra o adversário Paul Mba Abessolé.

Pascaline participou do conselho do Banque Gabonaise et Française Internationale – BGFI (Banco Internacional Gabonês e Francês), uma das mais importantes instituições financeiras nacionais na passagem do século XX para o XXI e também integrava o conselho executivo do Total Gabon, o ramo gabonês da corporação multinacional Elf/Total. Suas atividades na França chamaram por vezes a atenção das cortes e deram origem a investigações. Tendo sido condenada em um processo movido por corrupção envolvendo a Elf/Total, foi multada em 2 milhões de euros pela corte francesa em 2007.

Em julho de 2008 Pascaline foi indicada como Diretora da Gabon Mining Logistics (GML), principal responsável pela parceria entre o governo gabonês e as empresas chinesas que pretendiam construir um complexo gigante de exploração de minério de ferro em Belinga, uma região remota no nordeste da Província de Ogooué-Ivindo. Também trabalhou ativamente para gerenciar o lobby nos Estados Unidos em favor do Gabão.

Mesmo com influência limitada nos rumos do governo gabonês, sua presença e participação no regime da dinastia dos Bongos vem se consolidando desde a década de 1980. Após a morte do pai, em 2009, ela continuou a ser a principal conselheira do irmão, Ali Ben Bongo, que venceu a eleição presidencial naquele mesmo ano.

BIBLIOGRAFIA

NJOYA, Jean. Parenté et politique em imbrication: la construction politico-juridique de la succession héréditaire. Polis, v. 16, n. 102, 2009: http://polis.sciencespobordeaux.fr/vol16n1-2/njoya.pdf

RICH, Jeremy. “Pascaline Bongo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1,  p. 487-488.

YATES, David. Neo-“Petro-monialism” and the rentier state in Gabon. In: BASEDAU, Matthias; MEHLER, Andreas (Eds.). Resource politics in Sub-saharan Africa. Hamburg:  Hamburg African Studies, 2005,  p. 173-190.

Rosini Soglo (1934)

Primeira dama do Benin, com o nome de Rose-Marie (ou Rosine) Honorine Vieyra.  Pertence a uma família da comunidade de elite de afro-brasileiros retornados ao Benin. Seu pai a enviou para a França aos doze anos de idade e lá ela realizou o ensino médio e conheceu Nicéphore Dieudonné Soglo, um colega beninense e membro de um ramo proeminente da família real do Daomé. Ela estudou direito, estagiando como jurista, e em 1958 casou-se com Soglo, com quem teve dois filhos. A família retornou ao seu país em 1965 e Nicéphore foi Ministro das Finanças; depois partiu em 1972 para Washington, onde trabalhou por vários anos no Banco Mundial.

Quando alegações de má administração e fracasso econômico forçaram Mathieu Kérékou, o governante marxista-leninista do Benin (1972-1990), a convocar uma Conferência Nacional, Nicéphore emergiu como o líder interino: um não-político e economista que serviu como primeiro-ministro através do período de transição para eleições democráticas. Nicéphore, então, ganhou um mandato como presidente (1991-1996) em uma vitória esmagadora.

Os Soglo foram elogiados internacionalmente como um primeiro casal ideal – um tecnocrata-presidente que era bem-educado, experiente em administração e completamente moderno com uma esposa similarmente voltada para o futuro. No início dos anos 1990, às vezes eles eram comparados aos americanos Bill e Hillary Clinton. Como Hillary, Rosine foi reprovada por ultrapassar o que muitos consideravam os limites do papel da primeira-dama – acusada de violar o protocolo, ridicularizada por seus chapéus de abas largas de marca registrada e por rumores de ter enviado ordens a funcionários do Estado em papel timbrado do governo.

Em 1992 ela financiou e tornou-se chefe do La Renassaince du Benin (RB), um partido criado, financiado e orientado pelos interesses da família Soglo; também fundou a Vidolé (criança é um tesouro), uma Organização Não Governamental que trabalha com grupos de crianças em áreas rurais e com organizações de mulheres, pela qual é promovida uma ação social relevante que, ao mesmo tempo, consolida a posição do RB.

Rosini passou a atuar diretamente na vida política beninense a partir de 1995, sendo diversas vezes eleita como deputada e passando a exercer forte influência na assembleia legislativa, o que lhe valeu o apelido de “Dama de ferro”, e o que fez com que ela e o marido fossem diversas vezes acusados de corrupção. A partir de 2005, devido a sua influência, seus filhos passaram a atuar em diversos âmbitos das esferas governamentais e públicas, e ela conduziu diversas manobras para livrar as acusações que pesavam sobre o seu marido, o que levou ao descrédito do partido que ela e sua família criaram e manobraram em seu próprio benefício político.

BIBLIOGRAFIA

BAY, Edna. “Rosine Soglo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 434-435.

SAGE, Alexandra. Premières Dames et First Ladies: la femme du chef est-elle le chef du chef? In:  L’afrique politique: femmes d’afrique.Paris: Karthala; CEAN, 1998, p. 45-62.

TOZO, Émile A. Rosine Soglo, famille et entreprise politique. Politique africaine, n. 95, p. 71-90, 2004.

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