Também lembrada na Argélia como “Lalla Zaynab” e considerada uma “mulher santa”, nasceu e viveu no oásis de al-Hamil, no Deserto do Saara.
Assumiu a liderança de uma comunidade espiritual (confraria, tariqa) vinculada ao sufismo, corrente espiritual e mística muçulmana muito difundida na África. Substituiu o pai, Xeique Muhammad ibn abi al-Qasim, falecido em 1897. Já notabilizada por sua sabedoria, erudição, piedade, probidade e ascetismo, passou a ser seguida por numerosos discípulos que também atribuíam a ela a capacidade de operar milagres.
Na época, a Argélia estava sob domínio colonial francês (desde 1830). As autoridades instituídas viram no caso da ascensão de uma liderança religiosa feminina um perigoso precedente, e apoiaram o seu concorrente por ocasião da transferência da chefia da comunidade. Lalla Zaynab pleiteou em todas as instâncias governamentais o seu reconhecimento, sem jamais ter alcançado isso da parte dos franceses.
Até sua morte ela permaneceu como líder incontestável, ensinando estudantes (talibés) e administrando al-Hamil. Sua atuação ilustra o recrudescimento da exclusão feminina sob o imperialismo europeu, que fortaleceu o patriarcalismo já existente na própria sociedade magrebina.
BIBLIOGRAFIA
CLANCY- SMITH, Julia. The house of Zainab: female authority and saintly succession in colonial Algeria. In: KEDDIE, Nikki R.; BARON, Beth (Ed). Women in Middle Eastern history: shifting boundaries in sex and gender. New Haven: Yale University Press, 1991.
CLANCY-SMITH, Julia. “Zaynab bint Muhammad”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 234-236.
Última atualização em: 22/01/2021
































