Rainha-mãe de Meroé, coroada com o nome de Merkare. Compartilhou o governo com o marido, Natakamani.
Devido a ausência de registros escritos sobre o seu governo, parte do que se sabe sobre ela provém de evidências arqueológicas, que a apresentam como guerreira – por exemplo, no pilar do Templo do Leão, em Naga. Ali ela aparece retratada como uma mulher volumosa, com anca proeminente, fustigando inimigos enquanto estes imploram pela vida.
Os altos-relevos de Naga mostram imagens em perfeita simetria de dois co-regentes, o que confirma o compartilhamento do poder entre Amanitore e seu marido Natakamani. Ambos aparecem em tamanho equivalente, ele associado ao sul e ela associada ao norte, assim como as divindades são divididas por sua identidade sexual de acordo com as posições norte/sul. Também do lado oeste do templo, cada um dos membros do casal aparece flanqueando uma representação incomum de Apedemak, o deus-leão, que contém mais duas cabeças laterais e quatro braços laterais, que podiam ser dirigidos indistintamente ao soberano e à soberana.
Outro aspecto único de Amanitore é que ela sempre compartilhou com o rei o exercício das funções religiosas: isso pode ser deduzido a partir da observação do Templo de Amon (N.100) – construído em Naga pelo casal real. Neste templo, ela e Natakamani, vestidos em peles de pantera, aparecem realizando os ofícios sacerdotais e oferendas.
As escavações que começaram em 1995 dentro do templo N.300 levaram à descoberta de uma estela fragmentada na qual se pode ver os dedos de uma deusa, talvez Amesemi, noiva de Apedemak, que era provavelmente associada com a imagem da rainha meroítica. Na inscrição, é provável que a palavra “Amni” corresponda ao nome de Amanitore. Algo similar ocorre com a rainha Manishaketo, que aparece retratada em uma estela de arenito encontrada em um salão do Templo de Amonto abraçada com a deusa Amesemin – que usa uma coroa encimada por um falcão e uma lua, como evidência da divina benevolência da deusa à governanta.
Como em geral ocorria, Amanitore tem uma pirâmide no cemitério situado ao norte de Meroé. Os relevos nas paredes da capela representam uma procissão funerária de sacerdotes carregando várias insígnias e imagens daquela candácia. No túmulo situado na parte inferior do edifício o seu corpo não foi encontrado, mas apenas restos humanos e ossos de animais.
BIBLIOGRAFIA
DUNHAM, D. The west and south cementeries at Meroe. Royal Cementeries of Kush. Boston: Museum of Fine Arts, 1963.
FANTUSATI, Eugenio. “Amanitore”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 197-198.
OLIVEIRA, Fernanda Chamarelli de. Senhoras da Núbia: as candaces na cultura material em Kush (África, I AEC – I EC). Dissertação (Mestrado em História), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.
TORÖK, Lászlo. The kingdom of Kush. Handbook of the napatan-meroitic civilization. Londres: Brill,1997.
Última atualização em: 28/01/2021
































