Amina Mama (1958)

Amina Mama
Fonte da imagem: UCDAVIS. Disponível em: https://gsws.ucdavis.edu/people/amina-mama. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Escritora, professora e feminista nigeriana.  Nasceu na cidade de Kaduna, situada na área cultural hauçá, no norte da Nigéria, filha de pai nigeriano e de mãe inglesa. Esta história familiar eclética, segundo ela, teria moldado sua visão de mundo e refletido o alcance de sua atuação posterior na África, Europa e América do Norte.  Em 1992 casou-se com Nuruddin Farah, com quem tem dois filhos.

Ela frequentou a escola primária e secundária em Kaduna, em ambiente muçulmano. A mãe era professora, e vários outros membros de sua família estiveram envolvidos com o sistema local no momento da independência do país. Em 1966 ela deixou sua comunidade devido a distúrbios antimuçulmanos, e se estabeleceu em Londres, onde veio a obter sua formação acadêmica em nível superior. Estudou Psicologia na Universidade de St Andrews, na Escócia (1980), com Mestrado em Psicologia Social e Doutorado em Psicologia Organizacional na Universidade de Londres, onde defendeu a tese:  Race and subjectivity: a study of black women (Raça e subjetividade: um estudo sobre mulheres negras) (1987).

Em seus primeiros estudos, Amina Mama desenvolveu  análises comparativas sobre a situação das mulheres britânicas e nigerianas. Passou pela Holanda, Nigéria, e se estabeleceu na África do Sul, onde passou a lecionar na University of Cape Town (Universidade da Cidade do Cabo), onde passou a dirigir o African Gender Institute (Instituto Africano de Estudos de Gênero). Ela foi uma das criadoras do periódico Feminist Africa (Feminismo Africano), em que permanece como editora. Em 2008, ela foi contratada para lecionar no Mills College, em Oakland, passando depois a lecionar na Universidade da Califórnia – Campus Davis, nos Estados Unidos, como professora de Relações de Gênero, Sexualidade e Estudos sobre as Mulheres.

Em paralelo ao seu trabalho de reflexão teórica, docência e pesquisa, Amina Mama é reconhecida internacionalmente por seu ativismo em defesa dos direitos das mulheres, como destacada feminista. Ela é presidenta do conselho de Administração do Fundo Global para Mulheres e assessora ou consultora de diversas organizações internacionais, além de participar do conselho de administração do Instituto de Pesquisa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. 

Embora declaradamente feminista, ela se coloca como crítica do “feminismo branco”, pelas suas ligações intrínsecas com o colonialismo, o capitalismo e o racismo, argumentos defendidos em sua mais conhecida obra:   Beyond the masks: race, gender and subjetivity (Além das máscaras: raça, gênero e subjetividade) (1995), em que ela, partindo da interpretação racial proposta por Frantz Fanon, e indo além, reinterpreta as condições em que se processa a subjetividade das mulheres negras. Junto com uma equipe de outras teóricas africanas, coordenou junto ao Conseil pour le Development des Sciences Sociales en Afrique – CODESRIA, a obra coletiva intitulada Sexe, genre et societe: engendrer les sciences sociales africaines (Sexo, gênero e sociedade: engendrar as ciências sociais africanas) (1997).

Para Amina Mama, as ideias universais de sororidade, produzidas pelo feminismo em contexto hegemônico, devem ser colocadas sob suspeita devido aos limites da crítica feminista ao capitalismo. O que a leva, por extensão, a se colocar como crítica aos discursos que pretendem separar as condições de opressão de gênero e raça. Coloca-se também em franca oposição ao tipo de produção que circula nas universidades africanas, perpassadas pelo patriarcalismo, pelo sexismo e por hierarquias institucionais.  

BIBLIOGRAFIA

MAMA, Amina. Challenging subjects:  gender and power in african contexts. African Sociological Review, v. 5, n. 2, p. 63-73, 2001:  https://www.ajol.info/index.php/asr/article/viewFile/23191/19882

MAMA, Amina. Feminism or Femocracy? State Feminism and Democratisation in Nigeria. Africa Development, CODESRIA, v.  20, n. 1, p. 37-58, 1995.

MAMA, Amina (entrevista). Africana: aportaciones para la descolonización del feminismo. Barcelona: Oozebap, 2013:   http://www.feministas.org/IMG/pdf/varias_autoras___africana._aportaciones_para_la_descolonizacion_del_feminismo.pdf

Última atualização em: 22/01/2021

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