Dolly Rathebe (1928-2004)

Dolly Rathebe | Foto: Jurgen Schadeberg (cortesia)
Fonte da imagem: Jürgen Schadeberg. Disponível em: http://jurgenschadeberg.com/galleries/JazzSouthAfrica_SixDecades/Jazz_40.htm. Acesso em: 15 de dez. de 2020.

Cantora sul-africana de jazz, atriz e modelo, nasceu em Radfontein, a Oeste de Johannesburg, era filha de uma empregada doméstica e foi criada pelos avós. Depois, foi com a mãe para Sophiatown, na periferia de Johannesburg, onde estudou e cresceu. Seu nome próprio era Josephine Malatsi, enquanto Dolly Rathebe é o nome artístico.

Começou a carreira interpretando canções de jazz em bares e clubes, mas logo alcançou o sucesso, em 1949, devido ao seu talento e qualidades performáticas. Neste ano ela foi convidada a participar, como atriz, do filme Jim comes to Jo’burg (Jim chega em Jo’Burg), o que também impulsionou sua carreira artística como modelo. Em 1952 participaria do segundo filme, The magic Garden (O jardim mágico), quando passou a aparecer com frequência em capas e matérias de revistas e jornais, com a Drum Magazine, Golden City Post e Zonk!, e se tornando um símbolo de beleza negra, de mulher negra urbana e sofisticada.

Dolly permaneceu no show de variedades e no mundo da música como atração durante os anos 1950-1960, apresentando-se com diversas bandas, como Manhattan Stars, The African Inkspots e principalmente The Elite Swingsters, na África do Sul, Zimbabwe (na época colonial, Rodésia do Sul) e Moçambique. Entre seus discos e compilações, estão Township Swing Jazz Volume 1 (1953) e From Marabi to Disco (1961).

Todavia, em virtude da queda de popularidade do gênero jazz band e principalmente devido às restrições impostas pela legislação do Apartheid, tornou-se cada vez mais difícil a apresentação de bandas negras para o público branco, sobretudo após a imposição de um toque de recolher para os(as) negros(as) às 20h. Ela então se mudou para a Cidade do Cabo e, para sobreviver, abriu um shebeen (um bar não licenciado). Em 1989, com a crise do Apartheid, ela voltou à cena artística e musical, juntando-se a The Elite Swingsters para atuar em um filme ambientado na década de 1950, e lançando os álbuns Woza (1991), A call for Peace (1995) e Siya Gida / We Dance (1997).

 No início do século XXI, recebeu diversos prêmios por sua carreira e atuação pública, como o Lifetime Achievement Award, e em 2004, pouco antes de morrer, foi agraciada com a Ordem Sul-Africana de Ikhamanga em Prata, dada pelo governo em reconhecimento pela “excelente contribuição à música e às artes cênicas e ao compromisso com os ideais de justiça, liberdade e democracia”.

BIBLIOGRAFIA

ALLEN, Lara. Music, film and gangsters in Sophiatown imaginary : featuring Dolly Rathebe. Scrutinya: issues in English Studies in Southern Africa, v. 9, p. 19-38, 2004.

ALLEN, Lara. “Dolly Rathebe”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 185-186.

RATHEBE, Dolly; PILISO, Ntemi. Lakutshon Lllanga : https://www.youtube.com/watch?v=WjvRCr1mtV0   

RATHEBE, Dolly; The African Ink Spots. Unomeva (Welkome Duru) : https://www.youtube.com/watch?v=Ro5QkFLMZ7Y  

Última atualização em: 28/01/2021

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